# Moraes mira ex-secretário e blogueiro por vazamento sobre Dino

> Alexandre de Moraes, ministro do STF, determinou busca e apreensão contra Raimundo Cutrim e um blogueiro investigados por vazamento de informações sobre Flávio Dino. A Polícia Federal apura repasse de R$ 100 mil e possível monitoramento ilegal. A operação visa esclarecer a origem do vazamento e a participação dos alvos no esquema.

*Mercado Valor · Economia · 12 de agosto de 2026 · Otávio Bandeira*

Alexandre de Moraes, do STF, determinou busca e apreensão contra Raimundo Cutrim e um blogueiro suspeitos de vazar informações sobre Flávio Dino. A PF apura repasse de R$ 100 mil e possível monitoramento ilegal.

## Entenda decisão de Moraes contra ex-secretário e blogueiro suspeitos de vazar informações sobre Flávio Dino

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (11) a realização de buscas e apreensões contra um ex-secretário do governo do Maranhão e um blogueiro. Eles são suspeitos de vazar informações sobre o ministro Flávio Dino. A decisão, que corre sob sigilo, mira Raimundo Cutrim, apontado como fonte de Luís Pablo Conceição Almeida, do Blog do Luís Pablo. A Polícia Federal investiga uma suposta perseguição contra Dino, com possível monitoramento de deslocamentos e invasão a sistemas públicos.

## O que mudou com a decisão de Moraes?

A decisão de Moraes representa um avanço no inquérito que apura uma suposta perseguição contra Flávio Dino. As buscas foram autorizadas após a PF encontrar informações no celular do blogueiro, alvo de operação em março. Moraes aponta Cutrim como fonte das informações publicadas. A medida também atinge um advogado suspeito de assessorar o blogueiro nas publicações. O caso tramitava com o ministro Cristiano Zanin, mas foi redistribuído para Moraes por paralelos com o Inquérito das Fake News. O STF não se manifestou sobre o caso, que segue em sigilo.

## Quem é Raimundo Cutrim e qual seu papel?

Raimundo Cutrim é delegado aposentado da Polícia Federal e ex-deputado estadual no Maranhão por três mandatos. Ele ocupava o cargo de secretário de Assuntos Legislativos no governo de Carlos Brandão (MDB), cujos aliados são adversários de Dino. Cutrim já estava em prisão domiciliar desde o mês passado, afastado do cargo por decisão do próprio Flávio Dino, em processo que apura suposta coação e obstrução da Justiça em investigação de assassinato no Maranhão. A defesa de Cutrim, representada pelo advogado Berilo Freitas, confirmou que a decisão o cita como fonte, mas recebeu a medida com "estranheza e preocupação". Freitas afirmou ser estranho investigar o jornalista, o advogado e a fonte em vez de apurar a denúncia em si, e negou ligação entre pagamentos e matérias.

## O que a PF apura sobre os pagamentos?

A Polícia Federal identificou movimentações financeiras do advogado para o jornalista, incluindo o repasse de R$ 100 mil usado na compra de um terreno. A PF apura se os pagamentos têm relação com matérias de interesse do grupo de Cutrim. A defesa de Luís Pablo declarou que os R$ 100 mil não têm relação com seu trabalho e que não recebeu nenhum valor para publicar matérias contra o ministro. O número conta a história: o valor exato, R$ 100 mil, é o ponto central da suspeita de pagamento por conteúdo.

## As publicações do blogueiro sobre Dino

Desde novembro, Luís Pablo publicou que Flávio Dino estaria usando de forma contínua, em São Luís (MA), um veículo Toyota SW4 oficial do TJ-MA em deslocamentos privados com sua família. O carro teria sido adquirido com recursos do Fundo Especial de Segurança dos Magistrados (Funseg-JE), destinado à proteção institucional e atividades do Judiciário estadual, e pertenceria à frota restrita do tribunal. O veículo seria destinado ao presidente do TJ-MA, corregedores ou apoio eventual a autoridades. Dino alega que há uma "repetição de inverdades" nas informações e negou categoricamente qualquer uso irregular de veículos do TJ-MA. Segundo o ministro, um veículo blindado foi cedido após solicitação da Secretaria de Segurança do STF, com base em acordo de cooperação vigente entre o STF e tribunais do País.

## A investigação mais ampla: monitoramento e invasão

A PF investiga uma suposta perseguição contra Dino que envolve o vazamento de dados relacionados à segurança do ministro, possível monitoramento dos deslocamentos e suspeita de invasão a sistemas do Detran e do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA). Em março do ano passado, Dino informou que sua equipe já havia identificado um procedimento de monitoramento ilegal de seus deslocamentos, com publicação de placas de carros, nomes e quantidade de agentes de segurança. Em nota mais recente, a equipe de Dino afirmou que "fatos novos" mostraram que até os veículos particulares de Dino e de sua família estavam sendo monitorados e seguidos, o que motivou o pedido de providências adicionais de segurança.

## Reações à decisão: entidades e defesas

A decisão gerou reações de entidades de imprensa. O presidente-executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech, afirmou que a busca e apreensão por informação jornalística é um precedente muito perigoso e uma séria ameaça à liberdade de imprensa, violando o artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal, que garante o sigilo da fonte. Em nota conjunta, ANJ, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e Associação Nacional de Editores de Revista (Aner) afirmaram que ações judiciais para quebrar o sigilo de fonte não possuem amparo constitucional e ameaçam a liberdade de imprensa no país. A defesa de Cutrim, por sua vez, nega qualquer relação entre pagamentos e matérias, enquanto a defesa do blogueiro afirma que os valores citados não têm relação com seu trabalho.

## O que esperar dos próximos passos?

O caso segue sob sigilo, e a PF deve aprofundar as investigações sobre os pagamentos e o possível monitoramento. A redistribuição para Moraes, por paralelos com o Inquérito das Fake News, indica que o STF vê conexão com desinformação. A defesa de Cutrim já sinalizou que vai contestar a medida, enquanto entidades de imprensa monitoram o impacto sobre a liberdade de imprensa. A decisão de Moraes, embora sob sigilo, já provoca debate sobre os limites entre apuração criminal e proteção à fonte jornalística. O desfecho dependerá das provas coletadas nas buscas e da análise do STF sobre a constitucionalidade das medidas. decisões do STF sobre liberdade de imprensa inquérito das fake news e seus desdobramentos

## Perguntas Frequentes

### O que Moraes determinou na decisão?

Moraes determinou busca e apreensão contra Raimundo Cutrim e um advogado suspeito de assessorar o blogueiro Luís Pablo nas publicações sobre Flávio Dino. A decisão está sob sigilo.

### Quem é Raimundo Cutrim?

Raimundo Cutrim é delegado aposentado da PF, ex-deputado estadual por três mandatos e ex-secretário de Assuntos Legislativos no governo do Maranhão. Ele está em prisão domiciliar desde o mês passado.

### Qual o valor envolvido na suspeita?

A PF identificou o repasse de R$ 100 mil do advogado para o blogueiro, usado na compra de um terreno. A defesa do jornalista nega relação entre o valor e as publicações.

### O que diz a defesa de Cutrim?

A defesa, representada por Berilo Freitas, confirmou que a decisão cita Cutrim como fonte, mas recebeu a medida com "estranheza e preocupação", negando qualquer ligação entre pagamentos e matérias.

### Por que o caso foi para Moraes?

O caso tramitava com o ministro Cristiano Zanin, mas foi redistribuído para Alexandre de Moraes por ter paralelos com o Inquérito das Fake News.

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