# Dólar sobe a R$ 5,19 com alta nos juros dos EUA no radar

> O dólar à vista subiu 0,67% nesta sexta-feira (28), cotado a R$ 5,1965, pressionado pela expectativa de alta nos juros dos Estados Unidos. O movimento reflete falas do Federal Reserve, enquanto o Caged fraco no Brasil reforça a possibilidade de cortes na Selic. A moeda norte-americana encerrou o dia em alta, com o mercado ajustando posições diante do cenário externo.

*Mercado Valor · Economia · 28 de agosto de 2026 · Otávio Bandeira*

O dólar à vista subiu 0,67% nesta sexta (28), a R$ 5,1965, com o mercado antecipando a alta de juros nos EUA. Falas do Fed pesaram; Caged fraco abre espaço para cortes na Selic.

O dólar à vista encerrou a sessão e a semana em tom positivo, com o mercado antecipando a aposta de alta nos juros nos Estados Unidos de outubro para setembro. Nesta sexta-feira (28), a divisa subiu 0,67%, a R$ 5,1965, no mercado à vista. Durante o pregão, chegou a atingir R$ 5,2308 (+1,33%).

O movimento local acompanhou o dólar global. Por volta de 17h, o DXY, indicador que compara a moeda a uma cesta de seis divisas, como euro e libra, operava com alta de 0,50%, aos 99,655 pontos. Na semana, o dólar à vista teve valorização de 1%.

O mercado de câmbio repercutiu o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole. O chair afirmou que o Fed "terá trabalho a fazer" caso a inflação não caminhe rapidamente para a meta de 2%. "Este é o meu critério: devemos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Esse é o nosso trabalho, nosso mandato, e nossa responsabilidade", disse Warsh.

Segundo ele, "o progresso [de levar a inflação à meta] nos últimos dois anos tem sido modesto". Na última quarta-feira (26), o PCE, a inflação preferida do Fed, registrou alta de 3,7% em agosto, acima da meta e das expectativas do mercado. As falas de Warsh fizeram os agentes financeiros antecipar a aposta de alta nos juros americanos de outubro para setembro. Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 57,5% de chance de o BC dos EUA elevar os juros em 25 pontos-base, para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, contra 35,7% antes do discurso. Já a probabilidade de manutenção na faixa de 3,50% a 3,75% caiu de 64,3% para 42,5%.

No cenário doméstico, o mercado reagiu a novos dados. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o Brasil criou 58.568 empregos com carteira assinada em julho, abaixo do esperado. O resultado refletiu na ponta curta da curva de juros futuros, com a leitura de que o dado abre espaço para novos cortes na Selic, hoje em 14% ao ano. A taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 bateu mínima intradia a 13,615%, ante 13,630% do fechamento anterior. o que é a Selic e como ela afeta seus investimentos

"No contexto geral da atividade, vemos que a economia como um todo modera o ritmo de crescimento, em linha com a política monetária restritiva. Com isso, vemos condições para o Copom continuar cortando a Selic nas reuniões restantes deste ano, levando a taxa básica de juros a 13,25 até dezembro", afirmou André Valério, economista sênior do Inter. O saldo dos últimos dias, avalia Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, mostra "um mercado dividido entre o otimismo com a economia doméstica e os desafios do cenário internacional".

---

Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/dolar-sobe-r-519-alta-juros-eua-radar/
