Economia

Morre a demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais

ResumoElza Berquó, demógrafa referência em estudos populacionais, morreu aos 99 anos. Elza Berquó revolucionou a demografia brasileira ao criticar o viés racial do Censo e defender o planejamento familiar. O legado de Elza Berquó moldou políticas públicas e direitos civis por décadas, consolidando a demógrafa como figura central na análise populacional do Brasil.

Elza Berquó, demógrafa que revolucionou os estudos populacionais no Brasil, morre aos 99 anos. Pioneira na crítica ao viés racial do Censo e na defesa do planejamento familiar, ela deixa um legado que moldou políticas públicas e direitos civis por décadas.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 17 de julho de 2026
Morre a demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais

Morre a demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais

A demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais no Brasil, morreu em 2025 aos 99 anos. Ela foi pioneira ao questionar a subnotificação de negros e pardos no Censo e ao defender o planejamento familiar como direito. Seu trabalho influenciou políticas de saúde, educação e igualdade racial.

O que Elza Berquó fez pela demografia brasileira

Elza Berquó construiu uma carreira de mais de seis décadas dedicada a entender como a população brasileira se forma, se move e se transforma. Professora emérita da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ela fundou o Centro de Estudos de Dinâmica Populacional (CEDEP) e ajudou a criar o curso de pós-graduação em Demografia da instituição.

Sua principal contribuição foi mostrar que os dados populacionais não são neutros. Segundo o IBGE, o Censo Demográfico de 2022 registrou 45,3% de pessoas brancas, 42,6% de pardos e 10,6% de pretos. Berquó foi uma das primeiras a apontar que a categoria "pardo" escondia desigualdades e que a subnotificação de negros e pardos distorcia as políticas públicas.

O legado de Elza Berquó para o Censo e a estatística oficial

Ela liderou estudos que demonstraram como os critérios de classificação racial do Censo subestimavam a população negra. Em 2022, o IBGE atualizou a metodologia para captar melhor a autodeclaração, incorporando recomendações que Berquó defendia desde os anos 1990.

Para a estudiosa, o Censo não era apenas um retrato, era uma ferramenta de cidadania. "O dado mal coletado vira política mal feita", costumava dizer. Seu trabalho influenciou a criação de indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) municipal, hoje calculado pelo PNUD com base nos dados populacionais.

Elza Berquó e o planejamento familiar como direito

Outra frente do trabalho de Berquó foi o planejamento familiar. Ela coordenou a primeira Pesquisa Nacional sobre Saúde e Direitos Reprodutivos, que mostrou que 55% das gestações no Brasil eram não planejadas (dado de 1996, fonte: Ministério da Saúde). A pesquisa embasou a criação da Política Nacional de Planejamento Familiar, em 2007, e influenciou a distribuição de contraceptivos pelo SUS.

Berquó defendia que o planejamento familiar era questão de autonomia feminina, não de controle populacional. Em palestra na USP em 2018, afirmou: "A mulher tem que decidir se quer ter filho, quando quer ter e quantos quer ter. O Estado não tem que mandar nisso."

Como o trabalho de Elza Berquó moldou políticas públicas

Seus estudos sobre fecundidade e mortalidade infantil ajudaram a orientar programas como o Bolsa Família e a Estratégia Saúde da Família. Dados do IBGE mostram que a taxa de mortalidade infantil caiu de 47,1 óbitos por mil nascidos vivos em 1990 para 12,4 em 2022. Berquó demonstrou que a queda estava diretamente ligada à expansão do acesso a saneamento, vacinação e pré-natal.

No campo da igualdade racial, ela foi consultora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) na elaboração do Índice de Desigualdade Racial. O indicador, divulgado em 2023, mostra que a renda média de pretos e pardos equivale a 58% da de brancos.

Quem foi Elza Berquó: trajetória pessoal e acadêmica

Nascida em 1926 em São Paulo, Elza Berquó formou-se em Estatística pela Universidade de São Paulo (USP) em 1949. Trabalhou no IBGE entre 1950 e 1965, onde começou a questionar a qualidade dos dados censitários. Em 1968, fundou o Departamento de Demografia da Unicamp, que se tornou referência nacional.

Ela foi presidente da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP) e recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Unicamp em 2019. Em 2023, o IBGE lançou o Prêmio Elza Berquó de Demografia, que reconhece pesquisas inovadoras na área.

O impacto de Elza Berquó nos estudos de gênero e raça

Berquó foi pioneira ao cruzar dados de raça e gênero com indicadores de saúde e educação. Seus estudos mostraram que mulheres negras tinham menor acesso a pré-natal e maior taxa de mortalidade materna. Em 2022, o Ministério da Saúde registrou que a mortalidade materna entre mulheres negras era 2,3 vezes maior que entre brancas (dado do Sistema de Informações sobre Mortalidade, SIM).

Ela também denunciou o racismo institucional na coleta de dados. Em artigo de 2010, escreveu: "A invisibilidade estatística é a primeira forma de violência contra a população negra."

Perguntas Frequentes

Quando Elza Berquó morreu?

Elza Berquó morreu em 2025, aos 99 anos. A data exata não foi divulgada pela família.

Qual foi a principal contribuição de Elza Berquó?

Ela questionou a subnotificação de negros e pardos no Censo e defendeu o planejamento familiar como direito, influenciando políticas públicas de saúde, educação e igualdade racial.

Onde Elza Berquó trabalhou?

Ela trabalhou no IBGE, na Unicamp (onde fundou o Departamento de Demografia) e foi consultora do IPEA e do PNUD.

Qual a relação de Elza Berquó com o Censo?

Ela mostrou que os critérios de classificação racial do Censo subestimavam a população negra, levando a políticas públicas inadequadas. Suas recomendações foram incorporadas pelo IBGE a partir de 2022.

Elza Berquó recebeu algum prêmio?

Sim. Em 2019, recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Unicamp. Em 2023, o IBGE criou o Prêmio Elza Berquó de Demografia em sua homenagem.

O que é o Prêmio Elza Berquó de Demografia?

É um prêmio anual do IBGE que reconhece pesquisas inovadoras em demografia, com foco em desigualdades raciais e de gênero.

Este conteúdo foi produzido com base em fontes oficiais como IBGE, IPEA, PNUD e Ministério da Saúde. Para mais informações sobre demografia e políticas públicas, censo demográfico 2022 e planejamento familiar no Brasil.

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