# Eleitor e crise no STF: "Vocês estão me atrapalhando"

> Pesquisadora Cila Schulman afirma que o eleitor brasileiro, diante da crise no Supremo Tribunal Federal, rejeita vazamentos de investigações antes da conclusão dos procedimentos. Mais de 60% dos entrevistados por instituto de pesquisa reprovam a divulgação antecipada de dados sigilosos, sinalizando que a exposição midiática de investigações em curso atrapalha o processo eleitoral e a confiança nas instituições.

*Mercado Valor · Economia · 11 de setembro de 2026 · Caetano Vidal*

Em meio à escalada da crise no STF, mais de 60% dos entrevistados por um instituto rejeitam vazamentos de investigações antes da conclusão dos procedimentos. Para a pesquisadora Cila Schulman, o eleitor está dizendo: "vocês estão me atrapalhando".

Em meio à escalada da crise no Supremo Tribunal Federal, a maioria dos brasileiros dá um recado que contrasta com o ritmo do noticiário: prefere que investigações não interfiram no processo eleitoral. A avaliação foi trazida pela CEO do Instituto Ideia, Cila Schulman, durante participação no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney.

Segundo um levantamento do instituto, mais de 60% dos entrevistados disseram que informações de investigações não deveriam vazar antes da conclusão dos procedimentos e também rejeitaram que esse tipo de divulgação ocorra durante o período eleitoral. Para a pesquisadora, o resultado revela que o eleitor brasileiro está menos interessado em acompanhar novos capítulos da crise em Brasília do que em discutir os problemas que afetam diretamente a sua vida.

"O eleitor está dizendo: 'vocês estão me atrapalhando'", afirmou durante o programa desta sexta-feira (11).

## O que mudou em relação à Lava Jato

A percepção aparece em um momento em que o STF passou ao centro da campanha. A crise envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça, os desdobramentos do caso Banco Master e as decisões conflitantes sobre o comando da Polícia Federal passaram a ser explorados tanto pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto pela de Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo Cila, porém, o ambiente atual é diferente daquele observado durante a Operação Lava Jato, quando a insatisfação com a corrupção ajudou a mobilizar parte do eleitorado e alimentou a ascensão de uma candidatura antissistema. O eleitor já experimentou governos dos dois campos que hoje protagonizam a disputa e chega à eleição pressionado por problemas mais imediatos, o que reduz o apetite por novos capítulos da crise institucional.

A analista de política da XP Bárbara Baião também vê uma sobreposição entre a crise institucional e uma insatisfação que já existia antes dela. Segundo Baião, parte do eleitorado está desgastada com o custo de vida e o endividamento e não percebe uma melhora suficiente em sua situação cotidiana. A turbulência em Brasília adicionaria "uma névoa maior numa camada de bastante irritação".

## Risco de abstenção nas urnas

Do ponto de vista eleitoral, o risco para as campanhas é que o excesso de conflitos não provoque apenas indiferença, mas contribua para aumentar a vontade de não comparecer às urnas. Schulman afirmou que o instituto considera a possibilidade de aumento da abstenção, dos votos brancos e dos nulos.

A pesquisadora lembrou que a abstenção histórica brasileira gira em torno de 20% e tende a ser maior entre eleitores de menor escolaridade. Por isso, um aumento da ausência nas urnas pode atingir de maneira desigual as candidaturas, sem um padrão único entre os campos que disputam a eleição.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/eleitor-se-cansou-crise-stf-voces-estao-me-atrapalhando-diz-pesquisadora/
