# Dois fatores que podem ajudar o Brasil a cortar juros, segundo HSBC

> O HSBC aponta dois fatores para o Brasil cortar juros: controle fiscal rigoroso e alívio externo. O cumprimento do arcabouço fiscal reduz prêmios de risco, enquanto a queda dos juros globais alivia pressões cambiais. Esses elementos podem permitir ao Copom reduzir a Selic, dependendo da evolução da inflação e das expectativas de mercado.

*Mercado Valor · Economia · 15 de julho de 2026 · Otávio Bandeira*

O HSBC aponta dois fatores que podem permitir ao Brasil cortar juros: controle fiscal e alívio externo. Entenda como esses elementos influenciam a Selic e o que esperar do Copom.

O HSBC, um dos maiores bancos de investimento do mundo, divulgou relatório apontando dois fatores que podem abrir caminho para o Brasil cortar os juros básicos (Selic) nos próximos meses. A análise, baseada em dados macroeconômicos e expectativas de mercado, destaca a importância do cenário fiscal doméstico e do ambiente externo.

A Selic, atualmente em 14,25% ao ano, é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação. O Copom (Comitê de Política Monetária) mantém a taxa elevada para conter pressões inflacionárias. Mas, segundo o HSBC, dois movimentos podem mudar esse quadro.

## O primeiro fator: consolidação fiscal

O primeiro fator é o avanço da consolidação fiscal. O governo brasileiro tem se comprometido com o arcabouço fiscal, que limita o crescimento das despesas ao aumento da receita. Para o HSBC, a aprovação de medidas que reduzam o déficit público primário sinaliza responsabilidade fiscal, o que reduz o prêmio de risco exigido pelos investidores.

Dados do Banco Central mostram que o déficit nominal do setor público consolidado atingiu 8,3% do PIB em 2025. Quanto menor o risco fiscal, menor a pressão sobre os juros futuros, abrindo espaço para cortes na Selic. A dívida pública bruta, que fechou 2025 em 78,4% do PIB (Banco Central, jan/2026), é um indicador acompanhado de perto.

## O segundo fator: alívio externo

O segundo fator é o cenário externo. O HSBC aponta que a expectativa de queda dos juros nos Estados Unidos, com o Federal Reserve (Fed) sinalizando cortes na taxa básica, reduz a pressão sobre o real e sobre os fluxos de capital. Juros americanos mais baixos diminuem a atratividade de títulos do Tesouro dos EUA, favorecendo investimentos em mercados emergentes como o Brasil.

A taxa básica americana (fed funds rate) está em 5,25% ao ano, e o mercado projeta cortes a partir do segundo semestre de 2026. Esse alívio externo, combinado com a consolidação fiscal, pode permitir ao Copom iniciar um ciclo de afrouxamento monetário.

## O que o mercado espera para a Selic?

O mercado financeiro, segundo o relatório Focus do Banco Central, projeta a Selic em 12,50% ao ano no fim de 2026, indicando cortes de 1,75 ponto percentual ao longo do ano. O HSBC, no entanto, vê espaço para cortes mais agressivos se os dois fatores se confirmarem.

A inflação acumulada em 12 meses, medida pelo IPCA, encerrou maio em 4,2% (IBGE, mai/2026), ainda acima da meta de 3% do CMN. O Copom precisa de convicção de que a inflação está convergindo para a meta antes de cortar juros.

## Como os fatores interagem?

A interação entre os dois fatores é crucial. Se o fiscal não avançar, o prêmio de risco permanece alto, e o real pode se desvalorizar, pressionando a inflação e impedindo cortes. Se o externo piorar (juros americanos subirem), o real se enfraquece, e o Copom precisa manter a Selic elevada para conter a inflação importada.

O HSBC sugere que o cenário base é de cortes moderados, mas que a combinação de ambos os fatores pode acelerar o ciclo. Para o investidor, isso significa que títulos de renda fixa prefixados podem se valorizar com a queda dos juros futuros renda fixa prefixada 2026.

## Perguntas Frequentes

### O que é a Selic?

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom do Banco Central. Ela influencia todas as outras taxas de juros do país.

### Por que o HSBC acredita que o Brasil pode cortar juros?

O banco aponta dois fatores: consolidação fiscal, que reduz riscos, e cenário externo favorável, com queda dos juros americanos.

### Quando o Copom deve começar a cortar a Selic?

O mercado projeta cortes a partir do segundo semestre de 2026, mas o HSBC vê possibilidade de início mais cedo se os fatores se confirmarem.

### O que é o arcabouço fiscal?

É o conjunto de regras que limita o crescimento das despesas do governo, aprovado em 2023 para garantir sustentabilidade fiscal.

### Como a queda dos juros americanos afeta o Brasil?

Juros americanos mais baixos reduzem a atratividade de títulos dos EUA, favorecendo investimentos em mercados emergentes e aliviando a pressão sobre o real.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/dois-fatores-podem-ajudar-brasil-cortar-juros-segundo-hsbc/
