IGP-10 cai 1,13% em julho: petróleo puxa deflação
O IGP-10 caiu 1,13% em julho, influenciado pela baixa do petróleo. A deflação surpreende e alivia contratos atrelados ao índice, como aluguéis e tarifas. Entenda os motivos e como se preparar.
IGP-10 registra queda de 1,13% em julho impulsionada pela baixa do petróleo
O Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) caiu 1,13% em julho de 2026, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). O principal motor do recuo foi a desaceleração dos preços do petróleo no atacado, que recuaram 8,5% no período. A deflação surpreende analistas e traz alívio para contratos atrelados ao índice, como aluguéis e tarifas de energia. Mas o que isso significa na prática para o seu bolso?
Entenda por que o IGP-10 caiu 1,13% em julho
A queda de 1,13% no IGP-10 de julho foi puxada pelo IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que responde por 60% do índice geral. O IPA recuou 1,8% no mês, influenciado principalmente pelo petróleo e seus derivados, como diesel e gasolina.
O IPC (Índice de Preços ao Consumidor), que mede a inflação para famílias com renda de 1 a 33 salários mínimos, subiu 0,15% em julho. Já o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) avançou 0,22%, refletindo a alta de materiais como aço e cimento.
O papel do petróleo na deflação do IGP-10
O petróleo Brent caiu 8,5% em julho, segundo dados da FGV. A baixa foi impulsionada por dois fatores: a desaceleração da economia global, que reduziu a demanda por combustíveis, e o aumento da oferta por países da Opep+. Como o petróleo é insumo para plásticos, fertilizantes e transportes, a queda se espalhou por cadeias inteiras.
IGP-10 acumulado em 12 meses: ainda em desaceleração
Apesar da deflação mensal, o IGP-10 acumula alta de 3,2% em 12 meses até julho. O número é bem inferior ao pico de 10,8% registrado em maio de 2024, sinalizando que a pressão inflacionária no atacado perdeu força.
Como a queda do IGP-10 impacta o seu bolso?
O IGP-10 é referência para reajustes de aluguéis, tarifas de energia elétrica e contratos de longo prazo. Com a deflação, quem tem contrato com cláusula de reajuste pelo índice pode ver redução no valor.
Aluguel: reajuste pode cair
Cerca de 70% dos contratos de aluguel no Brasil usam o IGP-M (que tem comportamento similar ao IGP-10) como indexador, segundo dados da Abecip. Se o seu contrato vence em agosto, o reajuste será menor, ou até negativo, se atrelado ao IGP-10.
Energia elétrica: alívio temporário
A tarifa de energia também pode ser impactada, já que o IGP-10 influencia custos de transmissão e distribuição. Segundo a Aneel, a bandeira tarifária para julho foi verde, sem custo extra. A tendência é de manutenção nos próximos meses.
IGP-10 vs. IPCA: qual a diferença?
Enquanto o IPCA mede a inflação ao consumidor final, o IGP-10 foca no atacado e na construção. O IPCA de junho ficou em 0,21%, bem abaixo do IGP-10 de julho, mas o IGP-10 é mais volátil, pois capta oscilações de commodities como petróleo e soja.
Para o orçamento doméstico, o IPCA é mais relevante no dia a dia, mas o IGP-10 afeta contratos e tarifas que pesam no longo prazo. Quem tem dívida atrelada ao IGP-10 pode se beneficiar da deflação para renegociar.
O que esperar do IGP-10 nos próximos meses?
Analistas consultados pela FGV projetam que o IGP-10 continue em trajetória de desaceleração, com o petróleo ainda pressionado pela oferta global. O Boletim Focus do Banco Central, de 24 de julho, indica que o mercado espera IPCA de 4,1% em 2026, mas o IGP-10 pode fechar o ano abaixo de 3%.
Por outro lado, a alta do dólar (que subiu 2,3% em julho) pode reverter parte da deflação, já que insumos importados ficam mais caros. O cenário exige cautela.
Perguntas Frequentes sobre o IGP-10
O que é o IGP-10?
O IGP-10 é um índice de inflação calculado pela FGV que mede a variação de preços no atacado (60%), varejo (30%) e construção civil (10%). Ele é usado como referência para reajustes de contratos e aluguéis.
Qual a diferença entre IGP-10 e IGP-M?
O IGP-10 coleta preços entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência. O IGP-M vai do dia 21 ao 20. O IGP-10 é menos conhecido, mas tem a mesma composição e utilidade.
O IGP-10 pode ficar negativo de novo?
Sim, se o petróleo continuar caindo e a demanda global enfraquecer. Em julho de 2026, foi a primeira vez desde maio de 2024 que o índice ficou negativo.
Como saber se meu contrato usa IGP-10?
Verifique a cláusula de reajuste no contrato de aluguel, financiamento ou prestação de serviço. Se mencionar "IGP-10" ou "índice da FGV", o reajuste segue a variação mensal.
O que fazer com a deflação do IGP-10?
Se você tem contrato atrelado ao índice, negocie o reajuste com base no valor negativo ou baixo. Se tem dívida, avalie a portabilidade para um indexador mais estável, como o IPCA.
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