# Diretor do Fed sinaliza possível manutenção da taxa de juros em setembro

> Christopher Waller, diretor do Federal Reserve, sinalizou possível manutenção da taxa de juros em setembro, condicionada à continuidade da queda da inflação. A declaração influencia diretamente investimentos globais, câmbio e bolsas, com impacto relevante para o Brasil. A decisão final dependerá dos próximos dados econômicos, especialmente o índice de preços ao consumidor.

*Mercado Valor · Economia · 03 de setembro de 2026 · Otávio Bandeira*

Diretor do Fed, Christopher Waller, diz estar disposto a defender a manutenção da taxa de juros em setembro se a inflação continuar a recuar. Decisão afeta investimentos globais, câmbio e bolsas. Entenda os cenários e o impacto para o Brasil.

O diretor do Federal Reserve, Christopher Waller, afirmou nesta quinta-feira (3) que, se os próximos dados confirmarem a redução das pressões inflacionárias, está inclinado a defender a manutenção da taxa de juros na próxima reunião de política monetária do banco central dos Estados Unidos. A declaração ocorre em um momento em que investidores monitoram cada sinal sobre o rumo dos juros americanos, que influenciam mercados globais, incluindo o Brasil.

Em discurso preparado para o evento Reuters NEXT Newsmaker, em Washington, Waller disse: "Minha decisão sobre a postura adequada da política monetária será fortemente influenciada pelo que soubermos sobre a inflação de agosto". Ele completou: "Se houver progresso contínuo em direção à nossa meta de 2%, estarei disposto a defender a manutenção da taxa de juros no nível atual". A atual taxa do Fed está entre 3,50% e 3,75%, e Waller acredita que ela está "restringindo apenas ligeiramente a demanda agregada".

Mas o diretor alertou que uma trajetória de alta também é possível. "Se a inflação vier forte, eu consideraria um aumento dos juros" na reunião de 15 e 16 de setembro, disse. Ele observou que a inflação está "significativamente acima" da meta de 2%, mas avança "de forma lenta, porém contínua" em direção a ela. "Talvez não seja necessária uma grande aceleração da inflação para me levar a defender uma política monetária mais restritiva", acrescentou.

Os investidores, que antes precificavam cerca de 60% de chance de um aumento de 0,25 ponto percentual, reduziram as apostas após as declarações. Agora, a probabilidade estimada é pouco acima de 50%. Na semana passada, no simpósio de Jackson Hole, o chair do Fed, Kevin Warsh, indicou que, se as pressões inflacionárias não se moderarem, o Fed deve agir para garantir que isso ocorra.

Para o investidor brasileiro, a decisão do Fed tem efeito prático. Juros americanos mais altos tendem a fortalecer o dólar e pressionar o câmbio, o que pode impactar a inflação local e as decisões do Banco Central. No cenário atual, a Selic está em 14% ao ano, um patamar elevado que reflete a preocupação com a inflação doméstica. Se o Fed mantiver os juros, o alívio pode ser maior para ativos de risco, como ações e moedas de emergentes. Se aumentar, o efeito pode ser o oposto.

A reunião do Fed acontece em 15 e 16 de setembro, e os dados de inflação de agosto, que serão divulgados nas próximas semanas, serão o fator decisivo. Por enquanto, o mercado segue dividido, e a cautela deve prevalecer até lá. como a taxa de juros americana afeta o câmbio

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