Economia

Falta de alianças pode fazer Michelle participar da escolha de vice no PL

ResumoA dificuldade do PL em formar alianças nacionais abriu espaço para Michelle Bolsonaro participar da escolha da candidata a vice na chapa de Flávio Bolsonaro. A estratégia busca reduzir a resistência a Flávio entre as mulheres, segmento eleitoral com pior avaliação para o candidato.

A dificuldade do PL para fechar alianças nacionais abriu espaço para que Michelle Bolsonaro participe da escolha da candidata a vice na chapa de Flávio Bolsonaro. A estratégia ganhou força para reduzir a resistência a Flávio entre as mulheres, segmento em que o candidato tem pior

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 29 de julho de 2026
Falta de alianças pode fazer Michelle participar da escolha de vice no PL

A dificuldade do PL para fechar alianças nacionais abriu espaço para um movimento que ganhou força na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ): transformar a escolha da candidata a vice em um gesto político para Michelle Bolsonaro. Diante da possibilidade crescente de uma chapa formada apenas por filiados da legenda, dirigentes passaram a defender que a ex-primeira-dama participe da definição do nome. Ao mesmo tempo, Michelle passou a atuar para defender a indicação da vereadora Priscila Costa (PL-CE), sua aliada.

A estratégia ganhou força porque auxiliares consideram Michelle o principal ativo do bolsonarismo para reduzir a resistência a Flávio entre as mulheres, segmento em que o candidato apresenta seu pior desempenho. Pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira mostra que, em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o petista tem 50% das intenções de voto entre as eleitoras, contra 40% do senador. Entre os homens, o quadro se inverte: Flávio aparece numericamente à frente, com 46%, ante 45% de Lula.

Por que Michelle Bolsonaro ganhou espaço na escolha da vice

A avaliação da campanha é que dar peso político a Michelle na montagem da chapa ajudaria a mantê-la diretamente vinculada à candidatura, mesmo que ela não consiga repetir a intensa agenda de viagens que cumpriu em 2022. Interlocutores afirmam que a ex-primeira-dama deverá concentrar sua atuação nas redes sociais e em compromissos considerados prioritários para conciliar a eleição com os cuidados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O papel de Valdemar Costa Neto na articulação

A ideia de ampliar a participação de Michelle na definição da vice é atribuída ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O plano, porém, está condicionado à manutenção do isolamento político do PL. A cúpula da legenda ainda trabalha com o prazo de 5 de agosto, último dia das convenções, para conversas com partidos e evita tratar a chapa pura como uma decisão já tomada. Ao g1, Valdemar tratou a hipótese de que a escolhida seja Priscilla Costa como uma "bobagem".

Cenário de isolamento político e as negociações

A confirmação de que a federação União-PP pretende permanecer neutra na disputa presidencial aumentou o pessimismo dentro do PL. Flávio chegou a oferecer a vaga de vice à senadora Tereza Cristina (PP-MS), que recusou. Integrantes do partido ainda admitem conversas com quadros da federação, mas reconhecem que a indicação de uma filiada dependeria de autorização política das duas legendas.

Nomes cotados para a vice na chapa do PL

Entre os nomes citados está o da deputada Simone Marquetto (PP-SP), que não pretende disputar a reeleição e é vista por integrantes da campanha como uma política de perfil executivo, com experiência de gestão e atuação voltada às mulheres. Clarissa Tércio (PP-PE) também foi considerada, mas perdeu força por manter como prioridade a renovação do mandato na Câmara.

A outra frente de negociação envolve Daniella Marques, responsável pela elaboração das propostas da campanha destinadas ao eleitorado feminino. A ex-presidente da Caixa se filiou ao Republicanos sem o conhecimento prévio do presidente da sigla, Marcos Pereira, e precisou recorrer à Justiça para ter o vínculo reconhecido. Como não há mais prazo para uma nova mudança de partido, dirigentes do Republicanos avaliam que a insistência do PL em seu nome também funciona como pressão para que a legenda ingresse formalmente na coligação.

Priscila Costa: a aliada de Michelle na disputa

Com a tendência de que as duas articulações fracassem, cresce no PL o entendimento de que Flávio terá de recorrer aos próprios quadros. Nesse cenário, Priscila ganhou força nas conversas sobre a chapa, com a defesa de sua madrinha política, Michelle Bolsonaro.

Ao GLOBO, Priscila evitou apresentar a possibilidade como uma candidatura consolidada, mas afirmou estar à disposição., Estou com Flávio porque a vitória dele é importante para a gente e espero que ele escolha a melhor vice. Sempre que sou citada, recebo com alegria e me sinto honrada, estou à disposição. Mas tudo ainda depende dos outros partidos, disse.

Fernanda Bolsonaro como ativo eleitoral

Paralelamente à tentativa de ampliar o engajamento de Michelle, a campanha acelerou o plano para transformar Fernanda Bolsonaro, mulher de Flávio, em um ativo eleitoral. O desempenho da cirurgiã-dentista na convenção que oficializou a candidatura do senador foi considerado acima das expectativas e respaldou a organização de uma agenda nacional voltada sobretudo às mulheres. A partir de 10 de agosto, Fernanda deverá iniciar uma caravana pelo país, começando por São Paulo e seguindo por Ceará, Paraíba, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Perguntas Frequentes

Michelle Bolsonaro será a vice de Flávio?

Não. Michelle Bolsonaro não é candidata a vice, mas passou a participar da definição do nome que ocupará a vaga na chapa de Flávio Bolsonaro.

Quem é Priscila Costa?

Priscila Costa é vereadora pelo PL do Ceará e aliada de Michelle Bolsonaro. Ela ganhou força como possível candidata a vice na chapa de Flávio.

Por que o PL tem dificuldade para fechar alianças?

A federação União-PP pretende permanecer neutra na disputa presidencial, o que aumentou o pessimismo dentro do PL. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) recusou o convite para ser vice.

Qual o prazo para definir o vice?

A cúpula do PL trabalha com o prazo de 5 de agosto, último dia das convenções, para conversas com partidos.

Fernanda Bolsonaro terá papel na campanha?

Sim. A campanha planeja transformar Fernanda Bolsonaro em um ativo eleitoral, com uma caravana nacional a partir de 10 de agosto, começando por São Paulo.

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