Economia

Moody's eleva nota soberana da Argentina e impulsiona planos de Milei

ResumoA Moody's Ratings elevou a nota de crédito soberano da Argentina de Caa1 para B3, com perspectiva positiva. A melhoria valida o plano de reforma econômica de Javier Milei, refletindo redução do risco de inadimplência e estabilização macroeconômica.

A Moody's Ratings elevou a nota de crédito da Argentina de Caa1 para B3, com perspectiva positiva, validando o plano de reforma econômica de Javier Milei. A melhoria reflete a redução do risco de inadimplência e a estabilização macroeconômica.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 22 de julho de 2026
Moody's eleva nota soberana da Argentina e impulsiona planos de Milei

A Moody's Ratings elevou a nota de crédito da Argentina, concedendo ao país sua terceira melhor classificação em menos de três meses e validando ainda mais o plano de reforma econômica do presidente Javier Milei. A classificação subiu de Caa1 para B3, com perspectiva positiva.

A melhoria, embora ainda mantenha a Argentina em território altamente especulativo, tira o país da categoria de alto risco. As três principais agências de classificação de risco agora classificam o país acima desse patamar, um marco para um tomador que passou anos entre os mais arriscados nos mercados globais.

A visão da Moody's sobre a Argentina

"A elevação da classificação reflete nossa avaliação de que o risco de inadimplência da Argentina diminuiu substancialmente", escreveram analistas da Moody's em comunicado na terça-feira. "A estabilização macroeconômica avançou além da fase inicial de ajuste para uma melhora mais duradoura nos fundamentos de crédito."

A agência destacou que as perspectivas para a posição externa do país melhoraram consideravelmente, impulsionadas por um desempenho mais forte das exportações e pelo aumento do investimento estrangeiro direto nos setores de energia e mineração, além de melhor acesso ao financiamento externo.

O contexto das outras agências

A decisão da Moody's segue movimentos similares da Fitch Ratings, que em maio elevou a classificação para B1, e da S&P Global Ratings, que fez o mesmo em junho. Todas as agências citaram o sucesso de Milei na recuperação das contas fiscais e na redução da inflação, que estava em patamares de três dígitos.

O spread dos títulos soberanos argentinos em relação aos títulos americanos está agora em quase 400 pontos-base, o menor em oito anos. As melhorias na classificação de risco ampliam o leque de potenciais investidores que podem deter dívida argentina.

Os resultados das reformas

O governo de Milei manteve superávits fiscais e recorreu à emissão de dívida em dólares, acordos de recompra com bancos internacionais e financiamento multilateral para cumprir suas obrigações. O banco central acelerou a acumulação de reservas, atingindo a meta do governo junto ao Fundo Monetário Internacional de comprar mais de US$ 10 bilhões em moeda estrangeira durante o primeiro semestre de 2026.

Ao mesmo tempo, o governo tem gradualmente flexibilizado alguns controles de capital e implementado reformas para normalizar o regime monetário e cambial.

Riscos e perspectivas

A Moody's afirmou que sua perspectiva positiva reflete a possibilidade de novas revisões para cima, à medida que a Argentina continua a implementar melhorias estruturais. A agência alertou que ainda existem riscos antes da eleição presidencial de 2027, embora tenha observado que o "gama de resultados políticos diminuiu" em relação aos ciclos eleitorais anteriores.

Autoridades governamentais têm argumentado que os custos de empréstimo da Argentina ainda não refletem adequadamente a melhoria dos fundamentos fiscais e externos, e deveriam estar mais próximos da faixa de 250 a 300 pontos-base spread soberano argentino.

Perguntas Frequentes

O que significa a elevação da nota da Argentina pela Moody's?

Significa que a Moody's Ratings elevou a classificação de crédito do país de Caa1 para B3, com perspectiva positiva, indicando redução do risco de inadimplência e melhora na estabilização macroeconômica.

Qual é a importância da nota B3?

A nota B3 ainda é considerada altamente especulativa, mas tira a Argentina da categoria de alto risco, o que pode começar a atrair novos compradores para a dívida do país.

Como as outras agências classificaram a Argentina?

A Fitch Ratings elevou a classificação para B1 em maio, e a S&P Global Ratings fez o mesmo em junho, ambas citando o sucesso de Milei nas contas fiscais e na redução da inflação.

Quais são os riscos para a continuidade das reformas?

A Moody's alertou para riscos antes da eleição presidencial de 2027, mas observou que o leque de resultados políticos diminuiu, aumentando a probabilidade de continuidade das políticas.

O que o governo argentino ainda busca?

Autoridades argumentam que os custos de empréstimo deveriam estar mais próximos da faixa de 250 a 300 pontos-base, refletindo melhor os fundamentos fiscais e externos do país.

Leia também

Publicidade