# Moraes quer intimar testemunhas para corroborar relatório apócrifo contra Mendonça

> Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, declarou que pretende intimar testemunhas para corroborar relatórios apócrifos da Polícia Federal contra André Mendonça. Moraes admitiu que os documentos não têm valor de prova, mas comparou-os a delações premiadas, defendendo a apuração dos fatos.

*Mercado Valor · Economia · 15 de setembro de 2026 · Caetano Vidal*

Em defesa ao STF, Alexandre de Moraes afirmou que vai intimar testemunhas para corroborar acusações de relatórios apócrifos da PF contra André Mendonça. Ministro admitiu que documentos não têm valor de prova, mas os comparou a delações premiadas.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou, em sua peça de defesa, que vai intimar testemunhas para corroborar as acusações dos relatórios de inteligência da Polícia Federal sobre suposta parcialidade e direcionamento das investigações conduzidas por seu colega André Mendonça.

Moraes usou os relatórios para incluir Mendonça no inquérito das fake news e acusá-lo de abuso de autoridade. Como mostrou o Estadão, os documentos eram apócrifos e se classificavam como sem valor probatório. Na defesa, o ministro admitiu que os relatórios não tinham valor de prova, mas sustentou que poderiam ser usados como "meios de obtenção de prova", da mesma forma que um acordo de delação premiada.

Os próprios relatórios, porém, afirmam que servem apenas para informar a direção da PF para adotar medidas de gestão e que não podem ser usados como instrumento de acusação.

## O que Moraes alegou na defesa

Com base nesse raciocínio, Moraes afirmou que vai intimar testemunhas para corroborar as acusações contra André Mendonça. O ministro classificou de "patética" a afirmação de que os relatórios demonstravam o monitoramento de ministros do STF e disse que tomou conhecimento dos documentos "por indagações de vários jornalistas sobre minha eventual ciência de que estaria sendo investigado pelo ministro relator, André Mendonça".

"Importante salientar que Relatórios de Inteligência tem a mesma força probante de Colaborações Premiadas, ou seja, são meios de obtenção de prova, que devem ser comprovados por outras provas. Exatamente por isso, em relação a essa conduta absurda do Ministro relator, irei solicitar ao Presidente do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL que intime diversas testemunhas que presenciaram, em várias reuniões, os diversos pedidos do Ministro André Mendonça para a Polícia Federal solicitar medidas contra o Ministro Alexandre de Moraes, bem como, incluí-lo, juntamente com o Presidente do Senado Davi Alcolumbre, na colaboração premiada, mesmo sempre sendo informado que não havia nenhum mínimo indício para isso, por total ausência de prática de infração penal de ambos. As testemunhas serão indicadas no momento adequado", escreveu.

## O que está em jogo na sessão desta terça

A Corte chega à sessão desta terça dividida sobre o relatório da PF e a eventual investigação de Alexandre de Moraes. O STF definiu o rito da sessão, mas ainda terá de enfrentar questões sobre a validade do relatório da PF, o quórum e um eventual pedido de vista.

A discussão sobre o valor probatório de relatórios de inteligência não é nova no STF, mas o caso atual coloca o tribunal diante de um impasse: de um lado, a defesa de Moraes tenta equiparar os documentos a delações premiadas; de outro, os próprios relatórios delimitam seu uso à gestão administrativa da PF, sem fins acusatórios. inquérito das fake news

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