# FMI defende política monetária flexível e dependente de dados no Brasil

> O Fundo Monetário Internacional (FMI) defendeu política monetária flexível e dependente de dados no Brasil. A avaliação periódica do FMI recomenda cortes de juros mais lentos que o previsto antes da guerra no Oriente Médio. O Fundo destacou a resiliência da economia brasileira e a necessidade de esforço fiscal contínuo.

*Mercado Valor · Economia · 23 de julho de 2026 · Bianca Solano*

Em avaliação periódica, o FMI defendeu que a política monetária brasileira deve seguir flexível e dependente de dados, com cortes de juros mais lentos que o previsto antes da guerra no Oriente Médio. O Fundo também destacou a resiliência da economia e a necessidade de um esforço 

## FMI defende política monetária flexível e dependente de dados no Brasil em meio a incertezas

O Fundo Monetário Internacional (FMI) defendeu que a política monetária do Brasil deve permanecer dependente de dados e flexível, em meio às incertezas globais elevadas. A diretoria do Fundo considera "apropriado" que a normalização da política de juros ocorra em um ritmo mais lento do que o esperado antes da guerra no Oriente Médio.

As considerações foram divulgadas nesta quinta-feira em nota, após a aprovação da chamada "consulta do Artigo IV" para o Brasil, avaliação periódica da economia dos países feita pelo Fundo, concluída no Brasil em 20 de julho.

## Por que o FMI defende um ritmo mais lento de cortes de juros?

A diretoria do FMI destacou que as incertezas globais permanecem elevadas, e que o cenário internacional justifica uma postura cautelosa por parte do Banco Central do Brasil. O Fundo citou a "notável resiliência" da economia brasileira em meio aos choques recentes, mas alertou para riscos que podem exigir ajustes na condução da política monetária.

O principal risco apontado é uma escalada das tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, que poderia elevar a inflação e, por meio de condições financeiras mais restritivas e da menor demanda global, reduzir a atividade econômica. Além disso, as tensões comerciais globais podem prejudicar o investimento estrangeiro e o comércio.

### O que o FMI disse sobre o ritmo de cortes da Selic?

O Banco Central do Brasil reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual no mês passado, para 14,25%, e indicou que combinará momentos de pausa e retomada no ciclo de cortes da taxa Selic para levar a inflação à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028. O FMI disse esperar que a convergência à meta ocorra até meados de 2028.

## Qual a relação entre política fiscal e monetária?

O FMI defendeu a necessidade de um esforço fiscal mais ambicioso no Brasil. Os diretores destacaram, em particular, a pertinência de fortalecer o arcabouço fiscal, com a fixação de limites de gastos abrangentes, uma âncora de dívida de médio prazo e a vinculação do crescimento dos gastos a receitas estruturais.

No âmbito doméstico, segundo o Fundo, um esforço fiscal inferior ao previsto poderia aumentar a incerteza e intensificar as pressões inflacionárias, resultando em custos de financiamento mais elevados e, em última instância, em um crescimento mais fraco.

## Quais as projeções do FMI para o PIB brasileiro?

O Fundo prevê que o Produto Interno Bruto do Brasil crescerá 2,4% este ano, desacelerando em 2027 em face da política monetária restritiva. Os riscos para a perspectiva de crescimento do PIB são majoritariamente baixistas, diante da incerteza global, destacaram os diretores do FMI.

### O que pode afetar o crescimento econômico?

Além da escalada geopolítica no Oriente Médio, o FMI apontou que as tensões comerciais globais podem prejudicar o investimento estrangeiro e o comércio. No front doméstico, a falta de um ajuste fiscal robusto pode elevar a incerteza e pressionar a inflação, encarecendo o crédito e freando a atividade.

## Como o FMI avalia a economia brasileira atualmente?

A diretoria do FMI destacou a "notável resiliência" da economia brasileira em meio aos choques recentes, mas reforçou a necessidade de manter a disciplina fiscal e monetária para sustentar o crescimento no médio prazo. A avaliação foi feita no contexto da consulta do Artigo IV, concluída em 20 de julho.

## Perguntas Frequentes

### O que é a consulta do Artigo IV do FMI?

É uma avaliação periódica da economia dos países membros do Fundo, que analisa as políticas econômicas e faz recomendações. A consulta para o Brasil foi concluída em 20 de julho.

### O FMI recomenda juros mais altos ou mais baixos no Brasil?

O FMI defende que a política monetária seja flexível e dependente de dados, considerando apropriado um ritmo mais lento de cortes de juros que o previsto antes da guerra no Oriente Médio.

### Qual a projeção de crescimento do Brasil segundo o FMI?

O Fundo prevê crescimento de 2,4% do PIB em 2026, com desaceleração em 2027 devido à política monetária restritiva.

### Quando a inflação deve atingir a meta de 3%?

O FMI espera que a convergência à meta de 3% ocorra até meados de 2028. O Banco Central do Brasil projeta o primeiro trimestre de 2028.

### O que o FMI recomenda para a política fiscal brasileira?

O Fundo defende um esforço fiscal mais ambicioso, com limites de gastos abrangentes, uma âncora de dívida de médio prazo e vinculação do crescimento dos gastos a receitas estruturais.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/fmi-defende-politica-monetaria-flexivel-dependente-dados-brasil-meio-incertezas/
