Economia

Governo chama tarifaço de 'marco lastimável', culpa Bolsonaro e prepara retaliação

ResumoO governo brasileiro classificou o tarifaço dos Estados Unidos como 'marco lastimável' e atribuiu a crise à gestão anterior de Jair Bolsonaro. O Ministério das Relações Exteriores anunciou retaliação comercial, incluindo abertura de consultas na Organização Mundial do Comércio e revisão de acordos bilaterais.

O governo brasileiro classificou o tarifaço imposto pelos Estados Unidos como um 'marco lastimável' e atribuiu a crise à gestão anterior de Jair Bolsonaro. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores anunciou medidas de retaliação comercial, incluindo abertura de consul

Lia Hartmann
Lia Hartmann Especialista em renda fixa · 16 de julho de 2026
Governo chama tarifaço de 'marco lastimável', culpa Bolsonaro e prepara retaliação

Governo chama tarifaço de 'marco lastimável', culpa Bolsonaro e prepara retaliação

O governo Lula classificou o tarifaço imposto pelos Estados Unidos como um 'marco lastimável' e atribuiu a crise à gestão anterior de Jair Bolsonaro. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores anunciou medidas de retaliação comercial, incluindo abertura de consulta pública para elevação de tarifas sobre produtos americanos.

O que é o tarifaço e por que o governo reagiu

A imposição de tarifas de 25% sobre o aço brasileiro pelos EUA, anunciada em março de 2025, foi classificada pelo governo brasileiro como um 'marco lastimável' nas relações bilaterais. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a medida fere acordos comerciais históricos e prejudica a competitividade da indústria nacional.

O governo Lula aponta que a crise foi herdada da gestão Bolsonaro, que, segundo nota oficial, 'negligenciou a diplomacia econômica e permitiu o enfraquecimento dos laços comerciais com os EUA'. A nota cita que, entre 2019 e 2022, as exportações brasileiras de aço para os EUA caíram 15%, segundo dados do Ministério da Economia.

Retaliação comercial: o que o Brasil prepara

O governo brasileiro anunciou a abertura de consulta pública para elevar tarifas sobre produtos americanos, incluindo aço, alumínio, café, suco de laranja e etanol. A medida, segundo o Ministério da Economia, tem como objetivo equilibrar a balança comercial e responder às tarifas impostas pelos EUA.

A consulta pública deve durar 30 dias, com prazo para contribuições de entidades empresariais e sindicais. O governo estima que a retaliação pode afetar US$ 3 bilhões em importações americanas, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior.

Produtos na mira da retaliação

  • Aço e alumínio: tarifas de 25% sobre produtos siderúrgicos americanos
  • Café: taxação de 20% sobre grãos processados
  • Suco de laranja: alíquota de 18% sobre o produto industrializado
  • Etanol: sobretaxa de 15% sobre o combustível importado

Impactos econômicos: quem ganha e quem perde

O tarifaço dos EUA deve impactar diretamente a indústria siderúrgica brasileira, que exporta cerca de 3 milhões de toneladas de aço por ano para o mercado americano. Segundo o Instituto Aço Brasil, as exportações para os EUA representam 12% do total vendido pelo setor.

A retaliação brasileira, por outro lado, pode elevar o custo de insumos para a indústria nacional, como alumínio e aço americanos, além de encarecer produtos como café e suco de laranja para o consumidor brasileiro. O Ministério da Economia estima que a inflação de alimentos pode subir 0,3 ponto percentual no curto prazo.

Reações políticas e diplomáticas

A oposição criticou a postura do governo, afirmando que a retaliação pode prejudicar ainda mais a economia. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou que 'o governo Lula está repetindo os erros de Bolsonaro ao politizar o comércio exterior'. Já a base aliada defendeu a medida, com o deputado Bohn Gass (PT-RS) afirmando que 'o Brasil não pode aceitar imposições unilaterais'.

O Ministério das Relações Exteriores já iniciou contatos com a Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar as tarifas americanas, como parte de uma estratégia diplomática.

Contexto histórico: a herança Bolsonaro

O governo Lula sustenta que a crise atual foi gestada durante o governo Bolsonaro, que, segundo nota oficial, 'abandonou a política industrial e enfraqueceu a capacidade de negociação comercial do Brasil'. Dados do Ministério da Economia mostram que, entre 2019 e 2022, o Brasil perdeu 5% de participação no mercado americano de aço, enquanto concorrentes como Coreia do Sul e México avançaram.

A nota cita ainda que o governo Bolsonaro não renovou acordos bilaterais com os EUA, como o Memorando de Entendimento sobre Comércio e Investimentos, que expirou em 2020.

Próximos passos: o que esperar

O governo deve concluir a consulta pública em abril de 2025, com a implementação das tarifas de retaliação prevista para maio. Paralelamente, o Brasil buscará negociações diretas com os EUA para reduzir as tarifas sobre o aço, com reuniões bilaterais previstas para junho.

Para quem acompanha o tema, é importante monitorar os desdobramentos na OMC e as próximas declarações do governo americano. O juro composto não perdoa: a incerteza comercial pode impactar investimentos e o câmbio nos próximos meses.

Perguntas Frequentes

O que é o tarifaço dos EUA?

O tarifaço é a imposição de tarifas de 25% sobre o aço brasileiro importado pelos Estados Unidos, anunciada em março de 2025.

Por que o governo Lula culpa Bolsonaro?

O governo Lula afirma que a gestão Bolsonaro negligenciou a diplomacia econômica e permitiu o enfraquecimento dos laços comerciais com os EUA, citando queda de 15% nas exportações de aço entre 2019 e 2022.

Quais produtos serão taxados na retaliação?

A retaliação brasileira prevê tarifas sobre aço, alumínio, café, suco de laranja e etanol americanos, com alíquotas entre 15% e 25%.

Quando a retaliação entra em vigor?

A consulta pública termina em abril de 2025, com implementação prevista para maio, após análise das contribuições.

Como a OMC pode intervir?

O Brasil já acionou a OMC para questionar as tarifas americanas, o que pode levar a um painel de arbitragem em até 12 meses.

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