Economia

Mortes violentas caem 8,2% no país em 2025; feminicídios aumentam 4%

ResumoO 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública registrou queda de 8,2% nas mortes violentas intencionais (MVI) em 2025, menor índice desde 2012. Os feminicídios aumentaram 4%, totalizando 1.571 vítimas, maior percentual de mortes por gênero desde 2015.

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela que as mortes violentas intencionais (MVI) caíram 8,2% em 2025, atingindo o menor patamar desde 2012. No entanto, os feminicídios subiram 4%, com 1.571 vítimas, o maior percentual de mortes por gênero desde 2015.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 23 de julho de 2026
Mortes violentas caem 8,2% no país em 2025; feminicídios aumentam 4%

Mortes violentas caem 8,2% no país em 2025; feminicídios aumentam 4%

O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de mortes violentas intencionais (MVI) desde 2012, quando o índice começou a ser medido. A 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23), mostra que a taxa caiu de 20,6 casos por 100 mil habitantes em 2024 para 19,1 casos por 100 mil habitantes em 2025, uma diminuição de 8,2%. Em números absolutos, foram 40.775 mortes violentas intencionais no ano passado, ante 44.127 em 2024.

Essa é a primeira vez que a categoria MVI fica abaixo de 20 mortes por 100 mil habitantes no país. Em 2012, a taxa era de 27,7 por 100 mil habitantes. A categoria inclui homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte, mortes decorrentes de intervenções policiais e mortes de policiais em serviço e fora do horário de trabalho.

O que mais caiu e o que subiu entre as mortes violentas em 2025?

Entre os crimes que compõem as MVI, três apresentaram queda expressiva em 2025. O homicídio doloso caiu 10%, o latrocínio (roubo seguido de morte) recuou 17%, e a lesão corporal seguida de morte diminuiu 15,2%. Por outro lado, as mortes por intervenção policial subiram 5,4%, e os feminicídios aumentaram 4%.

Queda histórica nos homicídios

A redução de 10% nos homicídios dolosos foi o principal motor da queda geral das MVI. Em 2024, o país registrava 20,6 mortes por 100 mil habitantes; em 2025, o índice caiu para 19,1. Especialistas apontam que a tendência de queda vem se consolidando desde 2017, mas 2025 marca um patamar simbólico.

Quais estados tiveram alta e queda nas mortes violentas?

Apesar da média nacional positiva, sete unidades da federação tiveram aumento nas MVI em 2025, na comparação com 2024. O Rio Grande do Norte lidera com alta de 19,6%, seguido por Rondônia (7,5%), Acre (6,3%), Roraima (5,8%), Distrito Federal (5,8%), Mato Grosso do Sul (4,9%) e Rio de Janeiro (2,1%).

Já os estados com as maiores reduções foram Amazonas (-32,5%), Rio Grande do Sul (-25,7%) e Mato Grosso (-23,2%). Outros estados também tiveram quedas significativas: Piauí (-15,7%), Paraná (-15,5%), Minas Gerais (-14,2%), Goiás (-12,7%), Santa Catarina (-11,1%), Bahia (-9,6%), Pernambuco (-9,3%), Espírito Santo (-8,4%), Ceará (-7,5%), Alagoas (-6,6%), Amapá (-5,9%), Paraíba (-3,9%), São Paulo (-3,9%), Pará (-3,7%), Sergipe (-3%), Tocantins (-2,2%) e Maranhão (-2,2%).

Feminicídios: o que os números de 2025 revelam?

Em 2025, os registros do Anuário de Segurança Pública mostram que 44,4% das mulheres assassinadas no país foram mortas por razões de gênero, o maior percentual desde que o feminicídio entrou para o Código Penal brasileiro, em 2015. Em números absolutos, 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio, o equivalente a 4,3 mortes por dia. A taxa nacional foi de 1,4 vítimas por grupo de 100 mil mulheres, uma alta de 4% em relação a 2024.

As tentativas de feminicídio também continuaram a crescer. Foram 4.189 mulheres sobreviventes, um aumento de 5,9% em relação a 2024. Para cada feminicídio consumado, houve quase três tentativas.

Onde os feminicídios são mais frequentes?

Considerando conjuntamente os feminicídios consumados e tentados, as regiões Centro-Oeste e Norte apresentaram as maiores taxas do país, com 9,8 e 8 vítimas por 100 mil mulheres, respectivamente. Já as regiões Sudeste (4,2), Nordeste (4,8) e Sul (5,2) registraram menores níveis de violência letal de gênero.

Como interpretar os dados de segurança pública de 2025?

A queda de 8,2% nas mortes violentas intencionais é o menor patamar desde 2012, mas o aumento de 4% nos feminicídios e de 5,4% nas mortes por intervenção policial acende alertas. A disparidade entre os estados também chama atenção: enquanto Amazonas e Rio Grande do Sul tiveram quedas expressivas, Rio Grande do Norte e Rondônia viram a violência crescer.

Segundo o especialista ouvido pelo Anuário, há empecilhos na articulação das tarefas para combater o crime entre diferentes entes da federação. O dado sugere que políticas nacionais precisam de adaptação local para serem eficazes.

Perguntas Frequentes

Por que as mortes violentas caíram em 2025?

A redução de 8,2% nas MVI foi puxada principalmente pela queda de 10% nos homicídios dolosos, de 17% nos latrocínios e de 15,2% nas lesões corporais seguidas de morte. É o menor patamar desde 2012.

Quantas mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025?

Foram 1.571 mulheres vítimas de feminicídio em 2025, uma média de 4,3 mortes por dia. O número representa alta de 4% em relação a 2024.

Quais estados tiveram maior aumento de mortes violentas?

Rio Grande do Norte (19,6%), Rondônia (7,5%) e Acre (6,3%) lideram as altas nas MVI em 2025. Ao todo, sete estados tiveram aumento.

O que significa a sigla MVI?

MVI significa mortes violentas intencionais. A categoria inclui homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte, mortes por intervenção policial e mortes de policiais.

Como os feminicídios se comparam com anos anteriores?

Em 2025, 44,4% das mulheres assassinadas foram mortas por razões de gênero, o maior percentual desde 2015. As tentativas também cresceram 5,9%, totalizando 4.189 sobreviventes.

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