# Escalada no Oriente Médio eleva petróleo, mas inflação menor reduz temor com juros

> A escalada no Oriente Médio eleva o preço do petróleo e os riscos geopolíticos globais. A inflação menor, especialmente nos Estados Unidos, reduz o temor de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve. Analistas do Goldman Sachs indicam um equilíbrio entre o risco energético e o processo de desinflação como vetor central para os mercados.

*Mercado Valor · Economia · 20 de julho de 2026 · Otávio Bandeira*

A escalada no Oriente Médio eleva o petróleo e os riscos globais, mas a inflação menor, sobretudo nos Estados Unidos, reduz o temor com novos aumentos de juros pelo Fed. Analistas do Goldman Sachs apontam um equilíbrio entre risco energético e desinflação como principal vetor par

## Escalada no Oriente Médio eleva petróleo, mas inflação menor reduz temor com juros

A nova escalada das tensões no Oriente Médio voltou a pressionar os preços do petróleo, aumentando os riscos para a economia global. Ainda assim, a melhora do cenário inflacionário, especialmente nos Estados Unidos, tem reduzido os temores de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) e ajudado a limitar uma deterioração mais intensa do sentimento dos investidores, segundo relatório assinado por Jan Hatzius, analista do Goldman Sachs.

## Por que a escalada no Oriente Médio eleva o petróleo e os riscos?

Para o banco, o principal risco de curto prazo continua sendo o mercado de energia. Embora a instituição mantenha suas projeções de Brent em US$ 80 por barril no fim de 2026 e US$ 75 em 2027, novos ataques a petroleiros ou à infraestrutura do Oriente Médio poderiam levar a commodity novamente para a faixa acima de US$ 100 por barril. Esse cenário representa um choque que pode reacender pressões inflacionárias em cadeias globais.

### O que o Goldman Sachs projeta para o petróleo?

As projeções do Goldman Sachs indicam uma trajetória de queda gradual nos preços do petróleo, desde que não haja novos eventos geopolíticos severos. A estimativa de US$ 80 para o Brent no fim de 2026 e US$ 75 para 2027 reflete uma visão de normalização gradual. No entanto, a ressalva é clara: qualquer escalada adicional na região pode inverter esse movimento rapidamente.

## Inflação menor: o contrapeso que reduz o temor com juros

Por outro lado, o Goldman destaca que as notícias sobre inflação têm sido mais favoráveis. O banco estima que o núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE), principal medida de inflação acompanhada pelo Fed, tenha mostrado um comportamento benigno em junho, reforçando a expectativa de desaceleração gradual da inflação nos próximos anos. No Brasil, dados oficiais corroboram essa tendência de desinflação: o IPCA registrou variação de 0,16% em junho de 2026, segundo o Banco Central, e de 0,58% em maio, ambos abaixo dos 0,67% de abril e dos 0,88% de março, uma clara trajetória de arrefecimento.

### Como a inflação menor impacta as expectativas de juros?

Segundo os economistas, a inflação subjacente americana deve se aproximar de 2% em 2027, impulsionada pela menor contribuição dos preços de energia, de softwares e dos efeitos das tarifas comerciais. Nesse contexto, o Goldman Sachs afirma que a melhora do quadro inflacionário praticamente eliminou as chances de uma alta de juros na próxima reunião do Fed, marcada para os dias 28 e 29 de julho. Embora novas elevações não estejam totalmente descartadas, elas exigiriam um cenário de inflação significativamente mais forte ou um mercado de trabalho mais aquecido do que o esperado atualmente.

## O equilíbrio entre risco energético e desinflação

Na avaliação do banco, o ambiente global segue marcado por forças opostas. De um lado, estão a renovação dos riscos geopolíticos e a possibilidade de um novo choque nos preços do petróleo. De outro, aparecem uma inflação mais comportada e a perspectiva de condições monetárias menos restritivas. Esse equilíbrio entre o risco energético e a desinflação deve continuar sendo o principal vetor para os mercados globais nos próximos meses.

### O que os dados econômicos dos EUA sugerem?

Além disso, os dados mais recentes sugerem uma moderação gradual da atividade nos Estados Unidos. O Goldman estima que a economia americana tenha crescido a um ritmo próximo de 2,25% no primeiro semestre, mas espera uma desaceleração no restante do ano, diante do enfraquecimento da renda disponível das famílias e dos riscos associados a uma eventual perda de força do ciclo de investimentos em inteligência artificial.

## Impacto nos mercados: bolsas reagem ao cenário

Bolsas dos EUA avançam juntas com guerra em foco. Esmail Baghaei afirmou que as negociações com os EUA poderiam ser conduzidas com base nos interesses nacionais. O movimento de alta nas bolsas reflete a leitura de que, apesar do risco geopolítico, a inflação menor e a perspectiva de juros estáveis ou em queda oferecem suporte aos ativos de risco.

### Como interpretar o movimento das bolsas?

O avanço das bolsas americanas, mesmo com o foco no conflito, sugere que o mercado está precificando um cenário em que a inflação menor prevalece sobre o risco energético de curto prazo. A expectativa de que o Fed não precise subir os juros alivia a pressão sobre valuations e reduz o custo de capital para as empresas.

## O que esperar para os próximos meses?

O relatório do Goldman Sachs sinaliza que o principal vetor para os mercados globais será o embate entre o risco energético (petróleo) e a desinflação (juros). A projeção de Brent em US$ 80 para o fim de 2026 depende da ausência de novos choques. Já a inflação menor, se confirmada, abre espaço para que o Fed mantenha a taxa básica sem alterações, o que tende a favorecer ativos de risco, desde que o cenário geopolítico não se deteriore.

impacto da geopolítica no mercado de ações

## Perguntas Frequentes

### A escalada no Oriente Médio pode levar o petróleo a US$ 100?

Sim. Segundo o Goldman Sachs, novos ataques a petroleiros ou à infraestrutura do Oriente Médio poderiam levar o Brent novamente para a faixa acima de US$ 100 por barril.

### O Fed vai aumentar os juros em julho?

A melhora do quadro inflacionário praticamente eliminou as chances de uma alta de juros na próxima reunião do Fed, marcada para os dias 28 e 29 de julho.

### Qual a projeção do Goldman Sachs para o Brent?

O banco mantém projeções de Brent em US$ 80 por barril no fim de 2026 e US$ 75 em 2027.

### Como a inflação menor nos EUA afeta os mercados?

A inflação menor reduz os temores de novos aumentos de juros pelo Fed, ajudando a limitar uma deterioração mais intensa do sentimento dos investidores.

### O que é o núcleo do PCE?

É a principal medida de inflação acompanhada pelo Fed, que exclui itens voláteis como alimentos e energia. O Goldman Sachs estima que ele tenha mostrado um comportamento benigno em junho.

entenda o que é o núcleo do PCE

### Qual o crescimento estimado da economia americana?

O Goldman estima que a economia americana tenha crescido a um ritmo próximo de 2,25% no primeiro semestre, com desaceleração esperada para o restante do ano.

---

Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/escalada-oriente-medio-eleva-petroleo-mas-inflacao-menor-reduz-temor-juros/
