# Milton Leite é alvo de operação contra PCC no transporte de SP

> Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, é alvo de pedido de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, deflagrada em 17 de abril de 2025. A investigação apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista, envolvendo contratos públicos e agentes políticos.

*Mercado Valor · Economia · 17 de setembro de 2026 · Caetano Vidal*

Milton Leite, ex-presidente da Câmara de São Paulo, é um dos alvos do pedido de prisão temporária da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) para apurar infiltração do PCC no transporte coletivo da capital.

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União), de 67 anos, é um dos alvos do pedido de prisão temporária da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A investigação apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da capital paulista.

Por meio de comunicado, Leite afirmou que está viajando, mas que irá se apresentar às autoridades em até 24 horas. "Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações", declarou.

O nome de Leite já havia aparecido em apurações anteriores ligadas ao setor. Em 2024, a Transwolff, empresa de ônibus, foi alvo da Operação Fim da Linha, do Ministério Público, sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. O contrato da companhia com a Prefeitura de São Paulo foi cancelado. A empresa nega ligação com a facção.

Em fevereiro deste ano, um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar apontou possíveis conexões entre Leite e policiais presos por atuar na segurança de dirigentes da Transwolff. Uma mensagem enviada pelo sargento da reserva Nereu Aparecido Alves a um diretor da empresa fazia referência ao ex-vereador como "chefe Milton". A investigação também citou possíveis relações financeiras e políticas entre o ex-vereador e a companhia. Leite negou conhecer Nereu e afirmou que o policial nunca fez parte de sua escolta.

A Câmara Municipal informou que o capitão Alexandre Paulino Vieira, citado nas investigações como responsável por organizar a segurança dos empresários, havia trabalhado na Assessoria Policial Militar da Casa durante gestões de diferentes presidentes. Em agosto, o Ministério Público denunciou quatro policiais militares sob acusação de integrar uma organização criminosa que fazia a segurança de dirigentes, familiares e instalações da Transwolff. Segundo a denúncia, Alexandre Paulino Vieira era o principal elo do grupo. O documento não apontou a participação de Leite no esquema.

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que a intervenção determinada pela Prefeitura na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte. "Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou, por iniciativa própria, a intervenção na UPBus, mesmo sem qualquer solicitação da Justiça", informou em nota. A prefeitura acrescentou que abriu processo pela Controladoria Geral do Município contra a Transwolff e a UPBus e que colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo documentos e esclarecimentos.

Leite foi vereador por sete mandatos consecutivos e presidiu a Câmara Municipal por seis anos. Deixou a Casa ao final de 2024, após 28 anos no Legislativo. Em 2025, participou de articulações internas do União Brasil na capital e, no ano seguinte, assumiu a presidência estadual da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas. Para as eleições de 2026, tem apoiado a atuação política da família: Alexandre Leite e Milton Leite Filho buscam vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, respectivamente.

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