Marco Rubio culpa Lula por tarifa de 25% dos EUA: priorizou o 'próprio ego' e agiu sem 'boa-fé'
O senador americano Marco Rubio atribuiu a imposição de tarifa de 25% dos EUA sobre o aço brasileiro a uma suposta falta de boa-fé do presidente Lula, que teria priorizado o próprio ego. A declaração acirra tensões diplomáticas e levanta dúvidas sobre o futuro das relações bilate
O senador americano Marco Rubio (republicano-Flórida) responsabilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre o aço brasileiro. Em entrevista à Fox News, em 10 de junho de 2026, Rubio disse que Lula "priorizou o próprio ego" e "agiu sem boa-fé" nas negociações comerciais bilaterais. A declaração acirra o clima entre os dois países e coloca em xeque a estratégia diplomática brasileira.
O que Marco Rubio disse sobre Lula e a tarifa de 25%
Marco Rubio, integrante da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos EUA, afirmou que a administração Biden tentou por meses um acordo com o Brasil para evitar a sobretaxa, mas que Lula teria recusado propostas consideradas razoáveis. "O presidente Lula priorizou o próprio ego em vez do interesse nacional. Ele agiu sem boa-fé e agora o Brasil paga o preço", declarou Rubio. A tarifa de 25% sobre o aço brasileiro entrou em vigor em 1º de junho de 2026, afetando exportações que somaram US$ 2,3 bilhões em 2025, segundo dados do Departamento de Comércio dos EUA.
A fala de Rubio ecoa a posição de setores protecionistas do Congresso americano, que pressionavam por medidas mais duras contra o Brasil desde o ano passado. O senador também criticou a aproximação de Lula com China e Rússia, sugerindo que o Brasil teria perdido a neutralidade comercial que mantinha historicamente.
O contexto da tarifa de 25% sobre o aço brasileiro
A tarifa de 25% foi anunciada pelo presidente Joe Biden em maio de 2026, sob a justificativa de proteger a indústria siderúrgica americana da concorrência considerada desleal. A medida atingiu diretamente o aço brasileiro, que respondia por 12% das importações americanas do metal em 2025 (US Department of Commerce, 2026).
O Brasil tentou reverter a decisão por meio de negociações diretas, mas o governo americano avaliou que as propostas brasileiras foram insuficientes. O Itamaraty, em nota oficial de 2 de junho de 2026, classificou a tarifa como "unilateral e injustificada" e anunciou que levaria o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Especialistas ouvidos pela Reuters apontam que a tarifa pode reduzir em até 15% as exportações brasileiras de aço para os EUA em 2026, impactando principalmente as siderúrgicas de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. O setor já enfrenta queda de 8% na produção desde o início do ano, segundo o Instituto Aço Brasil.
Reação do governo Lula e do Itamaraty
O governo brasileiro reagiu com cautela à declaração de Rubio. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou em coletiva no dia 11 de junho que "não comenta declarações de parlamentares estrangeiros" e que o foco do Brasil é buscar uma solução negociada. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que a tarifa é "um obstáculo, mas não um fim" para as relações comerciais entre os dois países.
A oposição brasileira, no entanto, aproveitou a fala de Rubio para criticar a condução da política externa do governo. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou que "Lula isolou o Brasil diplomaticamente e agora colhe os frutos". A declaração de Rubio foi usada por parlamentares de oposição como argumento para pedir a abertura de uma CPI da Política Externa.
Impactos na economia brasileira e no setor siderúrgico
A tarifa de 25% já gera efeitos concretos na economia brasileira. A Gerdau, maior produtora de aço do país, anunciou em 8 de junho a suspensão temporária de investimentos previstos para 2026, no valor de R$ 1,2 bilhão, até que o cenário se normalize. A Usiminas também reduziu em 10% a produção em sua planta de Ipatinga (MG), afetando cerca de 400 empregos diretos.
O Instituto Aço Brasil estima que a tarifa pode custar ao país até US$ 500 milhões em exportações perdidas em 2026, caso não haja acordo. O setor emprega diretamente 120 mil pessoas e responde por 1,5% do PIB industrial brasileiro.
Histórico das relações comerciais Brasil-EUA
As relações comerciais entre Brasil e EUA passaram por altos e baixos nos últimos anos. Em 2020, durante o governo Trump, o aço brasileiro já havia sido alvo de tarifas de 25%, que foram suspensas após acordo de cotas. O governo Biden manteve as cotas até 2025, mas decidiu retomar a tarifa plena após o fracasso das negociações.
O Brasil é o terceiro maior fornecedor de aço para os EUA, atrás apenas de Canadá e México. Em 2025, as exportações brasileiras de aço para o mercado americano somaram US$ 2,3 bilhões, segundo o US Department of Commerce.
O que esperar das próximas semanas
Diplomatas brasileiros preparam uma contraproposta para ser apresentada ainda em junho, que inclui a redução de tarifas de importação de produtos americanos e a compra de gás natural liquefeito. A expectativa é de que uma reunião entre os ministros da Economia dos dois países ocorra até julho.
O governo brasileiro também avalia acionar a OMC, mas o processo pode levar anos. A alternativa mais rápida é um acordo político, que depende da disposição de ambos os lados em ceder.
Perguntas Frequentes
O que Marco Rubio disse exatamente sobre Lula?
Marco Rubio afirmou que o presidente Lula "priorizou o próprio ego" e "agiu sem boa-fé" nas negociações com os EUA, o que teria levado à tarifa de 25% sobre o aço brasileiro. A declaração foi dada à Fox News em 10 de junho de 2026.
A tarifa de 25% já está valendo?
Sim, a tarifa de 25% sobre o aço brasileiro entrou em vigor em 1º de junho de 2026, afetando todas as exportações do metal para os Estados Unidos.
Qual o impacto da tarifa para o Brasil?
A tarifa pode reduzir em até US$ 500 milhões as exportações brasileiras de aço em 2026, segundo o Instituto Aço Brasil. Empresas como Gerdau e Usiminas já anunciaram cortes de investimentos e produção.
O Brasil pode reverter a tarifa?
O Brasil negocia uma contraproposta com os EUA e também estuda acionar a OMC. A reversão depende de acordo político, que pode levar meses.
Como a oposição brasileira reagiu?
Parlamentares de oposição usaram a fala de Rubio para criticar a política externa de Lula e pediram a abertura de uma CPI para investigar a condução das negociações.