# Mário Frias nega irregularidades e chama PF de cortina de fumaça

> Mário Frias, deputado federal pelo PL de São Paulo, negou irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ligadas à produção do filme Dark Horse. Frias classificou a operação da Polícia Federal que investiga o caso como cortina de fumaça, reafirmando que não cometeu atos ilícitos na aplicação dos recursos públicos.

*Mercado Valor · Economia · 11 de setembro de 2026 · Rubens Athayde*

Deputado federal Mário Frias (PL-SP) classificou a operação da PF como cortina de fumaça e negou irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em emendas ligadas à produção do filme Dark Horse.

O deputado federal Mário Frias (PL-SP) classificou como cortina de fumaça a operação da Polícia Federal que cumpriu, nesta quinta-feira, um mandado de busca e apreensão em sua residência. Em vídeo publicado nas redes sociais, sua primeira manifestação pública após a ação, Frias negou irregularidades na destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares relacionadas a projetos que acabaram vinculados à produção do filme Dark Horse.

A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e cumpriu 49 mandados em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Além de Frias, a produtora Karina Gama está entre os principais alvos. A PF sustenta que um grupo formado por agentes públicos e privados teria usado contratos e documentos para dar aparência de regularidade à movimentação de recursos públicos destinados a projetos ligados ao filme.

## O que mudou no discurso do deputado

Frias afirmou que sua defesa pede há meses acesso ao inquérito e criticou ter tomado conhecimento das suspeitas pela imprensa. "Como é que pode se defender de alguma acusação sem ler? A gente descobre o que estão dizendo pelo jornal no mesmo dia em que a sua porta é arrombada", declarou.

Segundo o deputado, os R$ 2 milhões em emendas foram destinados a dois projetos, um esportivo e outro de letramento digital voltado a crianças, jovens e adolescentes. Ele ressaltou que a destinação é pública e pode ser consultada no Portal da Transparência.

O principal argumento para afastar sua responsabilidade foi o funcionamento das emendas. Frias disse que o dinheiro não passa pelas mãos do deputado e que cabe ao órgão executor aprovar o plano de trabalho e fiscalizar a prestação de contas. "Se há alguma nota que a CGU quer ver, isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição. Cortina de fumaça", afirmou.

A investigação apura suspeitas de desvio de recursos públicos, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa. De acordo com a PF, Frias destinou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecimento em Movimento (ICB), presidido por Karina Gama, também dona da Go Up, produtora da cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A PF também apontou uma transferência de R$ 645,4 mil do deputado à Go Up durante o período das filmagens.

Frias disse que pretende colaborar com a investigação e entregar os documentos solicitados. Afirmou ainda que manterá sua agenda eleitoral e o apoio a Flávio Bolsonaro (PL), candidato do partido à Presidência.

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