# Morre Ratko Mladic, o Açougueiro da Bósnia, aos 83 anos

> Ratko Mladic, ex-general sérvio-bósnio condenado por genocídio, morreu aos 83 anos sob custódia da ONU. Mladic liderou o massacre de Srebrenica em 1995, que matou mais de 8.000 homens e meninos bósnios. A morte do condenado por crimes de guerra encerra um capítulo sombrio da história europeia, marcado por atrocidades e limpeza étnica.

*Mercado Valor · Economia · 27 de agosto de 2026 · Bianca Solano*

Ratko Mladic, condenado por genocídio pelo massacre de Srebrenica em 1995, morreu sob custódia da ONU. Aos 83 anos, o ex-general deixa um legado de atrocidades que marcaram a Europa.

Ratko Mladic, condenado por genocídio por orquestrar o massacre de 1995 de pelo menos 8.000 muçulmanos em uma zona de segurança da ONU na Bósnia, morreu nesta quinta-feira, informou uma autoridade da ONU. A matança em Srebrenica, considerada a pior atrocidade na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, foi o desfecho de uma guerra de mais de três anos. Durante o conflito, Mladic bombardeava diariamente a capital sitiada, Sarajevo, com artilharia, tanques, morteiros e metralhadoras pesadas de seu Exército nacionalista sérvio, matando 10.000 pessoas.

Os corpos das vítimas de Srebrenica foram empurrados por tratores para valas comuns ao longo de quatro dias em julho de 1995. Alguns foram posteriormente desenterrados e transferidos para áreas montanhosas remotas para ocultar as evidências dos assassinatos. O objetivo, conforme determinado pelo Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia (TPII) da ONU, era a limpeza étnica, ou seja, a expulsão forçada de muçulmanos bósnios, croatas e outros não sérvios para liberar terras bósnias para uma Grande Sérvia. O tribunal concluiu que Mladic, junto com o falecido presidente sérvio Slobodan Milosevic e o líder político sérvio-bósnio Radovan Karadzic, integravam uma conspiração criminosa para executar esse plano.

Durante uma audiência do TPII em 2014, Mladic declarou: "Não reconheço este tribunal". Ao ser condenado à prisão perpétua em 2017, gritou: "Tudo isso é mentira, vocês são todos mentirosos!". O ex-general octogenário enfrentava problemas de saúde e foi hospitalizado repetidamente. Ele estava no centro de detenção da ONU desde sua prisão, em 2011. Para Munira Subasic, cujo filho e marido foram assassinados pelas forças sérvias da Bósnia após a tomada de Srebrenica, Mladic é "o símbolo de todos os crimes horríveis ocorridos durante a guerra". Ela comparou: "Os alemães tiveram Hitler; os sérvios têm Mladic. Não há diferença entre os dois". O Exército que Mladic criou era um modelo de crueldade, com prisioneiros mortos por calor após ingerir sal, fome, estupro em campos de detenção e execuções em massa. genocídio e direitos humanos

A morte de Mladic encerra um capítulo sombrio, mas o impacto do genocídio de Srebrenica permanece vivo para as famílias das vítimas. Para quem acompanha a história recente, o caso ilustra como a justiça internacional, mesmo tardia, buscou responsabilizar os autores de crimes contra a humanidade.

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