Mercado Livre (MELI34) abre estúdio de lives em SP
O Mercado Livre (MELI34) inaugurou um estúdio audiovisual na zona Oeste de São Paulo para vendedores, afiliados e criadores realizarem lives de venda. A iniciativa reforça a frente de social commerce, que registrou 208 vendas por minuto no Brasil no 2T26.
O Mercado Livre (MELI34) inaugurou um estúdio audiovisual na zona Oeste de São Paulo, em parceria com a Community Creators Academy e a California Content House. O Estúdio Mercado Livre é voltado para vendedores, afiliados e criadores da plataforma, que podem usar o espaço para aprimorar lives de venda de produtos do Meli. São nove locais independentes para transmissões, em 193 m², com estúdios individuais, um multiuso para podcasts e arquibancada para pequenos eventos. O acesso é feito por agendamento.
A estrutura reforça a frente de social commerce da companhia, estratégia que aproxima conteúdo, descoberta de produtos e compra dentro da própria plataforma. Na prática, criadores, afiliados e vendedores apresentam produtos em transmissões ao vivo, e o consumidor compra sem sair do aplicativo.
Renata Gerez, diretora de social commerce LATAM do Mercado Livre, afirma que o movimento começou há quatro anos, com a plataforma de vídeos curtos incorporada ao app. As lives, segundo ela, complementam a estratégia no segmento. "Nós compramos de uma forma completamente diferente hoje do que três anos atrás. A compra acontece muito mais por meio de conteúdo e não tanto de celebridades", disse a executiva em conversa com jornalistas.
Questionada pelo Money Times sobre o investimento na iniciativa, Gerez afirmou que a companhia não abre valores específicos, mas que o projeto está incluído nos R$ 57 bilhões em investimentos no Brasil anunciados no início deste ano. "É uma grande aposta e a gente acredita que vai ser muito importante para coroar tudo que a gente já vem fazendo", declarou ao Money Times.
A companhia não detalha quanto do total foi destinado ao estúdio, o que limita a leitura sobre retorno no curto prazo. O que se sabe é o desempenho da frente de criadores: o Programa de Afiliados e Criadores do Mercado Livre soma 9 milhões de inscritos na América Latina e registrou 208 vendas por minuto no Brasil no segundo trimestre de 2026.
Pesquisa de 2023 da Opinion Box em parceria com a All In mostrou que 72% das pessoas costumam consumir live commerce, e que 45% dos 28% que dizem adorar o canal compram produtos por lá. Desde então, o TikTok Shop ganhou espaço no mercado brasileiro ao integrar descoberta, conteúdo e compra no aplicativo de vídeos curtos.
Gerez disse que o Brasil tem demonstrado boa adesão ao formato na comparação com outros países da América Latina. "Como companhia, a gente quer continuar sendo um e-commerce mais relevante da América Latina e, sem dúvida, nos movimentar em relação ao social e-commerce é fundamental", afirmou.
O core do Mercado Livre segue no marketplace, mas a presença da companhia avança para entretenimento, moda e esportes. Em janeiro deste ano, anunciou a terceira edição do Meli Music, seu festival de música. Iuri Maia, diretor de estratégias de marca, disse à época que o intuito era tangibilizar a marca e explorar o território do entretenimento.
No segundo trimestre de 2026, o Mercado Livre reportou lucro líquido de US$ 466 milhões, acima dos US$ 433 milhões esperados por analistas consultados pela LSEG. A receita líquida atingiu US$ 10,2 bilhões, alta de 50%, a maior em quatro anos, superando a projeção de US$ 9,7 bilhões. O GMV cresceu 36% em base neutra de câmbio.
O Ebit somou US$ 683 milhões, queda de cerca de 17% na comparação anual, mas acima dos US$ 658 milhões projetados. A margem Ebit recuou para 6,7%, ante 12,2% um ano antes e 6,9% no primeiro trimestre. Os números vieram em linha com as expectativas, mas analistas chamaram atenção para o ritmo de recuperação das margens, ponto que o estúdio de lives ainda não endereça diretamente.