# Economia climática pode criar as próximas gigantes globais, como se preparar

> Economia climática representa uma oportunidade histórica para criar as próximas gigantes globais, similar à Revolução Digital dos anos 1970. Investidores brasileiros ainda não perceberam o potencial desse setor. Quem chegar tarde pode perder os maiores retornos financeiros. Preparação estratégica exige antecipação e alocação de capital em soluções sustentáveis e inovadoras.

*Mercado Valor · Economia · 20 de julho de 2026 · Bianca Solano*

A economia climática pode criar as próximas gigantes globais, assim como a Revolução Digital fez nos anos 1970. Especialistas alertam que investidores brasileiros ainda não perceberam a oportunidade, e quem chegar tarde pode perder os maiores retornos.

A economia climática pode criar as próximas gigantes globais, e os investidores brasileiros ainda não perceberam o tamanho da oportunidade. A comparação vem de especialistas ouvidos no programa _O Clima na Faria Lima_, apresentado por Marina Cançado: assim como nos anos 1970, quando investir em software para computadores pessoais parecia arriscado, hoje as empresas que liderarão mercados daqui a 40 anos estão nascendo.

A transformação climática não é um setor isolado. Para Júlia Marisa Sekula, cofundadora e CFO da Terradot, o clima funciona como uma lente que atravessa toda a economia, bancos, agronegócio, comércio e serviços. Empresas começam a identificar problemas e oportunidades em materiais com menor pegada de carbono, monitoramento ambiental, agricultura resiliente, armazenamento de energia, captura de carbono e tratamento de água e resíduos.

## Por que a comparação com a Revolução Digital faz sentido

Zé Gustavo, diretor-executivo do Fórum Brasileiro das Climatechs, propõe um exercício: imagine um jovem Bill Gates buscando recursos para desenvolver programas para microcomputadores pessoais no fim dos anos 1970. Na época, muitos argumentariam que a tecnologia nunca seria adotada em larga escala. A história mostrou o contrário, e a Microsoft se tornou uma das empresas mais valiosas do mundo.

"As empresas que vão liderar os mercados daqui 40 anos, quando essas transformações do clima acontecerem, estão nascendo agora", questiona Zé Gustavo. "Em que momento você vai entrar?"

## O risco de chegar tarde

Muitos investidores ainda analisam a transformação climática pelo risco e pelo custo, em vez de enxergar a oportunidade. Esse comportamento pode fazer com que o capital chegue apenas quando os mercados estiverem maduros e as empresas já valorizadas. Na Revolução Digital, quem esperou perdeu as fases iniciais de crescimento. Na economia climática, o risco de chegar tarde é semelhante.

## Como as empresas estão se preparando

Segundo Júlia, grandes companhias já buscam garantir fornecedores de tecnologias climáticas para daqui a cinco ou dez anos, antecipando regras que imporão custos diretos às emissões de carbono. Mecanismos de precificação de carbono e barreiras comerciais associadas às emissões podem criar mercados de grande escala.

A transformação envolverá tanto empresas estabelecidas quanto startups. Grandes empresas têm capital e infraestrutura, mas se movimentam mais devagar. Startups testam tecnologias com maior velocidade. Parte será adquirida por companhias tradicionais; outras poderão desafiar os atuais líderes.

## O que isso significa para o investidor brasileiro

Apesar das vantagens em biodiversidade, agricultura e energia, o Brasil ainda recebe uma parcela reduzida dos recursos globais destinados a tecnologias climáticas. Para Zé Gustavo, a hesitação dos investidores tradicionais pode custar caro: quando as climatechs de hoje se tornarem líderes, a pergunta não será por que cresceram, mas por que tão poucos brasileiros perceberam a oportunidade a tempo.

## Perguntas Frequentes

### A economia climática é um setor específico?

Não. Especialistas afirmam que o clima funciona como uma lente que pode ser aplicada a praticamente todas as atividades econômicas, assim como a tecnologia está presente em bancos, agronegócio e serviços.

### Quais áreas podem gerar as próximas gigantes?

Materiais com menor pegada de carbono, sistemas de monitoramento, agricultura resiliente, armazenamento de energia, captura de carbono e tratamento de água e resíduos são algumas das frentes mencionadas.

### Por que investidores brasileiros hesitam?

Segundo Zé Gustavo, muitos focam no risco e no custo, em vez de enxergar a oportunidade, comportamento que pode fazer o capital chegar tarde, quando os mercados já estiverem maduros.

### Startups ou grandes empresas liderarão a transformação?

Ambas. Grandes empresas têm capital e acesso ao mercado, mas se movem mais devagar. Startups testam modelos com velocidade. Parte será adquirida, outras crescerão para desafiar líderes atuais.

### Como as regulações impulsionam esse mercado?

Mecanismos de precificação de carbono e barreiras comerciais associadas a emissões criam demanda por tecnologias climáticas, e grandes companhias já buscam fornecedores para se antecipar a futuras regras.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/economia-climatica-pode-criar-proximas-gigantes-globais/
