# Economia resiste aos juros altos: IBC-Br supera expectativas em maio, mas desaceleração segue no radar

> O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) de maio superou as expectativas do mercado, indicando resiliência da economia brasileira aos juros altos. Apesar do resultado positivo, analistas mantêm preocupação com a desaceleração econômica. Dados oficiais e projeções reforçam o cenário de cautela para os próximos meses.

*Mercado Valor · Economia · 17 de julho de 2026 · Otávio Bandeira*

O IBC-Br de maio veio acima das expectativas do mercado, indicando que a economia brasileira segue resistindo ao ciclo de aperto monetário. Mas a desaceleração ainda preocupa analistas. Veja os dados oficiais e as projeções.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de maio surpreendeu o mercado ao subir 0,4% na comparação com abril, segundo dados divulgados pelo BC. O resultado veio acima da mediana das projeções, que apontava alta de 0,2%. A economia brasileira, portanto, mostra resiliência diante do ciclo de juros altos, com a Selic em 9,75% ao ano.

O IBC-Br de maio superou as expectativas do mercado, registrando alta de 0,4% na margem, segundo o Banco Central. O dado mostra resiliência da economia mesmo com a Selic em 9,75% ao ano. Apesar do resultado positivo, a desaceleração segue no radar, com projeções de crescimento mais moderado para o segundo semestre.

## O que o IBC-Br revela sobre a economia brasileira em maio

O IBC-Br é considerado uma prévia do PIB, pois acompanha a evolução da atividade econômica em setores como indústria, comércio e serviços. Em maio, o índice acumulou alta de 2,2% nos últimos 12 meses, conforme o BC. O número sugere que o consumo e a produção seguem aquecidos, puxados principalmente pelo mercado de trabalho aquecido e pelos programas de transferência de renda.

### Comparação com o PIB oficial

O PIB do primeiro trimestre de 2026 cresceu 0,8% ante o trimestre anterior, segundo o IBGE. O IBC-Br de maio, por sua vez, indica que o segundo trimestre pode repetir o ritmo, embora haja sinais de perda de fôlego. A diferença entre os dois indicadores é que o PIB considera a ótica da oferta e da demanda, enquanto o IBC-Br é um indicador mensal de atividade.

## Por que a economia resiste aos juros altos?

A Selic em 9,75% ao ano é o maior patamar desde 2024, mas o efeito sobre a atividade não foi tão forte quanto o esperado. Isso ocorre porque o mercado de trabalho segue robusto: a taxa de desemprego ficou em 7,5% no trimestre encerrado em abril, segundo o IBGE. Além disso, o crédito consignado e o Pix têm facilitado o consumo das famílias.

Outro fator é o desempenho do agronegócio, que sustenta as exportações e a renda no campo. A safra recorde de grãos em 2026, estimada em 320 milhões de toneladas pela Conab, injeta recursos na economia mesmo com juros altos.

## Os riscos da desaceleração no radar

Apesar do IBC-Br positivo, analistas do mercado financeiro projetam crescimento menor no segundo semestre. O Boletim Focus, do Banco Central, aponta que o PIB deve crescer 2,1% em 2026, abaixo dos 2,8% de 2025. A inflação, medida pelo IPCA, acumulou 4,2% em 12 meses até maio, acima do centro da meta de 3,5%.

### O papel da política fiscal

O governo federal anunciou em maio um contingenciamento de R$ 15 bilhões no Orçamento para cumprir o arcabouço fiscal. A medida, segundo o Ministério da Fazenda, visa controlar a dívida pública e dar credibilidade à política econômica. Mas o impacto sobre investimentos públicos pode frear a atividade nos próximos meses.

## Setores que puxaram o IBC-Br em maio

A indústria de transformação cresceu 1,2% em maio, impulsionada pelo setor automotivo e de máquinas, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE. O comércio varejista, por sua vez, subiu 0,8%, com destaque para hipermercados e material de construção. Já o setor de serviços, que responde por 70% do PIB, avançou 0,5%.

## O que esperar para o segundo semestre

O mercado projeta que o Banco Central mantenha a Selic em 9,75% ao ano na reunião de agosto, mas há risco de novo aperto se a inflação não ceder. O IBC-Br de maio, embora positivo, não deve mudar a trajetória de juros, segundo a ata do Copom. Copom e a decisão de juros

Para o investidor, o cenário é de cautela: a economia resiste, mas a desaceleração pode pegar muitos de surpresa. O fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira segue positivo, mas com volatilidade.

## Perguntas Frequentes

### O que é o IBC-Br?

O IBC-Br é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central, uma prévia mensal do PIB que acompanha a evolução da produção industrial, do comércio e dos serviços.

### O IBC-Br de maio superou as expectativas?

Sim. O índice subiu 0,4% em maio ante abril, acima da mediana das projeções de 0,2%, segundo o Banco Central.

### A economia brasileira está crescendo apesar dos juros altos?

Sim. O IBC-Br acumula alta de 2,2% em 12 meses, impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido e pelo agronegócio.

### Quais os riscos para a economia no segundo semestre?

Os principais riscos são a inflação acima da meta, o contingenciamento fiscal e a possibilidade de novos aumentos da Selic.

### O que o mercado espera para o PIB em 2026?

O Boletim Focus projeta crescimento de 2,1% para o PIB em 2026, abaixo dos 2,8% de 2025.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/economia-resiste-aos-juros-altos-ibc-br-supera-expectativas-maio-mas-desacelerac/
