Economia

Exportações de café do Brasil caem 15,7% na safra 2025/26; receita recua 1%

ResumoAs exportações de café do Brasil registraram queda de 15,7% na safra 2025/26, totalizando 39,3 milhões de sacas. A receita cambial recuou apenas 1%, para US$ 8,2 bilhões, devido ao aumento de 17,3% no preço médio do café arábica, que compensou parcialmente o menor volume embarcado.

Exportações de café do Brasil caem 15,7% na safra 2025/26, somando 39,3 milhões de sacas, enquanto a receita cambial recua apenas 1%, para US$ 8,2 bilhões. O fenômeno reflete a alta de 17,3% no preço médio do café arábica, que compensou parcialmente o menor volume embarcado.

Otávio Bandeira
Otávio Bandeira Analista de mercado de capitais · 16 de julho de 2026
Exportações de café do Brasil caem 15,7% na safra 2025/26; receita recua 1%

A safra 2025/26 de café no Brasil registrou uma queda expressiva no volume embarcado, mas a receita cambial mostrou resiliência. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), as exportações de café do Brasil caíram 15,7% na safra 2025/26, somando 39,3 milhões de sacas de 60 kg. No mesmo período, a receita recuou apenas 1%, para US$ 8,2 bilhões, um desempenho que surpreendeu analistas de mercado.

O principal fator por trás desse movimento foi a valorização do café arábica, que responde por cerca de 70% da produção nacional. O preço médio da variedade subiu 17,3%, atingindo US$ 215 por saca. Esse aumento compensou, em grande parte, a redução no volume embarcado, especialmente para destinos como Europa e Estados Unidos.

Volume embarcado: queda concentrada em conilon

A análise por tipo de café revela que a retração foi mais acentuada no conilon. As exportações de café conilon caíram 22,4%, para 5,8 milhões de sacas. Já o arábica registrou queda de 14,3%, para 33,5 milhões de sacas. A diferença reflete problemas climáticos em regiões produtoras de conilon, como Rondônia e Bahia, que reduziram a oferta.

Para o analista de mercado de capitais, o número conta a história: a demanda global por café arábica de alta qualidade sustentou os preços, enquanto o conilon, mais exposto à concorrência do Vietnã, sofreu com a oferta global elevada. O Vietnã, maior produtor mundial de robusta, registrou safra recorde em 2025/26, o que pressionou os preços do conilon no mercado internacional.

Receita cambial: a resiliência do arábica

A receita cambial total de US$ 8,2 bilhões representa uma queda de apenas 1% ante a safra anterior. O destaque ficou com o café arábica, cuja receita somou US$ 7,1 bilhões, alta de 1,5% em relação à safra 2024/25. O conilon, por outro lado, gerou US$ 1,1 bilhão, recuo de 14,2%.

Esse comportamento ilustra a lógica do fluxo de capital no mercado de commodities: quando a oferta se contrai, o preço reage para equilibrar a demanda. No caso do café arábica, a redução de volume foi menor que a do conilon, e a valorização foi suficiente para quase estabilizar a receita. Para o conilon, a combinação de queda de volume e preço deprimido gerou perda significativa.

Principais destinos: Europa e EUA seguram a demanda

A análise por destino mostra que os principais compradores mantiveram o ritmo de importação, embora com volumes menores. A Europa respondeu por 48% das exportações, com 18,9 milhões de sacas, queda de 12%. Os Estados Unidos importaram 8,2 milhões de sacas, recuo de 10%.

A Ásia, por sua vez, apresentou crescimento de 5% nas importações, totalizando 6,1 milhões de sacas, puxada por China e Japão. Esse movimento reflete a diversificação da demanda global, com consumidores asiáticos cada vez mais interessados em cafés especiais brasileiros.

Fatores climáticos e estoques

A safra 2025/26 foi marcada por condições climáticas adversas em algumas regiões produtoras. O Sul de Minas Gerais, principal polo de arábica, enfrentou uma seca prolongada entre setembro e novembro de 2025, o que reduziu a produtividade em 8%. Já o conilon sofreu com chuvas excessivas no período de floração, comprometendo a formação dos grãos.

Os estoques de passagem, que medem o café não exportado ao final da safra, recuaram 12%, para 1,2 milhão de sacas. Esse dado sugere que o mercado doméstico também consumiu parte da produção, com a indústria brasileira de torrefação e moagem mantendo a demanda estável.

Perspectivas para a safra 2025/26

Para o próximo ciclo, as projeções indicam possível recuperação do volume exportado, mas com preços ainda elevados. O Cecafé estima que as exportações de café do Brasil na safra 2026/27 possam crescer entre 5% e 8%, dependendo das condições climáticas perspectivas para a safra de café 2026/27. A valorização do real frente ao dólar, no entanto, pode pressionar a receita em moeda local.

O analista de mercado de capitais lê o mercado pelo fluxo de capital e risco: com a demanda global aquecida e estoques baixos, o café brasileiro mantém seu protagonismo. A queda de 15,7% no volume não deve ser interpretada como crise, mas como ajuste de ciclo. O número conta a história: a receita quase estável mostra que o Brasil continua sendo o player mais relevante do mercado global de café.

Perguntas Frequentes

Por que as exportações de café do Brasil caíram 15,7% na safra 2025/26?

A queda reflete problemas climáticos em regiões produtoras, especialmente no conilon, e a redução de produtividade no arábica devido à seca no Sul de Minas Gerais.

A receita cambial também caiu na mesma proporção?

Não. A receita recuou apenas 1%, para US$ 8,2 bilhões, impulsionada pela alta de 17,3% no preço médio do café arábica.

Qual foi o preço médio do café arábica na safra 2025/26?

O preço médio atingiu US$ 215 por saca, segundo o Cecafé, uma alta de 17,3% em relação à safra anterior.

Quais foram os principais destinos das exportações de café do Brasil?

Europa (48%), Estados Unidos (21%) e Ásia (16%), com destaque para o crescimento de 5% nas importações asiáticas.

Como o clima afetou a safra 2025/26?

A seca no Sul de Minas Gerais reduziu a produtividade do arábica em 8%, enquanto chuvas excessivas prejudicaram o conilon em Rondônia e Bahia.

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