# Ilha paradisíaca da Califórnia eliminará 2 mil cervos para evitar incêndios

> A Ilha Catalina, na costa da Califórnia, planeja eliminar cerca de 2.000 cervos-mula para reduzir riscos de incêndios e restaurar ecossistemas nativos. A primeira fase do abate, com 200 animais, ocorre até o fim de outubro. A medida visa controlar a vegetação seca que alimenta queimadas na região.

*Mercado Valor · Economia · 02 de setembro de 2026 · Caetano Vidal*

A Ilha Catalina, na costa da Califórnia, decidiu eliminar quase toda a população de cerca de 2.000 cervos-mula para reduzir o risco de incêndios e restaurar ecossistemas. A primeira fase abaterá 200 animais até o fim de outubro.

A Ilha Catalina, destino turístico paradisíaco na costa da Califórnia, nos EUA, decidiu eliminar quase toda a população de cerca de 2.000 cervos-mula que vive no local. A medida, anunciada nesta terça-feira (1º) pela Catalina Island Conservancy, organização sem fins lucrativos que detém 88% da ilha, tem como objetivo restaurar os ecossistemas naturais e reduzir o risco de incêndios na área de aproximadamente 194 quilômetros quadrados.

A decisão ocorre após um juiz do Condado de Los Angeles negar, em decisão preliminar, um pedido de liminar apresentado por opositores do plano. Com isso, a entidade informou que seguirá adiante com a eliminação dos primeiros 200 cervos entre agora e o fim de outubro. A decisão final sobre a liminar deve ser divulgada dentro de 90 dias.

Os cervos-mula não são nativos de Catalina. Segundo cientistas, o hábito de se alimentar de plantas nativas resistentes ao fogo está tornando a ilha particularmente vulnerável a incêndios catastróficos, como o que devastou grande parte de Maui em 2023. A proposta, no entanto, enfrentou forte reação. Uma coalizão formada por defensores dos animais, moradores e caçadores processou a entidade e o Estado da Califórnia para impedir a execução do projeto.

"Nunca foi nossa primeira escolha", disse Pepe Barton, porta-voz da entidade. "Mas precisamos proteger a ilha da melhor forma possível."

Catalina, oficialmente chamada Ilha Santa Catalina, é uma das oito Ilhas do Canal (Channel Islands). Enquanto cinco das ilhas formam um remoto parque nacional, Catalina tornou-se um destino turístico famoso, impulsionado pelas estrelas da Hollywood clássica na década de 1920. O relevo da ilha era considerado ideal para caça, e algumas dezenas de cervos-mula foram introduzidos a partir de florestas da Califórnia há quase um século. Hoje, seus descendentes consomem grande parte da vegetação nativa, permitindo que ela seja substituída por gramíneas altamente inflamáveis, explicou Anna Jacobsen, professora de ecologia vegetal da Universidade Estadual da Califórnia em Bakersfield.

Esses incêndios ameaçam todo o restante do ecossistema de Catalina, incluindo cerca de 60 espécies de plantas e animais que não existem em nenhum outro lugar do planeta. Janice Hahn, supervisora do Condado de Los Angeles que representa a ilha, pediu ao governador Gavin Newsom na segunda-feira que interviesse e revogasse a licença concedida à entidade pelo Departamento de Pesca e Vida Selvagem da Califórnia.

"Erradicar uma população inteira de animais que faz parte da paisagem de Catalina há quase um século é uma resposta extrema e desnecessária", afirmou Hahn na carta. "Uma vez que eles se forem, terão desaparecido para sempre."

Embora a eliminação dos cervos possa parecer extrema, projetos desse tipo são relativamente comuns na conservação ambiental e já foram realizados em todas as demais Ilhas do Canal. Em todo o mundo, mais de mil operações de erradicação de cavalos, gatos, alces e outros mamíferos invasores ocorreram em ilhas para fortalecer ecossistemas frágeis.

Em Catalina, seria praticamente impossível capturar milhares de cervos e esterilizá-los. Transferir os animais para outra área também dificilmente funcionaria: segundo a entidade, quando cervos foram removidos da Ilha Angel, na Baía de São Francisco, 85% morreram no primeiro ano devido ao estresse, doenças e incapacidade de adaptação.

Diante desse cenário, a entidade concluiu que o abate é a melhor alternativa. O plano original, apresentado em 2023, previa a eliminação de todos os cervos em sete semanas, com atiradores de elite utilizando helicópteros. Após as críticas, a estratégia foi suavizada: o processo será distribuído ao longo de pelo menos cinco anos. Neste mês e no próximo, cientistas testarão métodos para atrair os cervos a pontos de água e alimentação com milho triturado. Em seguida, cerca de 200 animais serão abatidos com rifles, segundo documentos judiciais.

A entidade também pretende permitir uma última oportunidade para que moradores da ilha participem da caça entre outubro e dezembro. A carne será destinada ao programa de conservação do condor-da-Califórnia ou a parceiros indígenas. Alguns cervos que vivem em Avalon, cidade de cerca de 3.300 habitantes, serão esterilizados em vez de abatidos.

"Compreendemos a gravidade dessa decisão, mas veremos em nossa geração uma ilha mais resiliente contra incêndios florestais e mais resistente às mudanças climáticas", disse Barton.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/ilha-paradisiaca-california-decide-eliminar-2-mil-cervos-evitar-incendios/
