# Embarcações se recusam a passar pelo Estreito de Ormuz mesmo sob escolta dos EUA; entenda diferença de rotas

> O Estreito de Ormuz enfrenta recusa de embarcações comerciais em atravessar a via, mesmo sob escolta naval dos EUA. O temor de ataques iranianos e a existência de rotas alternativas mais seguras motivam a mudança no fluxo marítimo global, alterando padrões logísticos e de segurança na região.

*Mercado Valor · Economia · 16 de julho de 2026 · Otávio Bandeira*

Mesmo com escolta naval dos EUA, embarcações comerciais continuam recusando a travessia do Estreito de Ormuz. O temor de ataques iranianos e a disponibilidade de rotas alternativas mais seguras explicam a mudança no fluxo marítimo global.

## Embarcações se recusam a passar pelo Estreito de Ormuz mesmo sob escolta dos EUA; entenda diferença de rotas

Mesmo com a presença de navios de guerra americanos, embarcações comerciais têm evitado o Estreito de Ormuz, um dos pontos mais estratégicos do comércio global de petróleo. O temor de ataques iranianos, que já atingiram petroleiros na região, leva armadores a optar por caminhos mais longos, mas considerados mais seguros. Entenda as rotas alternativas e os riscos envolvidos.

Embarcações se recusam a passar pelo Estreito de Ormuz mesmo sob escolta dos EUA devido ao risco elevado de ataques iranianos, que já alvejaram navios na região. Rotas alternativas, como o contorno do Cabo da Boa Esperança ou a passagem pelo Mar Vermelho via Canal de Suez, oferecem maior segurança, embora aumentem custos e tempo de viagem.

## Por que o Estreito de Ormuz é tão importante?

O Estreito de Ormuz conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Por ele passa cerca de 20% do petróleo mundial, segundo dados da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA). Irã e Omã controlam suas margens, e o Irã já ameaçou fechar a passagem em momentos de tensão.

## O risco de ataques iranianos

Desde o início do conflito entre Israel e Hamas, o Irã intensificou ações contra navios ligados a Israel e aliados. Em 2024, o grupo houthi, apoiado por Teerã, atacou embarcações no Mar Vermelho com mísseis e drones. No Estreito de Ormuz, a Guarda Revolucionária Iraniana já abordou petroleiros e lançou mísseis contra navios, gerando apreensão entre armadores.

## Rotas alternativas ao Estreito de Ormuz

### 1. Contorno do Cabo da Boa Esperança

A rota mais comum para evitar Ormuz é contornar o Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África. Navios que saem do Golfo Pérsico seguem pelo Oceano Índico, passam pela costa leste africana e cruzam o Atlântico Sul. O trajeto adiciona de 7 a 10 dias de viagem, com aumento de custos de combustível e seguro.

### 2. Mar Vermelho via Canal de Suez

Uma alternativa é seguir pelo Mar Vermelho e atravessar o Canal de Suez, rota comum para navios com destino à Europa. No entanto, essa opção também apresenta riscos, já que os houthis atacam embarcações no Mar Vermelho desde 2023. Navios que optam por essa rota precisam de escolta naval adicional.

### 3. Rota do Cabo da Boa Esperança via Atlântico Sul

Para navios com destino às Américas, a rota mais segura é contornar o Cabo da Boa Esperança e cruzar o Atlântico Sul, passando próximo à costa brasileira. Essa rota evita tanto Ormuz quanto o Mar Vermelho, mas adiciona cerca de 15 dias de viagem em comparação com a passagem direta pelo Oriente Médio.

## Diferenças de custo e tempo entre as rotas

| Rota | Tempo adicional | Custo adicional estimado | Riscos | |------|----------------|--------------------------|--------| | Estreito de Ormuz (direta) | Referência | Referência | Alto: ataques iranianos | | Cabo da Boa Esperança | 7-10 dias | +20-30% em combustível e seguro | Baixo | | Mar Vermelho via Suez | 3-5 dias | +10-15% em seguro de guerra | Médio: ataques houthis | | Cabo da Boa Esperança + Atlântico Sul | 12-15 dias | +30-40% em combustível e seguro | Baixo |

Fonte: estimativas de mercado com base em relatos de armadores e dados da Agência Internacional de Energia (IEA).

## O papel da escolta dos EUA

Os EUA enviaram navios de guerra para o Estreito de Ormuz em 2024, formando uma coalizão para proteger embarcações comerciais. No entanto, a presença militar não eliminou o risco. Em julho de 2024, o Irã tentou apreender dois petroleiros no Golfo de Omã, e a Marinha americana interveio. Para muitos armadores, a escolta não compensa o perigo de um ataque direto.

## Impacto no comércio global de petróleo

A recusa em passar por Ormuz já afeta os preços do petróleo. Em 2025, o prêmio de risco geopolítico elevou o barril em cerca de US$ 5 a US$ 8, segundo analistas da S&P Global. Países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que dependem da passagem, buscam rotas alternativas via oleodutos, como o oleoduto Petroline, que conecta o leste saudita ao Mar Vermelho.

## Perguntas Frequentes

### Por que os navios se recusam a passar pelo Estreito de Ormuz?

Porque o risco de ataques iranianos é alto, mesmo com escolta dos EUA. O Irã já alvejou petroleiros na região, e a Guarda Revolucionária Iraniana realiza abordagens e lançamentos de mísseis contra embarcações.

### Qual é a rota alternativa mais segura?

A rota que contorna o Cabo da Boa Esperança, no sul da África, é considerada a mais segura atualmente, embora adicione de 7 a 10 dias de viagem.

### A escolta dos EUA é eficaz?

A escolta reduz o risco, mas não o elimina. O Irã já tentou apreender navios mesmo com a presença de navios americanos, e muitos armadores consideram o risco ainda alto.

### Quanto custa a mais para evitar Ormuz?

O custo adicional varia de 20% a 40% em combustível e seguro, dependendo da rota escolhida. Navios que optam pelo Cabo da Boa Esperança via Atlântico Sul têm o maior acréscimo.

### Como isso afeta o preço do petróleo?

O prêmio de risco geopolítico elevou o barril em cerca de US$ 5 a US$ 8 em 2025, segundo a S&P Global. A interrupção do fluxo por Ormuz pressiona os preços para cima.

### Existem alternativas terrestres ao estreito?

Sim, oleodutos como o Petroline, que liga o leste da Arábia Saudita ao Mar Vermelho, permitem escoar petróleo sem passar por Ormuz, mas com capacidade limitada.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/embarcacoes-se-recusam-passar-pelo-estreito-ormuz-mesmo-sob-escolta-eua-entenda-/
