# Efeito contracionista dos juros se espalha e queda do PIB no 3º tri entra no radar

> A economia brasileira apresenta desaceleração no terceiro trimestre de 2024, com efeito contracionista dos juros altos e fim do impulso fiscal. A queda do PIB no 3º tri entra no radar de economistas, após primeiro trimestre aquecido por estímulos governamentais. A desaceleração reflete a transmissão da política monetária restritiva e a redução do apoio fiscal.

*Mercado Valor · Economia · 31 de agosto de 2026 · Otávio Bandeira*

Após 1º tri aquecido por estímulos fiscais, economia brasileira dá sinais de desaceleração. Com juros altos e fim do impulso fiscal, queda do PIB no 3º tri entra no radar de economistas.

Após um primeiro trimestre aquecido por estímulos fiscais, a economia brasileira começa a dar sinais mais claros de perda de ímpeto, na avaliação de economistas consultados pela Broadcast, sistema de notícias do Grupo Estado. Com a desaceleração se espalhando entre os setores como reflexo dos juros altos, e o impacto das medidas expansionistas saindo de cena, há quem veja chance de o PIB entrar em terreno levemente negativo no terceiro trimestre, após crescimento pífio de abril a junho. Em 2024, o PIB brasileiro somou 11.744.000 R$ milhões (IBGE, 2024-12-31).

No fim do segundo trimestre, todos os dados oficiais de atividade caminharam na mesma direção, culminando com retração maior que o previsto, de 0,64%, do IBC-Br de junho, termômetro mensal do PIB. Excluindo o setor agropecuário, indústria, serviços e impostos recuaram. Para o trimestre seguinte, os dados preliminares apontam desaquecimento adicional. Em julho, as vendas no comércio encolheram 0,1% ante junho, segundo o Iget do Santander com a Getnet, que antecipa a PMC do IBGE. O Idat do Itaú caiu 0,5%. O fluxo pedagiado de veículos ficou estável, segundo ABCR com Tendências, e os índices de confiança da FGV cederam, longe dos 100 pontos.

Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, diz que a perda de dinamismo já estava contratada, diante do patamar contracionista da Selic. "O segundo trimestre, na margem, deve mostrar uma desaceleração evidente, caminhando para uma possível queda do PIB no terceiro trimestre", avalia. Um mapa do Bank of America (BofA) mostra que a atividade arrefeceu de forma espalhada: dos 10 dados de julho disponíveis, três ficaram negativos e quatro quase nulos. Para David Beker, "a tão esperada desaceleração no Brasil finalmente está se consolidando". O índice proprietário do banco sinaliza desaceleração no 3º tri, depois de o PIB passar de 1,1% no 1º tri para 0,3% no 2º.

Marianna Costa, da Mirae Asset, compartilha a percepção de esfriamento, citando o Monitor do PIB da FGV-Ibre, que mostrou expansão de 0,3% no 2º tri. "Se houver uma desaceleração de magnitude um pouco maior no segundo trimestre, a probabilidade de que o PIB venha negativo no terceiro trimestre é maior", diz. O consenso do Focus projeta crescimento de 1,98% em 2026 e 1,5% em 2027. O Itaú revisou para baixo o impulso fiscal em 2026, de 1 p.p. para 0,8 p.p., citando impacto menor da isenção do IR e da redução da fila do INSS análise de mercado.

projeções para o PIB brasileiro

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