# Mineração na Argentina: US$ 35 bi até 2035

> A mineração na Argentina pode gerar exportações de aproximadamente US$ 35 bilhões até 2035, segundo cálculo do Itaú BBA. O regime de incentivos RIGI e a demanda global por cobre e lítio impulsionam as projeções, embora o impacto direto na Bolsa argentina deva permanecer modesto.

*Mercado Valor · Economia · 14 de setembro de 2026 · Caetano Vidal*

Cálculo do Itaú BBA aponta que a Argentina pode exportar cerca de US$ 35 bilhões em mineração até 2035, com RIGI e demanda por cobre e lítio como vetores. Impacto direto na Bolsa, porém, tende a ser modesto.

Um novo cálculo do Itaú BBA projeta que a Argentina pode exportar cerca de US$ 35 bilhões em produtos de mineração até 2035. O volume colocaria o setor como terceira grande indústria exportadora nacional, ao lado da agricultura e da energia. Para referência, as exportações totais do país estão em torno de US$ 100 bilhões em 2026. O governo local calcula que as exportações de energia podem chegar a aproximadamente US$ 50 bilhões até 2035.

O banco vê fatores domésticos e internacionais convergindo para viabilizar mais investimentos em mineração. O Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI) é apontado como um dos principais agentes capazes de posicionar a Argentina como destino relevante para cobre e lítio. Segundo os analistas, o regime melhorou o marco de investimentos para projetos de longa duração, com mais previsibilidade e menos incertezas ligadas a políticas públicas. Entre os benefícios, estão alíquota reduzida de 25% de imposto corporativo e até 30 anos de estabilidade regulatória.

No front externo, o crescimento sustentado da demanda por cobre e lítio nos próximos anos pode favorecer o movimento. Mesmo com expectativas altas, o impacto direto esperado sobre as ações argentinas pode ser relativamente modesto. Com o aumento das exportações e da geração de moeda estrangeira, o banco espera alguma contribuição para reduzir os spreads soberanos, além de possível queda no custo de capital próprio e sustentação de valuations mais elevados nos ativos argentinos.

O efeito econômico pode se estender além da produção mineral. Projetos de grande escala costumam exigir investimentos em construção, logística, estradas, geração de energia, infraestrutura de transmissão e, em alguns casos, transporte ferroviário. Com a demanda por mão de obra e serviços, esses aportes podem gerar empregos diretos e indiretos em uma rede ampla de fornecedores locais.

Historicamente, a mineração teve papel limitado na economia argentina. Entre os fatores, o país divide fronteira com o Chile, hoje o maior produtor de cobre do mundo. Nessa fronteira de mais de 5,3 mil quilômetros, o banco destaca as províncias andinas como possíveis fontes cada vez mais importantes de investimentos, atividade econômica e crescimento das exportações nos próximos anos.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/mineracao-pode-virar-grande-pilar-argentina-8211-mas-impacto-limitado-bolsa/
