# Leilões de petróleo em outubro terão recorde de áreas em disputa

> A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou recorde de áreas em disputa nos leilões de outubro, com 13 blocos no pré-sal e 22 setores na concessão. O número total de 35 áreas supera edições anteriores, ampliando a oferta para empresas do setor. A medida tende a aumentar a concorrência e, potencialmente, impactar a produção futura de petróleo no Brasil.

*Mercado Valor · Economia · 07 de agosto de 2026 · Bianca Solano*

A ANP confirmou que os leilões de petróleo de outubro terão número recorde de áreas em disputa. São 13 blocos no pré-sal e 22 setores na concessão. Entenda o que muda para o setor e para o consumidor.

## Leilões de petróleo em outubro terão recorde de áreas em disputa

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou nesta quinta-feira (6) que as licitações de exploração de petróleo marcadas para outubro terão número recorde de áreas em disputa. Dois certames estão agendados para 7 de outubro, com 13 blocos no pré-sal e 22 setores na concessão. A relação completa foi publicada no Diário Oficial da União.

## Recorde de áreas: o que está em jogo em outubro

Os leilões de outubro serão divididos em duas frentes. O 4º Ciclo de Partilha, que abrange áreas do pré-sal, vai ofertar 13 blocos. Já o 6º Ciclo de Concessão, destinado às demais áreas de exploração, terá 22 setores em disputa. É o maior número de áreas já colocado em oferta pela ANP em um mesmo período.

Somando os dois ciclos, são 35 áreas que podem receber investimentos bilionários. A ANP explica que foram incluídos setores ou blocos que receberam declaração de interesse de pelo menos uma empresa de petróleo, desde que a companhia também tenha manifestado garantia de oferta.

## Quem está interessado: números da participação

Até o momento, os 22 setores do leilão de concessão receberam declaração de interesse com garantia de oferta de 12 empresas. Já os 13 blocos do leilão de partilha têm a manifestação de seis empresas.

Esses números podem crescer. A ANP informa que, até 31 de agosto, empresas que ainda não tenham declarado interesse, ou que já tenham feito isso, podem demonstrar interesse em outros setores ou blocos, ampliando a participação nos leilões.

Quem não cumprir esse procedimento até o fim do prazo ainda pode participar da disputa por meio de consórcio com empresas que se habilitaram. Ou seja, a janela de participação continua aberta para novas interessadas.

## Como funcionam os dois modelos de leilão

Para entender o impacto desses leilões, é preciso diferenciar os dois regimes que regem as áreas. O pré-sal, descoberto há 20 anos, mostrou-se tão significativo para o potencial de produção brasileiro que levou o governo a mudar, em 2010, o regime que autorizava as empresas a explorar a riqueza submersa.

### Partilha de produção: o modelo do pré-sal

Nas áreas de pré-sal vigora o regime de partilha. Nesse modelo, a produção de óleo excedente, que é o saldo após pagamento dos custos, é dividida entre a empresa e a União. Quando ocorre leilão em uma área, a companhia vencedora é aquela que oferece a maior parcela do óleo à União.

### Concessão: o modelo tradicional

O modelo de concessão, válido nos demais blocos de óleo e gás, funciona de outra forma. No modelo tradicional, o risco de investir e encontrar, ou não, petróleo é da concessionária, que se torna dona de todo o óleo e gás que venham a ser descobertos.

Em contrapartida, além do bônus de assinatura ao arrematar o leilão, a petrolífera paga royalties e participação especial, no caso de campos de grande produção, ao governo.

## O papel da PPSA e a produção do pré-sal

Junto com o modelo de partilha, foi criada uma estatal, a Pré-Sal Petróleo (PPSA), sediada no Rio de Janeiro e vinculada ao Ministério de Minas e Energia. A PPSA representa a União no recebimento das receitas e vende o petróleo entregue pelas petroleiras à União.

O Polígono do Pré-Sal, no litoral do Sudeste, concentra os principais campos de produção do país. Em junho de 2026, dado mais recente da ANP, os campos do pré-sal, sob uma espessa camada de sal que pode chegar a 7 mil metros de profundidade, responderam por 82% da produção nacional de petróleo e gás.

## Histórico recente: o que os leilões anteriores mostram

Os números dos leilões passados ajudam a dimensionar o que está em jogo. Em outubro do ano passado, o 3º Ciclo da Oferta de Partilha terminou com cinco dos sete blocos em disputa arrematados. Na ocasião, os bônus de assinatura chegaram a quase 104 bilhões, com previsão de investimento mínimo na fase de exploração de R$ 451,5 milhões.

O leilão do 5º Ciclo da Oferta de Concessão ocorreu em junho de 2025, com assinatura de 34 contratos de concessão de blocos. A arrecadação de bônus de assinatura foi de cerca de R$ 989 milhões, com investimentos mínimos estimados em R$ 1,5 bilhão na fase de exploração.

Esses valores mostram a relevância econômica dos leilões para o país. A arrecadação com bônus e os investimentos futuros têm impacto direto na indústria de óleo e gás e, indiretamente, na economia como um todo.

## O que isso significa para o mercado e para o consumidor

A disputa por um número recorde de áreas sinaliza o interesse das petroleiras no potencial brasileiro. Para o mercado, mais áreas em oferta significam mais oportunidades de investimento e possível aumento da concorrência. Para o consumidor, o efeito tende a ser indireto, mas relevante: uma produção maior pode ajudar a garantir o abastecimento e influenciar os preços dos derivados no longo prazo.

O prazo de 31 de agosto é o próximo marco. Até lá, novas empresas podem manifestar interesse, o que pode ampliar ainda mais a participação nos leilões de outubro. A ANP segue como a organizadora dos certames, e o Diário Oficial da União já publicou a relação completa das áreas.

## Perguntas Frequentes

### Quando serão os leilões de petróleo de outubro?

Os dois certames estão marcados para 7 de outubro. O 4º Ciclo de Partilha oferta 13 blocos do pré-sal, e o 6º Ciclo de Concessão coloca 22 setores em disputa.

### Quantas áreas serão ofertadas no total?

Somando os dois ciclos, são 35 áreas em disputa, o que representa um recorde, segundo a ANP.

### Até quando as empresas podem manifestar interesse?

Até 31 de agosto. Empresas que não cumprirem o prazo podem participar por meio de consórcio com empresas habilitadas.

### Qual a diferença entre partilha e concessão?

Na partilha, usada no pré-sal, a produção excedente é dividida entre a empresa e a União. Na concessão, a empresa assume o risco e fica com todo o óleo e gás descobertos.

### O que é a PPSA?

A Pré-Sal Petróleo (PPSA) é uma estatal sediada no Rio de Janeiro, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, que representa a União no recebimento das receitas do pré-sal.

como a produção de petróleo afeta o preço dos combustíveis entenda o regime de partilha de produção no Brasil o que é o Polígono do Pré-Sal

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/leiloes-petroleo-outubro-terao-recorde-areas-disputa-2/
