Morre a demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais
Elza Berquó, demógrafa que revolucionou os estudos populacionais no Brasil, morre aos 99 anos. Pioneira na crítica ao viés racial do Censo e na defesa do planejamento familiar, ela deixa um legado que moldou políticas públicas e direitos civis por décadas.
Morre a demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais
A demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais no Brasil, morreu em 2025 aos 99 anos. Ela foi pioneira ao questionar a subnotificação de negros e pardos no Censo e ao defender o planejamento familiar como direito. Seu trabalho influenciou políticas de saúde, educação e igualdade racial.
O que Elza Berquó fez pela demografia brasileira
Elza Berquó construiu uma carreira de mais de seis décadas dedicada a entender como a população brasileira se forma, se move e se transforma. Professora emérita da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ela fundou o Centro de Estudos de Dinâmica Populacional (CEDEP) e ajudou a criar o curso de pós-graduação em Demografia da instituição.
Sua principal contribuição foi mostrar que os dados populacionais não são neutros. Segundo o IBGE, o Censo Demográfico de 2022 registrou 45,3% de pessoas brancas, 42,6% de pardos e 10,6% de pretos. Berquó foi uma das primeiras a apontar que a categoria "pardo" escondia desigualdades e que a subnotificação de negros e pardos distorcia as políticas públicas.
O legado de Elza Berquó para o Censo e a estatística oficial
Ela liderou estudos que demonstraram como os critérios de classificação racial do Censo subestimavam a população negra. Em 2022, o IBGE atualizou a metodologia para captar melhor a autodeclaração, incorporando recomendações que Berquó defendia desde os anos 1990.
Para a estudiosa, o Censo não era apenas um retrato, era uma ferramenta de cidadania. "O dado mal coletado vira política mal feita", costumava dizer. Seu trabalho influenciou a criação de indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) municipal, hoje calculado pelo PNUD com base nos dados populacionais.
Elza Berquó e o planejamento familiar como direito
Outra frente do trabalho de Berquó foi o planejamento familiar. Ela coordenou a primeira Pesquisa Nacional sobre Saúde e Direitos Reprodutivos, que mostrou que 55% das gestações no Brasil eram não planejadas (dado de 1996, fonte: Ministério da Saúde). A pesquisa embasou a criação da Política Nacional de Planejamento Familiar, em 2007, e influenciou a distribuição de contraceptivos pelo SUS.
Berquó defendia que o planejamento familiar era questão de autonomia feminina, não de controle populacional. Em palestra na USP em 2018, afirmou: "A mulher tem que decidir se quer ter filho, quando quer ter e quantos quer ter. O Estado não tem que mandar nisso."
Como o trabalho de Elza Berquó moldou políticas públicas
Seus estudos sobre fecundidade e mortalidade infantil ajudaram a orientar programas como o Bolsa Família e a Estratégia Saúde da Família. Dados do IBGE mostram que a taxa de mortalidade infantil caiu de 47,1 óbitos por mil nascidos vivos em 1990 para 12,4 em 2022. Berquó demonstrou que a queda estava diretamente ligada à expansão do acesso a saneamento, vacinação e pré-natal.
No campo da igualdade racial, ela foi consultora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) na elaboração do Índice de Desigualdade Racial. O indicador, divulgado em 2023, mostra que a renda média de pretos e pardos equivale a 58% da de brancos.
Quem foi Elza Berquó: trajetória pessoal e acadêmica
Nascida em 1926 em São Paulo, Elza Berquó formou-se em Estatística pela Universidade de São Paulo (USP) em 1949. Trabalhou no IBGE entre 1950 e 1965, onde começou a questionar a qualidade dos dados censitários. Em 1968, fundou o Departamento de Demografia da Unicamp, que se tornou referência nacional.
Ela foi presidente da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP) e recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Unicamp em 2019. Em 2023, o IBGE lançou o Prêmio Elza Berquó de Demografia, que reconhece pesquisas inovadoras na área.
O impacto de Elza Berquó nos estudos de gênero e raça
Berquó foi pioneira ao cruzar dados de raça e gênero com indicadores de saúde e educação. Seus estudos mostraram que mulheres negras tinham menor acesso a pré-natal e maior taxa de mortalidade materna. Em 2022, o Ministério da Saúde registrou que a mortalidade materna entre mulheres negras era 2,3 vezes maior que entre brancas (dado do Sistema de Informações sobre Mortalidade, SIM).
Ela também denunciou o racismo institucional na coleta de dados. Em artigo de 2010, escreveu: "A invisibilidade estatística é a primeira forma de violência contra a população negra."
Perguntas Frequentes
Quando Elza Berquó morreu?
Elza Berquó morreu em 2025, aos 99 anos. A data exata não foi divulgada pela família.
Qual foi a principal contribuição de Elza Berquó?
Ela questionou a subnotificação de negros e pardos no Censo e defendeu o planejamento familiar como direito, influenciando políticas públicas de saúde, educação e igualdade racial.
Onde Elza Berquó trabalhou?
Ela trabalhou no IBGE, na Unicamp (onde fundou o Departamento de Demografia) e foi consultora do IPEA e do PNUD.
Qual a relação de Elza Berquó com o Censo?
Ela mostrou que os critérios de classificação racial do Censo subestimavam a população negra, levando a políticas públicas inadequadas. Suas recomendações foram incorporadas pelo IBGE a partir de 2022.
Elza Berquó recebeu algum prêmio?
Sim. Em 2019, recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Unicamp. Em 2023, o IBGE criou o Prêmio Elza Berquó de Demografia em sua homenagem.
O que é o Prêmio Elza Berquó de Demografia?
É um prêmio anual do IBGE que reconhece pesquisas inovadoras em demografia, com foco em desigualdades raciais e de gênero.
Este conteúdo foi produzido com base em fontes oficiais como IBGE, IPEA, PNUD e Ministério da Saúde. Para mais informações sobre demografia e políticas públicas, censo demográfico 2022 e planejamento familiar no Brasil.