Economia resiste aos juros altos: IBC-Br supera expectativas em maio, mas desaceleração segue no radar
O IBC-Br de maio veio acima das expectativas do mercado, indicando que a economia brasileira segue resistindo ao ciclo de aperto monetário. Mas a desaceleração ainda preocupa analistas. Veja os dados oficiais e as projeções.
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de maio surpreendeu o mercado ao subir 0,4% na comparação com abril, segundo dados divulgados pelo BC. O resultado veio acima da mediana das projeções, que apontava alta de 0,2%. A economia brasileira, portanto, mostra resiliência diante do ciclo de juros altos, com a Selic em 9,75% ao ano.
O IBC-Br de maio superou as expectativas do mercado, registrando alta de 0,4% na margem, segundo o Banco Central. O dado mostra resiliência da economia mesmo com a Selic em 9,75% ao ano. Apesar do resultado positivo, a desaceleração segue no radar, com projeções de crescimento mais moderado para o segundo semestre.
O que o IBC-Br revela sobre a economia brasileira em maio
O IBC-Br é considerado uma prévia do PIB, pois acompanha a evolução da atividade econômica em setores como indústria, comércio e serviços. Em maio, o índice acumulou alta de 2,2% nos últimos 12 meses, conforme o BC. O número sugere que o consumo e a produção seguem aquecidos, puxados principalmente pelo mercado de trabalho aquecido e pelos programas de transferência de renda.
Comparação com o PIB oficial
O PIB do primeiro trimestre de 2026 cresceu 0,8% ante o trimestre anterior, segundo o IBGE. O IBC-Br de maio, por sua vez, indica que o segundo trimestre pode repetir o ritmo, embora haja sinais de perda de fôlego. A diferença entre os dois indicadores é que o PIB considera a ótica da oferta e da demanda, enquanto o IBC-Br é um indicador mensal de atividade.
Por que a economia resiste aos juros altos?
A Selic em 9,75% ao ano é o maior patamar desde 2024, mas o efeito sobre a atividade não foi tão forte quanto o esperado. Isso ocorre porque o mercado de trabalho segue robusto: a taxa de desemprego ficou em 7,5% no trimestre encerrado em abril, segundo o IBGE. Além disso, o crédito consignado e o Pix têm facilitado o consumo das famílias.
Outro fator é o desempenho do agronegócio, que sustenta as exportações e a renda no campo. A safra recorde de grãos em 2026, estimada em 320 milhões de toneladas pela Conab, injeta recursos na economia mesmo com juros altos.
Os riscos da desaceleração no radar
Apesar do IBC-Br positivo, analistas do mercado financeiro projetam crescimento menor no segundo semestre. O Boletim Focus, do Banco Central, aponta que o PIB deve crescer 2,1% em 2026, abaixo dos 2,8% de 2025. A inflação, medida pelo IPCA, acumulou 4,2% em 12 meses até maio, acima do centro da meta de 3,5%.
O papel da política fiscal
O governo federal anunciou em maio um contingenciamento de R$ 15 bilhões no Orçamento para cumprir o arcabouço fiscal. A medida, segundo o Ministério da Fazenda, visa controlar a dívida pública e dar credibilidade à política econômica. Mas o impacto sobre investimentos públicos pode frear a atividade nos próximos meses.
Setores que puxaram o IBC-Br em maio
A indústria de transformação cresceu 1,2% em maio, impulsionada pelo setor automotivo e de máquinas, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE. O comércio varejista, por sua vez, subiu 0,8%, com destaque para hipermercados e material de construção. Já o setor de serviços, que responde por 70% do PIB, avançou 0,5%.
O que esperar para o segundo semestre
O mercado projeta que o Banco Central mantenha a Selic em 9,75% ao ano na reunião de agosto, mas há risco de novo aperto se a inflação não ceder. O IBC-Br de maio, embora positivo, não deve mudar a trajetória de juros, segundo a ata do Copom. Copom e a decisão de juros
Para o investidor, o cenário é de cautela: a economia resiste, mas a desaceleração pode pegar muitos de surpresa. O fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira segue positivo, mas com volatilidade.
Perguntas Frequentes
O que é o IBC-Br?
O IBC-Br é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central, uma prévia mensal do PIB que acompanha a evolução da produção industrial, do comércio e dos serviços.
O IBC-Br de maio superou as expectativas?
Sim. O índice subiu 0,4% em maio ante abril, acima da mediana das projeções de 0,2%, segundo o Banco Central.
A economia brasileira está crescendo apesar dos juros altos?
Sim. O IBC-Br acumula alta de 2,2% em 12 meses, impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido e pelo agronegócio.
Quais os riscos para a economia no segundo semestre?
Os principais riscos são a inflação acima da meta, o contingenciamento fiscal e a possibilidade de novos aumentos da Selic.
O que o mercado espera para o PIB em 2026?
O Boletim Focus projeta crescimento de 2,1% para o PIB em 2026, abaixo dos 2,8% de 2025.