# IPCA em agosto: deflação à vista, alívio pode ser curto

> O IPCA deve registrar deflação em agosto de 2025, com projeções entre 0,26% e 0,31% de recuo, impulsionado pela queda nas contas de luz. O alívio tende a ser temporário, pois serviços e alimentos seguem pressionando o índice, mantendo risco de retomada da inflação nos próximos meses.

*Mercado Valor · Economia · 10 de setembro de 2026 · Rubens Athayde*

Queda nas contas de luz deve levar o IPCA a deflação em agosto, com projeções entre 0,31% e 0,26% de recuo. Alívio, porém, pode ser temporário: serviços e alimentos ainda pressionam o índice.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve registrar deflação em agosto, puxado principalmente pela queda nas contas de luz. O dado será divulgado nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As projeções de Daycoval, Santander e UBS variam entre queda de 0,31% e 0,26%, com média de deflação de 0,28%.

O principal vetor de queda deve ser a energia elétrica residencial, beneficiada pelos descontos temporários decorrentes do bônus de Itaipu. O movimento já havia aparecido no IPCA-15 de agosto, que recuou 0,40%.

Em julho, o IPCA avançou 0,07%, acumulando alta de 4,39% em 12 meses, abaixo do esperado. O resultado veio após meses de pressão: em junho, a variação mensal foi de 0,16%, e em maio, de 0,58%.

## O que puxa a deflação e o que ainda preocupa

O Daycoval, que prevê deflação de 0,31%, também espera contribuições negativas dos alimentos, especialmente dos produtos in natura, além das passagens aéreas, da gasolina e do etanol. "Os preços dos alimentos devem se manter em terreno deflacionário, sobretudo pela queda sazonal dos itens in natura", afirma o banco. A instituição ressalta, porém, que esse comportamento benigno já vem perdendo força.

Com isso, o Daycoval projeta que a inflação acumulada em 12 meses desacelere de 4,4% para 4,2%. O UBS trabalha com uma leitura um pouco mais alta, de 4,27%, após queda mensal de 0,28%.

Apesar do número negativo esperado, parte do alívio deve ser temporária. O desconto nas contas de luz não representa uma redução permanente das pressões inflacionárias, enquanto a queda dos alimentos pode perder força nos próximos meses. O Daycoval prevê que os preços da alimentação voltem a acelerar a partir do último trimestre e alerta para o risco de um evento climático adverso intenso, como o El Niño, afetar os preços no segundo semestre. A projeção do banco para o IPCA ao final de 2026 é de 5%.

A maior atenção, porém, estará nos serviços. O Santander espera que os núcleos permaneçam estáveis, em linha com a melhora observada nas últimas divulgações. Já o Daycoval adota leitura mais cautelosa: prevê leve aceleração dos serviços, com pressão dos itens mais sensíveis à atividade econômica, apesar do alívio vindo das passagens aéreas. Para a instituição, os serviços subjacentes devem registrar "alta importante", com destaque para os serviços automotivos, e interromper a trajetória de arrefecimento, "configurando desafio relevante para o Banco Central".

Assim, embora a deflação de agosto reforce o processo de desinflação no curto prazo, a composição do indicador será mais importante do que o número cheio. Uma nova melhora dos núcleos e dos serviços fortaleceria uma leitura mais favorável para os preços. Caso essas medidas continuem pressionadas, o resultado negativo pode ser interpretado apenas como um alívio pontual.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/ipca-deve-registrar-deflacao-agosto-mas-alivio-pode-ser-temporario-veja-esperar/
