Infantino desiste de plano de investimento privado na Fifa
A Fifa desistiu da Fifa Forward Enterprise, empresa que receberia investimento privado, após ameaça de boicote da Uefa. O plano previa US$ 4,2 bilhões e envolvia Joshua Kushner.
Infantino desiste de plano para investimentos privados na Fifa após ameaça de boicote
A Fifa desistiu da criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa vinculada à entidade que receberia investimento privado. A decisão veio depois de repercussão negativa do plano, incluindo ameaça de boicote às competições por parte da Uefa. O anúncio foi feito em comunicado atribuído ao presidente Gianni Infantino.
A FFE foi apresentada como forma de venda de ações a sócios minoritários, que teriam até 20% das participações. A ideia era arrecadar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,3 bilhões, na cotação atual), número calculado sobre um valor estimado da subsidiária de 20 bilhões de dólares (R$ 101,5 bilhões).
Por que a Fifa recuou do projeto FFE
A pressão veio de várias frentes. Desde terça-feira, a entidade lida com uma crise gerada pelo anúncio do plano, que pegou de surpresa a comunidade do futebol. A reação foi de rejeição imediata da Uefa. Concacaf (América do Norte, Central e Caribe) e AFC (Ásia) se juntaram aos europeus, enquanto a OFC (Oceânia) e Conmebol (América do Sul) foram mais brandas.
O comunicado atribuído a Infantino diz: "Após ouvir atentamente todas as opiniões, tornou-se claro que o projeto criou divisões de uma natureza que, independentemente do nível de apoio, não estão mais no interesse do objetivo estabelecido em primeiro lugar".
A Fifa também reiterou que a intenção era de "fornecer uma base para fortalecer ainda mais as associações-membro" e que o projeto só seria efetivado se houvesse aprovação da maioria.
Quem é Joshua Kushner e qual sua ligação com o plano
O que parecia somente um projeto de capitalização das associações nacionais de futebol, na realidade, conecta uma família, o presidente da maior democracia do mundo e a entidade que comanda o esporte com mais seguidores no planeta. Donald Trump está no centro de uma rede que liga Gianni Infantino a Joshua Kushner.
Kushner é o empresário por trás da Thrive Eternal, holding que havia sido indicada pela Fifa para liderar um grupo de investidores interessados em aportar o equivalente a R$ 21,4 bilhões somente em 2026 em uma subsidiária que ostentaria em seu portfólio todas as competições masculinas, femininas e juvenis.
O projeto previa que direitos comerciais da Copa fossem comercializados por fundo controlado por genro do presidente dos EUA.
O contexto financeiro da Fifa: do rombo ao recorde
O cenário atual é bem diferente de quando Infantino assumiu, em 2016. Na época, o rombo nas contas da Fifa era de US$ 550 milhões em 2016 (R$ 1,9 bilhão, na época). A entidade havia registrado déficit pela primeira vez em 15 anos, com prejuízo de US$ 102 milhões (R$ 330 milhões, na época).
O projeto da FFE veio depois da maior Copa da história, com 48 seleções, o que era uma promessa de campanha de Infantino. O torneio ajudou a Fifa a alcançar um recorde financeiro de US$ 13 bilhões (R$ 66 bilhões) de faturamento no ciclo 2023-2026.
O que diz o comunicado de Infantino na íntegra
O texto atribuído a Infantino é claro sobre o recuo. "Nosso propósito sempre foi - e sempre será - unir e melhorar. Em consequência, esta proposta não prosseguirá", afirma um trecho.
Infantino também indicou que irá debater o assunto com associações. "Adiante, minha intenção é reunir todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas no espírito de interesse compartilhado em nosso jogo", garantiu.
O comunicado ainda reforça que o projeto tinha a intenção de "fornecer uma base para fortalecer ainda mais nossas Associações Membro da FIFA e nosso esporte em todo o mundo, especialmente naqueles países onde o apoio é mais necessário". E que só seria feito "se uma maioria das Associações Membro da FIFA estivesse a favor e sempre sujeito a um processo de consulta com elas, o Conselho da FIFA, as Confederações e os demais interessados".
O que muda para o futebol e para os investidores
A desistência do projeto FFE representa uma vitória da pressão institucional sobre um plano ambicioso de capitalização. Para as associações nacionais, o recuo significa que o aporte bilionário previsto não virá por esse caminho, ao menos por ora.
Para investidores, o episódio sinaliza o risco político e reputacional de operações que envolvem a Fifa. A ameaça de boicote da Uefa foi o ponto de inflexão, mostrando que a governança da entidade segue sensível a pressões externas.
O episódio também expõe a complexa rede de interesses que cerca o futebol global, envolvendo nomes ligados à política americana. A relação entre Infantino e Kushner, ainda que indireta, coloca a Fifa em uma posição delicada diante de sua base de associações.
Perguntas Frequentes
Por que a Fifa desistiu da Fifa Forward Enterprise?
A Fifa desistiu após repercussão negativa e ameaça de boicote da Uefa. O comunicado atribuído a Infantino afirma que o projeto criou divisões que não estão mais no interesse do objetivo inicial.
O que era a Fifa Forward Enterprise?
A FFE era uma empresa vinculada à Fifa que receberia investimento privado, com venda de até 20% das participações a sócios minoritários. A ideia era arrecadar US$ 4,2 bilhões.
Quem é Joshua Kushner e qual sua relação com o plano?
Joshua Kushner é o empresário por trás da Thrive Eternal, holding indicada pela Fifa para liderar um grupo de investidores. Ele é genro do presidente dos EUA, Donald Trump.
Qual foi o papel da Uefa na desistência?
A Uefa ameaçou boicotar competições, o que gerou rejeição imediata ao plano. Concacaf e AFC se juntaram aos europeus, enquanto OFC e Conmebol foram mais brandas.
O que acontece agora com o projeto?
A proposta não prosseguirá. Infantino afirmou que pretende reunir todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas para discutir o assunto.