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iFood anuncia R$ 24 bilhões com foco em IA e restaurantes

O iFood anunciou investimento de R$ 24 bilhões no Brasil para o ano fiscal que vai de abril de 2026 a março de 2027. O valor representa alta de 41% sobre os R$ 17 bilhões do ciclo anterior e foi apresentado nesta quarta-feira (16), durante o iFood MOVE 2026, evento da companhia para restaurantes, varejo e conveniência, em São Paulo.

O plano se concentra em quatro frentes: fortalecimento dos restaurantes, expansão de categorias como farmácias, supermercados, lojas e pet shops, desenvolvimento de tecnologia própria e soluções que vão além do delivery. A empresa brasileira completa 15 anos de operação em 2026.

O anúncio ocorre em meio a embates entre plataformas de delivery de refeições na Justiça e no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), impulsionados pela reentrada da 99Food e pela chegada da Keeta ao país desde 2025.

IA e tecnologia: mais de R$ 2 bilhões no ciclo

Os investimentos em tecnologia e inovação devem ultrapassar R$ 2 bilhões no período. A fatia inclui o desenvolvimento de agentes de IA e do Large Commerce Model (LCM), modelo de inteligência artificial generativa criado pelo iFood em conjunto com a Prosus, dona da empresa.

O LCM usa dados de interações dos usuários, como cliques, buscas, compras, cancelamentos e avaliações, para tentar interpretar a intenção de compra e gerar recomendações e notificações mais precisas. Segundo o iFood, o modelo tem custo inferior ao de modelos proprietários equivalentes.

A inteligência artificial também será aplicada à operação dos restaurantes e ao funcionamento da própria plataforma.

Delivery, salão e iFood Pago

No delivery de restaurantes, a aposta está em produtos como o iFood Hits, voltado a refeições com preços mais baixos, e o iFood Turbo, que usa logística otimizada para reduzir o tempo de entrega nas grandes cidades. A meta é aumentar a frequência de uso e alcançar consumidores que ainda não têm o delivery como hábito recorrente.

Outra frente é aproximar a experiência digital do espaço físico dos estabelecimentos. O iFood desenvolve ferramentas para digitalizar a gestão dos restaurantes e integrar operações online e offline, com funcionalidades como reserva de mesas, cashback e descontos para quem frequentar os salões. A lógica é usar a base digital da plataforma para elevar o fluxo em horários de menor movimento e reduzir a ociosidade.

O movimento amplia o papel do iFood na operação dos parceiros. Em vez de atuar apenas como canal de pedidos e entrega, a companhia passa a oferecer ferramentas de gestão, relacionamento e atração de clientes.

O plano inclui ainda a expansão do iFood Pago, fintech da companhia voltada ao setor de alimentação. Pequenos e médios restaurantes representam mais de 70% da base de parceiros e, segundo a empresa, enfrentam historicamente maior dificuldade para acessar o sistema bancário tradicional. A estratégia é ampliar a oferta de soluções financeiras e crédito usando a relação já existente entre plataforma e restaurantes.

"O aumento reforça nosso compromisso de longo prazo com o Brasil, onde nascemos e estamos há 15 anos. Cada real investido movimenta todo o ecossistema: estabelecimentos vendem mais, entregadores têm mais oportunidades de renda, consumidores ganham em conveniência e melhores serviços e a tecnologia brasileira avança", afirma Diego Barreto, CEO do iFood.

Escala e impacto na economia

Hoje, o iFood conecta 65 milhões de consumidores a cerca de 500 mil estabelecimentos em 2.800 cidades. A plataforma registra mais de 180 milhões de pedidos por mês e conta com 600 mil entregadores parceiros, segundo dados divulgados pela empresa.

Segundo estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) citado pela companhia, as atividades ligadas ao ecossistema do iFood movimentaram R$ 167 bilhões na economia brasileira em 2025. O estudo estima 1,18 milhão de postos de trabalho diretos e indiretos no ano passado, o equivalente a mais de 1% da população ocupada, e aponta que as atividades representam 0,70% do PIB brasileiro.

Bianca Solano
Repórter de finanças pessoais
Repórter de finanças pessoais.
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