# Ajuste fiscal sem novos impostos: plano de Durigan em detalhes

> Dario Durigan, ministro da Fazenda, apresentou nesta segunda-feira (31) o plano de ajuste fiscal sem novos impostos. A estratégia governamental reduz o ritmo de gastos obrigatórios e revisa benefícios sociais. O objetivo é equilibrar as contas públicas sem elevar a carga tributária. A proposta detalha cortes em despesas vinculadas e reavaliação de programas existentes.

*Mercado Valor · Economia · 31 de agosto de 2026 · Bianca Solano*

Dario Durigan, ministro da Fazenda, apresentou nesta segunda-feira (31) a estratégia do governo para o ajuste fiscal: sem novos impostos, com redução do ritmo de gastos obrigatórios e revisão de benefícios. Entenda os detalhes.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva pretende fazer o ajuste das contas públicas nos próximos anos sem recorrer a uma nova rodada de aumento de impostos. A estratégia apresentada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, passa principalmente pela redução do ritmo de crescimento das despesas obrigatórias, revisão de benefícios tributários e maior eficiência dos programas sociais.

As medidas foram apresentadas nesta segunda-feira (31), durante o BTG Pactual Macro Day 2026, em São Paulo. O evento reuniu Durigan e o economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, em uma discussão sobre as perspectivas fiscais e econômicas do Brasil.

Segundo o ministro, a prioridade é criar condições para uma redução dos juros, atualmente em 14% ao ano, ao mesmo tempo em que o governo busca cumprir as metas de resultado primário estabelecidas para as contas públicas.

"Uma política fiscal muito responsável é o nosso principal compromisso para os próximos anos", afirmou Durigan durante o evento.

## O que muda nas despesas obrigatórias

Durigan colocou o crescimento das despesas obrigatórias entre os principais pontos da agenda fiscal. Segundo ele, esse tipo de gasto ocupa parcela relevante do Orçamento e precisa crescer em ritmo inferior ao limite geral estabelecido pelo arcabouço fiscal.

A intenção do governo é preservar a atual regra fiscal, em vez de promover uma mudança no arcabouço. Ao mesmo tempo, a equipe econômica pretende continuar revisando benefícios tributários considerados sem justificativa econômica.

A estratégia também inclui uma revisão dos programas sociais, com maior controle dos critérios de concessão e monitoramento dos beneficiários. A ideia, segundo o ministro, é aumentar a eficiência das despesas sem necessariamente reduzir a cobertura das políticas públicas.

O espaço fiscal obtido com essas medidas poderia ser direcionado a investimentos públicos considerados estratégicos, especialmente em setores nos quais o setor privado ainda não tenha disposição para assumir riscos elevados.

## Superávit primário a partir de 2027

Durigan também afirmou que o governo espera registrar superávits primários crescentes e recorrentes a partir de 2027.

O resultado primário considera receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida. É um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado para avaliar a sustentabilidade das contas públicas.

O cenário recente, porém, mostra o peso crescente do serviço da dívida. Segundo os dados apresentados na discussão, o déficit primário caiu de 2,4% do PIB para cerca de 0,5% do PIB, mas essa melhora ocorreu em grande parte com aumento da arrecadação e da carga tributária.

Ao mesmo tempo, o gasto com juros avançou de 6% do PIB em 2023 para 8,5% neste ano, anulando integralmente o ganho obtido no resultado primário.

É justamente nesse ponto que a política fiscal se conecta à trajetória da Selic: quanto maior a percepção de risco fiscal e a necessidade de financiamento do governo, maior tende a ser a pressão sobre os juros e sobre o custo de carregamento da dívida.

## Transformação digital do Estado

Outro eixo apresentado por Durigan é a transformação digital do Estado.

O ministro defendeu uma administração pública mais eficiente e menos burocrática, com uso de tecnologias como inteligência artificial (IA) para melhorar processos e reduzir custos.

A agenda, segundo ele, faz parte de uma estratégia mais ampla de aumento de produtividade do setor público.

## Agenda microeconômica e spread bancário

Além disso, o governo pretende fortalecer a agenda microeconômica. Entre as prioridades estão reformas regulatórias para reduzir abusos em processos de recuperação judicial e falência, com o objetivo de diminuir custos e riscos no sistema financeiro e, consequentemente, o spread bancário, diferença entre o custo de captação dos bancos e as taxas cobradas dos clientes.

## Combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro

Durigan também defendeu que a política econômica não pode ser analisada apenas pela ótica fiscal.

Para o ministro, o combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro tem impacto direto sobre o ambiente de negócios, a concorrência e a segurança jurídica necessária para atrair investimentos privados.

A estratégia do governo deve priorizar o combate à lavagem de dinheiro, com uso de inteligência, integração de informações e cooperação entre União, estados e municípios.

Durigan citou operações recentes envolvendo instituições financeiras e empresas como exemplos de uma agenda que pretende atacar a economia ilegal.

"A gente vai conseguir fazer uma Carbono Oculto a cada dois meses no país, se a gente tiver o compromisso político de avançar contra o crime organizado, em especial a lavagem de dinheiro no andar de cima", afirmou.

Mansueto Almeida reforçou que o combate à economia ilegal pode contribuir para melhorar o ambiente de negócios e dar maior segurança jurídica aos investimentos privados.

## Investimento público e privado: a combinação planejada

Apesar do foco sobre as contas públicas, Durigan afirmou que a estratégia econômica do governo também passa pelo fortalecimento do setor privado.

A ideia é combinar investimentos públicos em áreas consideradas estratégicas com medidas capazes de destravar investimentos privados.

Na avaliação do ministro, o Estado deve concentrar recursos em projetos nos quais o setor privado não tenha apetite suficiente para assumir os riscos, enquanto reformas regulatórias e medidas de produtividade devem ajudar a ampliar a participação das empresas.

A combinação entre controle do gasto, cumprimento das metas fiscais, redução dos juros e estímulo ao investimento privado será, portanto, o eixo da política econômica para os próximos anos.

## Perguntas Frequentes

### O que é o resultado primário?

O resultado primário considera receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida. É um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado para avaliar a sustentabilidade das contas públicas.

### O que é o spread bancário?

O spread bancário é a diferença entre o custo de captação dos bancos e as taxas cobradas dos clientes. A agenda microeconômica do governo inclui reformas para reduzir abusos em recuperação judicial e falência, com o objetivo de diminuir custos e riscos no sistema financeiro.

### Quando o governo espera registrar superávits primários?

O governo espera registrar superávits primários crescentes e recorrentes a partir de 2027.

### O que é o arcabouço fiscal?

O arcabouço fiscal é a regra que limita o crescimento das despesas do governo. A intenção do governo é preservar a atual regra fiscal, em vez de promover uma mudança no arcabouço.

### Como o combate à lavagem de dinheiro afeta a economia?

O combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro tem impacto direto sobre o ambiente de negócios, a concorrência e a segurança jurídica, fatores que influenciam a atração de investimentos privados.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/durigan-promete-ajuste-fiscal-sem-novos-impostos-corte-gastos-obrigatorios-abrir/
