# Dólar avança a R$ 5,18 com eleições no radar dos investidores

> O dólar à vista fechou a R$ 5,1799 nesta quarta-feira (12), com alta de 0,37%, refletindo o cenário eleitoral e a incerteza sobre a política econômica do próximo governo. No exterior, o índice DXY subiu 0,17%, reforçando a pressão sobre a moeda brasileira. A cotação permanece sensível às expectativas fiscais domésticas.

*Mercado Valor · Economia · 12 de agosto de 2026 · Rubens Athayde*

O dólar à vista fechou a R$ 5,1799 nesta quarta-feira (12), com alta de 0,37%, ainda pressionado pelo cenário eleitoral e pela política econômica do próximo governo. No exterior, o DXY subiu 0,17%.

## Dólar avança a R$ 5,18 com eleições ainda no radar dos investidores

O dólar à vista estendeu os ganhos da sessão anterior nesta quarta-feira (12), ainda como reflexo da entrada do cenário eleitoral e da política econômica do próximo governo no radar dos investidores. A divisa terminou as negociações a R$ 5,1799, com alta de 0,37%.

## O que moveu o câmbio hoje: eleições, inflação e déficit dos EUA

A sessão foi marcada por dois vetores opostos. No começo do dia, o dólar operava em baixa, diante do dado mais benigno da inflação de preços ao consumidor (CPI, em inglês) de julho nos Estados Unidos. O número corroborou a expectativa de um Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) menos agressivo na condução da política monetária.

Porém, o alívio durou pouco. O câmbio seguiu pressionado com o cenário eleitoral pesando no dólar à vista. Na avaliação de Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, na máxima a divisa chegou a bater R$ 5,1791 (+0,35%) sem um gatilho específico para a desvalorização do real.

"A interpretação predominante entre os analistas é de que o movimento refletiu a continuidade das preocupações com o cenário eleitoral doméstico", afirma o analista da StoneX.

## DXY e o cenário externo: inflação benigna vs. déficit recorde

No exterior, a divisa teve um dia volátil. Os dados mais benignos da inflação americana deram suporte inicial, mas a pressão veio dos números do déficit norte-americano. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara a moeda a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava em alta de 0,17%, aos 100.001 pontos.

O avanço no déficit orçamentário dos EUA pesou sobre o título do Tesouro norte-americano de 30 anos e, consequentemente, no dólar. O déficit acumulado no ano fiscal de 2026, de US$ 1,8 trilhão, já superou o total de 2025 (US$ 1,775 trilhão).

## Fed Watch: mercado ainda aposta em alta de juros em outubro

Por ora, a ferramenta Fed Watch, do CME Group, segue apontando alta nos juros na reunião de outubro do Fed, cenário esperado por 54,7% do mercado. Esse percentual reflete a leitura de que o banco central americano ainda não deve flexibilizar a política monetária tão cedo, mesmo com o CPI mais fraco.

## O que esperar do câmbio nos próximos dias

Segundo Mattos, na sessão anterior, as preocupações com o cenário eleitoral já haviam provocado uma forte desvalorização do real e uma alta expressiva das taxas de juros futuros. "Hoje, houve relatos de investidores reduzindo posições em derivativos na B3, movimento que acabou pressionando também o mercado à vista", afirma.

Para o investidor, o cenário segue de cautela. O câmbio deve continuar sensível aos desdobramentos eleitorais e aos dados fiscais dos EUA. A combinação de incerteza doméstica e déficit externo tende a manter a volatilidade nas próximas sessões.

## Contexto recente do dólar PTAX

Segundo o Banco Central, o dólar PTAX de venda fechou em R$ 5,1639 em 12/08/2026, ante R$ 5,1285 no dia anterior e R$ 5,0963 em 10/08/2026. A sequência recente mostra uma trajetória de alta: R$ 5,0908 em 07/08, R$ 5,1017 em 06/08 e R$ 5,1154 em 05/08.

## Análise: o ciclo sempre vira, mas o timing é incerto

O movimento de hoje reforça a leitura de que o câmbio está sendo guiado mais por expectativas do que por fundamentos imediatos. A ausência de um gatilho específico para a desvalorização do real, apontada pelo analista da StoneX, indica que o mercado está precificando cenários futuros, não fatos concretos.

Para quem acompanha o mercado de câmbio, a lição é clara: em períodos eleitorais, a volatilidade tende a ser maior e as correções, mais bruscas. O investidor que busca proteção deve monitorar tanto o cenário doméstico quanto o fiscal americano, já que ambos influenciam diretamente a cotação do dólar.

## Perguntas Frequentes

### Por que o dólar subiu hoje?

O dólar subiu 0,37% e fechou a R$ 5,1799, pressionado pelo cenário eleitoral doméstico e pelo avanço do déficit orçamentário dos EUA, que pesou sobre o título de 30 anos do Tesouro americano.

### O que é o DXY?

O DXY é um indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra. Hoje, ele operava em alta de 0,17%, aos 100.001 pontos.

### O que o Fed Watch indica para os juros dos EUA?

A ferramenta Fed Watch, do CME Group, aponta alta nos juros na reunião de outubro do Fed, cenário esperado por 54,7% do mercado.

### Qual o impacto do déficit dos EUA no câmbio?

O déficit acumulado no ano fiscal de 2026, de US$ 1,8 trilhão, já superou o total de 2025 (US$ 1,775 trilhão), pressionando os títulos do Tesouro e, consequentemente, o dólar.

### Como o cenário eleitoral afeta o real?

A interpretação predominante entre analistas é de que o movimento refletiu a continuidade das preocupações com o cenário eleitoral doméstico, sem um gatilho específico para a desvalorização da moeda brasileira.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/dolar-avanca-r-518-eleicoes-ainda-radar-investidores/
