# EUA reduzem cota de açúcar do Brasil e condicionam reversão a acordo

> O governo dos Estados Unidos reduziu a cota de açúcar do Brasil de 155.993 para 100 mil toneladas, queda de 35,9%. A reversão da medida depende de propostas comerciais brasileiras consideradas satisfatórias por Washington. A decisão afeta diretamente exportadores brasileiros do setor sucroalcooleiro.

*Mercado Valor · Economia · 10 de agosto de 2026 · Bianca Solano*

O governo dos EUA reduziu a cota de açúcar do Brasil de 155.993 para 100 mil toneladas, uma queda de 35,9%. A reversão depende de propostas comerciais consideradas satisfatórias por Washington.

## EUA reduzem cota de açúcar do Brasil e condicionam reversão a acordo comercial

O governo dos Estados Unidos reduziu a quantidade de açúcar brasileiro que poderá entrar no mercado americano com tarifa menor e sinalizou que pode restabelecer parte do espaço perdido, caso o Brasil apresente propostas comerciais consideradas "satisfatórias" por Washington. A medida atinge a cota tarifária de açúcar, mecanismo que limita a entrada do produto com imposto reduzido.

## O que é a cota tarifária e como ela afeta o açúcar brasileiro

A cota tarifária funciona como um limite de importação com imposto reduzido. Todos os anos, os Estados Unidos definem a quantidade de açúcar de cada país que pode ser importada em condições mais favoráveis. Dentro desse limite, o produto brasileiro paga uma tarifa menor. Acima dele, a exportação continua possível, mas o açúcar enfrenta uma cobrança muito mais alta, o que reduz a competitividade.

Para o próximo ciclo, que começa em outubro, o governo americano reduziu a parcela destinada ao Brasil de 155.993 toneladas para 100 mil toneladas. Com isso, 55.993 toneladas deixaram de fazer parte da cota brasileira, uma redução de 35,9%.

## Reversão do corte depende de acordo comercial

As toneladas retiradas ainda não foram destinadas a outro país. Segundo um comunicado enviado pela adida agrícola do Ministério da Agricultura na Embaixada do Brasil em Washington, Ana Lucia de Paula Viana, obtido pelo GLOBO, o vice-secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Stephen Vaden, afirmou que essa parcela poderá ser novamente incorporada à cota brasileira caso o Brasil apresente propostas comerciais aceitas pelo governo americano.

"Vaden afirmou expressamente que o Brasil poderá recuperar o volume retirado de sua alocação caso apresente aos Estados Unidos propostas comerciais consideradas satisfatórias", diz o documento.

Na prática, os Estados Unidos mantiveram em aberto a possibilidade de reverter o corte, mas condicionaram essa mudança a uma negociação comercial com Brasília. Caso não haja acordo, o volume poderá ser distribuído para outros países exportadores antes de 1º de outubro, quando começa o novo ano fiscal americano.

## Pressão como instrumento de negociação

Para a representação brasileira em Washington, o fato de as 55.993 toneladas retiradas ainda permanecerem sem destino definido reforça a avaliação de que a medida está sendo usada como instrumento de pressão nas negociações comerciais.

"Na ausência de entendimento, as 55.993 MTRV poderão ser redistribuídas a outros países. A coincidência exata entre o volume reduzido da cota brasileira e a quantidade ainda não alocada reforça a percepção de que a medida está sendo utilizada como instrumento de negociação comercial".

O documento não detalha quais seriam as "propostas comerciais satisfatórias" esperadas pelos Estados Unidos. Um dos principais pontos de interesse de Washington é o etanol. Há anos, o governo americano pressiona o Brasil para reduzir a tarifa cobrada sobre a importação do combustível produzido nos Estados Unidos.

Em negociações anteriores, o governo brasileiro indicou que poderia discutir o tema, desde que houvesse uma contrapartida americana, como maior acesso do açúcar brasileiro ao mercado dos EUA. As conversas, porém, nunca resultaram em um acordo.

## Possível aumento de tarifas sobre açúcar fora da cota

Além da redução da cota, o governo americano também avalia aumentar as tarifas cobradas sobre o açúcar vendido fora desse limite. Hoje, o produto que entra acima da cota já enfrenta uma cobrança elevada, mas autoridades americanas avaliam que a barreira perdeu efeito ao longo dos anos e defendem uma atualização. Se a medida avançar, exportar açúcar brasileiro para os Estados Unidos ficará ainda mais caro.

## O que o Brasil já fez para tentar reverter

Antes da manifestação de Vaden, a representação brasileira em Washington havia procurado o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela política comercial americana, para questionar a decisão. O Brasil perguntou se o corte era definitivo e argumentou que havia utilizado integralmente a cota anterior, demonstrando capacidade de abastecimento e demanda do mercado americano pelo açúcar brasileiro.

Segundo o relato, o USTR afirmou que não poderia fornecer informações além das já divulgadas oficialmente, mas disse que comunicaria qualquer alteração futura.

## Impacto prático para o produtor e o consumidor

Para quem vive do campo, a redução da cota significa menos espaço para vender com tarifa reduzida. Para o consumidor americano, o efeito pode aparecer em preços mais altos de produtos que usam açúcar, já que a oferta com imposto menor diminui. No Brasil, a notícia reforça a necessidade de diversificar mercados e não depender de um único comprador.

A disputa pelo açúcar ocorre em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Os dois países também enfrentam divergências sobre tarifas aplicadas a produtos brasileiros e outras negociações comerciais. como tarifas afetam exportações brasileiras

## Perguntas Frequentes

### O que é a cota tarifária de açúcar?

É um limite de importação com imposto reduzido. Dentro da cota, o açúcar paga tarifa menor; acima dela, a cobrança é muito mais alta.

### Quanto o Brasil perdeu com a redução da cota?

O Brasil perdeu 55.993 toneladas, passando de 155.993 para 100 mil toneladas, uma redução de 35,9%.

### O corte é definitivo?

Não necessariamente. O governo americano condicionou a reversão a propostas comerciais brasileiras consideradas satisfatórias.

### O que os EUA querem em troca?

O documento não detalha as propostas, mas um dos principais interesses de Washington é a redução da tarifa sobre etanol americano importado pelo Brasil.

### Quando o volume pode ser redistribuído?

Caso não haja acordo, as 55.993 toneladas podem ser destinadas a outros países antes de 1º de outubro, quando começa o novo ano fiscal americano.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/eua-reduzem-cota-acucar-brasil-condicionam-reversao-acordo-comercial/
