# Fim da escala 6x1: PEC só após 1º turno

> A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1 não será votada antes do primeiro turno das eleições. O governo Lula adiou a tramitação e planeja aprovar a matéria após o pleito, usando a medida como trunfo político. A decisão ocorre após negociações insuficientes no Congresso para garantir quórum e apoio necessário.

*Mercado Valor · Economia · 04 de setembro de 2026 · Caetano Vidal*

O governo Lula não conseguiu votar a PEC do fim da escala 6x1 antes das eleições. Agora, aposta em aprovação pós-1º turno para usar como trunfo eleitoral. Veja os bastidores.

O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não conseguiu acordo com o Congresso para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala de trabalho 6×1 antes das eleições. O plenário do Senado deixou de votar a iniciativa na última semana de votações, faltando apenas uma etapa para a promulgação.

Agora, a aposta do governo é aprovar a medida depois do primeiro turno. O discurso dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), é que Lula pode faturar politicamente com a aprovação nesse cenário, usando a PEC como trunfo em um provável segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL).

Nesta quinta-feira, Alcolumbre afirmou ao senador Paulo Paim (PT-SE) que a proposta será votada após as eleições: "Dizer para Vossa Excelência e para o Brasil que Vossa Excelência estará votando, após as eleições, o fim da escala 6×1 aqui no Senado Federal". O texto foi aprovado pela CCJ nesta semana, com o relator rejeitando todas as 36 emendas.

A estratégia dos senadores ligados a Flávio Bolsonaro foi esvaziar o plenário para impedir a votação. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de campanha de Flávio, apresentou uma PEC alternativa e tentou mudar o debate. A medida, aprovada pela Câmara em maio, ficou meses travada no Senado após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF, mas foi destravada com a reaproximação entre Lula e Alcolumbre.

Pela proposta, a jornada normal não pode ultrapassar 8 horas diárias e 40 semanais, com compensação de horários mediante acordo coletivo. Hoje, o limite é de 44 horas semanais, seis dias por semana. A PEC também define dois dias de repouso semanal remunerado, um preferencialmente aos domingos, contra um único dia obrigatório atualmente.

Interlocutores de Alcolumbre e Motta evitam falar em derrota do governo, citando que a reunião com Lula na semana passada previa apenas a votação na CCJ, não no plenário. Resta saber se o acordo pós-pleito será fechado, já que parte do Congresso vê dificuldades em aprovar a medida depois de definidos os novos senadores, o que reduziria a pressão popular.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/fim-escala-62151-governo-tentara-aprovar-pec-depois-primeiro-turno/
