# Inflação surpreende e reforça aposta em corte da Selic; o que esperar do Copom

> A prévia da inflação de julho, abaixo do esperado, fortaleceu a aposta do mercado em um novo corte da Selic pelo Copom. Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, projeta a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário, com impacto direto na rentabilidade de investimentos em renda fixa e na economia real.

*Mercado Valor · Economia · 28 de julho de 2026 · Lia Hartmann*

A prévia da inflação de julho surpreendeu o mercado e fortaleceu a aposta em um novo corte da Selic. Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, analisa o cenário e projeta os próximos passos do Copom. Saiba o que esperar para os juros e como isso impacta o bolso do investidor

A prévia da inflação de julho surpreendeu o mercado e abriu caminho para novos cortes na Selic, ainda que o Banco Central deva pisar no freio da cautela. Em entrevista ao Giro do Mercado, do Money Times, a economista-chefe da Lifetime, Marcela Kawauti, analisou o cenário e projetou os próximos passos do Copom.

O resultado veio muito abaixo das projeções dos analistas, o que dá mais conforto para o BC manter a flexibilização monetária sem renunciar à prudência. A Selic meta está em 14,25% desde o início de agosto, e a expectativa agora é de um novo corte.

## Por que a inflação de julho surpreendeu?

A desaceleração da inflação foi maior do que o esperado, puxada principalmente pela queda mais intensa dos preços dos alimentos. "Quando esse grupo cai, ele puxa outros grupos da economia para baixo, como itens de bens finais", explicou Kawauti.

O movimento reduziu o índice e fortaleceu o argumento para um corte na Selic na próxima reunião do Copom. Em junho, o IPCA variou 0,16%, bem abaixo dos 0,58% de maio e dos 0,67% de abril.

Essa trajetória de desaceleração dá fôlego para o BC agir, mas a economista alerta: o Copom não deve acelerar o ritmo de redução dos juros.

## Qual a projeção da Lifetime para a Selic?

A Lifetime projeta um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em agosto, iniciando um ciclo gradual de redução dos juros. "Nossa projeção para a Selic é de 13,5% a 13,75% ao final do ano. Existe um grande espaço para cortes na reunião de agosto, mas em 0,25 p.p. Não deve ser mais do que isso", esclareceu Kawauti.

Isso significa que, mesmo com a inflação cedendo, o Banco Central não vai se apressar. A prudência continua sendo a palavra de ordem.

### O que esperar das próximas reuniões do Copom?

A continuidade do movimento de cortes depende da evolução do cenário externo, especialmente da guerra no Oriente Médio. Kawauti avalia que, se as negociações em curso resultarem em maior estabilidade, com redução dos riscos para o petróleo e a abertura do estreito de Ormuz, o BC poderá ganhar mais confiança para seguir reduzindo os juros nas reuniões seguintes.

"Ainda há espaços para cortes, mas o BC ainda enfrenta muita incerteza vinda do lado da guerra e da pressão doméstica em relação à inflação", reiterou a economista.

## Como a inflação e a Selic afetam seus investimentos?

Para o investidor, cada movimento da Selic tem impacto direto na rentabilidade da renda fixa. Com a taxa ainda em 14,25%, os títulos pós-fixados continuam atrativos no curto prazo. Mas, com a perspectiva de cortes graduais, quem pensa em alongar o prazo precisa ficar de olho.

- Tesouro Selic: continua rendendo bem enquanto a taxa não cai. Ideal para reserva de emergência.
- Tesouro Prefixado: com a Selic em trajetória de queda, as taxas atuais podem ser interessantes para travar um retorno.
- CDBs e LCIs/LCAs: pós-fixados acompanham a Selic; pré-fixados podem se beneficiar se o corte vier mais forte.

A dica da especialista é não se precipitar. Acompanhe as decisões do Copom e ajuste a carteira conforme o cenário se desenha.

## Inflação baixa é sempre boa?

Nem sempre. Uma inflação muito baixa pode indicar fraqueza na economia. No caso atual, a desaceleração veio principalmente dos alimentos, o que alivia o bolso do consumidor, mas não reflete necessariamente uma demanda aquecida.

O BC precisa equilibrar: cortar juros para estimular a economia, mas sem reacender a inflação. É um jogo de xadrez que exige paciência.

## O que o mercado espera para o PIB e o emprego?

Com juros mais baixos, o crédito tende a ficar mais barato, o que pode aquecer o consumo e os investimentos das empresas. Isso, por sua vez, gera empregos e renda. Mas o efeito não é imediato, leva meses para aparecer nos indicadores.

Por enquanto, o mercado monitora de perto os dados de atividade econômica e o mercado de trabalho para calibrar as expectativas.

## Perguntas Frequentes

### O que é a prévia da inflação de julho?

É o indicador que antecipa o resultado oficial do IPCA do mês, calculado pelo IBGE. Em julho, veio abaixo das projeções dos analistas, o que fortaleceu a aposta em corte da Selic.

### Quando será a próxima reunião do Copom?

O Copom se reúne a cada 45 dias. A próxima reunião está prevista para agosto, quando a Lifetime projeta um corte de 0,25 ponto percentual na Selic.

### Qual a projeção da Lifetime para a Selic no fim de 2026?

A Lifetime projeta a Selic entre 13,5% e 13,75% ao final do ano, com cortes graduais ao longo do segundo semestre.

### Como a guerra no Oriente Médio afeta a Selic?

A guerra eleva a incerteza sobre o preço do petróleo e o cenário externo. Se houver estabilização, o BC ganha mais confiança para cortar os juros. Caso contrário, a cautela prevalece.

### O que é o estreito de Ormuz?

É uma passagem marítima estratégica por onde passa grande parte do petróleo mundial. A abertura ou fechamento do estreito afeta diretamente os preços da commodity e, por consequência, a inflação global.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/inflacao-surpreende-reforca-aposta-corte-selic-veja-esperar-copom-segundo-lifeti/
