Economia

Irã rejeita proposta de Omã para administrar Estreito de Ormuz: entenda

ResumoO Irã rejeitou a proposta de Omã para administração conjunta regional do Estreito de Ormuz. A alta autoridade iraniana informou à Reuters que o plano, apoiado por países do Golfo e com taxas voluntárias de navios, não tinha chances de sucesso. Teerã mantém controle estratégico sobre a via marítima crucial para o comércio global de petróleo.

O Irã rejeitou a proposta de Omã para uma gestão conjunta regional do Estreito de Ormuz, informou uma alta autoridade iraniana à Reuters. O plano, apoiado por países do Golfo, previa taxas voluntárias de navios, mas Teerã afirmou que a medida não tinha chances de sucesso. A decis

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 29 de julho de 2026
Irã rejeita proposta de Omã para administrar Estreito de Ormuz: entenda

Irã rejeita proposta de Omã para administrar Estreito de Ormuz: entenda o impasse

O Irã rejeitou a proposta de Omã para uma gestão conjunta regional do Estreito de Ormuz, informou uma alta autoridade iraniana à Reuters nesta quarta-feira. A decisão frustra as esperanças de uma solução para o impasse que vem obstruindo o comércio do Golfo há meses. O estreito é uma via navegável estratégica por onde circulava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes de os EUA e Israel atacarem o Irã em fevereiro.

O que propôs Omã?

Omã apresentou ao Irã um plano apoiado pelos países do Golfo para administrar a via navegável, que incluiria a cobrança de taxas voluntárias dos navios, informaram à Reuters uma fonte do Golfo e um diplomata ocidental. De acordo com a proposta, o Irã não exerceria controle exclusivo e as taxas seriam voluntárias. O sistema seria análogo ao em vigor no Estreito de Malaca, na Ásia, onde Indonésia, Malásia e Cingapura solicitam contribuições voluntárias para financiar navegação, proteção ambiental e operações de busca e resgate.

Por que o Irã recusou?

Teerã descartou a proposta afirmando que a medida não tinha chances de ser bem-sucedida. Uma alta autoridade iraniana disse à Reuters que os EUA e a Arábia Saudita estão tentando pressionar Omã para levar adiante seus "planos irrealistas" em relação ao estreito. O Irã insistiu que toda a rota de entrada pelo estreito e parte da rota de saída devem estar sob controle iraniano. Um acordo de controle conjunto com Omã não atenderia aos interesses do Irã, embora Teerã considere Omã um vizinho valioso, acrescentou a autoridade.

Como está a situação no estreito?

A Guarda Revolucionária Iraniana informou na quarta-feira que suas forças atacaram três petroleiros no estreito e os forçaram a parar depois que eles ignoraram avisos por seguirem uma "rota insegura e ilegal". A Marinha da Guarda declarou em comunicado que continuava mantendo controle total sobre a via navegável estratégica e advertiu que a "interferência militar ilegal dos EUA" e as instruções às embarcações na região não ficariam sem resposta. A Reuters não conseguiu verificar imediatamente a versão da Guarda Revolucionária.

Os preços do petróleo subiam mais de US$ 3 por barril na quarta-feira, à medida que os ataques se intensificaram mais uma vez.

Escalada de ataques na região

Os EUA e a Arábia Saudita lançaram ataques contra grupos apoiados pelo Irã no Iraque na quarta-feira, alegando que eles eram responsáveis por ataques com drones a instalações petrolíferas sauditas. O Irã alertou que culpá-lo por tais ataques seria um "grande erro de cálculo".

Os ataques dos EUA e da Arábia Saudita no leste do Iraque ocorreram poucas horas depois que as Forças Armadas dos EUA informaram que suas defesas aéreas haviam evitado um ataque surpresa do Irã contra tropas americanas na região. A Guarda Revolucionária afirmou na quarta-feira ter disparado vários mísseis balísticos contra instalações militares americanas na Jordânia.

As Forças Armadas da Jordânia informaram que suas defesas aéreas interceptaram e abateram cinco mísseis iranianos que tinham como alvo o reino na quarta-feira.

Histórico recente do conflito

Os ataques recíprocos dos últimos dias puseram fim a uma breve pausa nos combates, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, interrompeu abruptamente uma campanha de bombardeios de duas semanas e o Irã pareceu seguir o mesmo caminho.

O Irã fechou efetivamente o estreito depois que os EUA e Israel atacaram o país em 28 de fevereiro. Um acordo firmado no mês passado entre os EUA e o Irã reabriu parcialmente o estreito, com negociações futuras planejadas para resolver questões mais amplas, incluindo o programa nuclear iraniano. Mas o acordo fracassou no início de julho, depois que o Irã disparou contra embarcações que utilizavam um canal de navegação que o país não reconhece.

Reação da Arábia Saudita

A Arábia Saudita informou na terça-feira que suas defesas aéreas destruíram vários drones que tinham como alvo instalações petrolíferas na Província Oriental do reino. Milícias apoiadas pelo Irã lançaram os ataques a partir de território iraquiano, disse o porta-voz do Ministério da Defesa saudita, Turki al-Maliki.

Mais tarde, o Comando Central dos EUA e o Ministério da Defesa da Arábia Saudita informaram que os dois países atacaram vários locais no leste do Iraque que, segundo eles, haviam sido usados pelo Irã para comandar ataques com drones. As Forças de Mobilização Popular do Iraque afirmaram que várias de suas sedes oficiais em diferentes partes do Iraque foram atacadas na quarta-feira pelo que descreveram como forças dos EUA e da Arábia Saudita. O grupo disse que relatórios preliminares indicavam que várias pessoas foram mortas e outras ficaram feridas, além de danos a vários de seus prédios e instalações.

Em entrevista à TV estatal do Irã, uma autoridade da Defesa iraniana negou veementemente qualquer conexão entre projéteis disparados de outros países contra alvos sauditas. O oficial militar não identificado, citado pela emissora estatal IRIB, disse que atribuir ao Irã os ataques contra interesses dos EUA na região era um "grande erro de cálculo".

Perguntas Frequentes

O que é o Estreito de Ormuz?

É uma via navegável estratégica no Golfo Pérsico por onde circulava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes dos ataques de fevereiro.

Qual foi a proposta de Omã?

Omã propôs um acordo regional para administrar o estreito com taxas voluntárias de navios, sem controle exclusivo do Irã, similar ao sistema do Estreito de Malaca.

Por que o Irã rejeitou a proposta?

Teerã afirmou que a medida não tinha chances de sucesso e que toda a rota de entrada e parte da saída devem estar sob controle iraniano.

O que aconteceu com o acordo anterior entre EUA e Irã?

Um acordo firmado no mês passado reabriu parcialmente o estreito, mas fracassou no início de julho após o Irã disparar contra embarcações em um canal que não reconhece.

Como os ataques recentes afetam o petróleo?

Os preços do petróleo subiam mais de US$ 3 por barril na quarta-feira com a intensificação dos ataques na região.

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