Economia

Fiemg defende retomada da taxa das blusinhas em meio a tarifaço dos EUA

ResumoA Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) defende a retomada da "taxa das blusinhas" sobre importações de até US$ 50. A entidade argumenta que a medida, revogada pela MP 1357/2026, é necessária para combater a concorrência desleal de produtos estrangeiros, especialmente chineses, e garantir isonomia competitiva diante do tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros.

Com o tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros, a Fiemg defende a retomada da 'taxa das blusinhas', revogada em maio pela MP 1357/2026. A entidade alerta para concorrência desleal com importados, especialmente chineses, e pede isonomia competitiva.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 27 de julho de 2026
Fiemg defende retomada da taxa das blusinhas em meio a tarifaço dos EUA

O tarifaço anunciado pelo governo americano atingiu em cheio parte dos produtos brasileiros e reacendeu o debate sobre a chamada 'taxa das blusinhas'. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) defende a retomada da tributação sobre importações de até US$ 50, que foi revogada desde maio pela Medida Provisória (MP) nº 1357, de 2026.

O que é a 'taxa das blusinhas' e por que ela voltou ao centro do debate?

A 'taxa das blusinhas' era a tributação incidente sobre compras internacionais de até US$ 50. A MP 1357/2026 a revogou, e a medida está vigente desde sua publicação. O Congresso Nacional tem até o início de setembro para analisar a MP; se aprovada, será convertida em lei definitivamente.

Por que a Fiemg defende a retomada?

Para a entidade mineira, a revogação amplia a concorrência com produtos importados em um momento de maior pressão sobre a indústria brasileira, que já enfrenta os impactos das tarifas impostas pelos EUA às exportações nacionais. A federação afirma que os reflexos já aparecem nos indicadores: em junho, as importações de produtos de baixo valor alcançaram R$ 2,6 bilhões, crescimento superior a 100% em relação ao mesmo mês de 2025.

Segundo o economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio, a revogação foi uma medida de 'caráter eleitoreiro' e ampliou a vulnerabilidade do setor produtivo. 'A indústria não busca protecionismo. O que se defende é isonomia nas condições de competição. Enquanto os produtos importados, especialmente os chineses, chegam ao Brasil sem enfrentar o chamado Custo Brasil, a indústria nacional continua arcando com uma elevada carga tributária e entraves estruturais', afirma.

O impacto duplo sobre a indústria

Na avaliação da federação, o cenário se torna ainda mais preocupante porque a indústria enfrenta dois movimentos simultâneos que comprometem sua competitividade. Ao mesmo tempo em que perde espaço no mercado norte-americano em razão do tarifaço, passa a conviver com uma concorrência ainda mais intensa no mercado interno. 'É uma combinação particularmente desfavorável, porque comprime a indústria tanto no mercado externo quanto no doméstico', destaca Pio.

Além da taxa: o que falta para a indústria competir?

O economista ressalta que, além da retomada da tributação sobre as importações de pequeno valor, o País precisa avançar em medidas estruturais para aumentar a competitividade da produção nacional. Entre elas, estão a redução do Custo Brasil, a melhoria da infraestrutura logística e energética, o equilíbrio fiscal e a ampliação do acesso ao crédito. 'O ideal é criar um ambiente econômico que permita uma competição equilibrada, reduzindo os custos enfrentados pela indústria brasileira', defende.

Perguntas Frequentes

O que é a 'taxa das blusinhas'?

É a tributação sobre importações de até US$ 50, que foi revogada pela MP 1357/2026. A Fiemg defende sua retomada.

Por que a Fiemg quer a volta da taxa?

Para garantir isonomia competitiva entre produtos importados e nacionais, especialmente em meio ao tarifaço dos EUA.

O que acontece se o Congresso não aprovar a MP?

A revogação continua vigente até o início de setembro. Se não for aprovada, a MP perde efeito.

Como o tarifaço dos EUA afeta a indústria brasileira?

Atinge exportações brasileiras e, combinado com a concorrência de importados, comprime a indústria nos mercados externo e interno.

Quais medidas estruturais a Fiemg defende?

Redução do Custo Brasil, melhoria da infraestrutura logística e energética, equilíbrio fiscal e ampliação do acesso ao crédito.

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