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Custo da guerra no Irã chega a US$ 38 bilhões, diz CBO

A guerra dos Estados Unidos contra o Irã, que já dura seis meses, custou US$ 38 bilhões até 1º de agosto, e a projeção é de acréscimo de US$ 3 bilhões por mês. Os números são do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), órgão apartidário responsável por análises orçamentárias, divulgados nesta terça-feira (15), enquanto o governo Trump busca formas de encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz.

O CBO calcula ainda que a guerra deve elevar a inflação em 0,5% nos três primeiros meses de 2027. O valor apurado ficou próximo dos US$ 37,5 bilhões que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, informou em audiência no Senado em 21 de julho.

O que mudou com o novo relatório

A maior parte do custo decorre da rápida redução dos estoques de munições. O CBO estima que os EUA podem levar cinco anos para reabastecê-los. A Reuters informou em agosto que o país havia utilizado "praticamente todos" os seus mísseis de precisão de longo alcance durante a guerra.

O Departamento de Defesa não cooperou com os auditores financeiros do Congresso, segundo o CBO. A investigação foi conduzida a pedido do principal democrata da Comissão de Orçamento da Câmara, Brendan Boyle, da Pensilvânia.

"A guerra desastrosa de Donald Trump no Irã já tirou a vida de bravos militares norte-americanos e deixou outros feridos", afirmou Boyle em comunicado. "Além desse custo humano, este relatório apartidário do CBO deixa claro que a guerra também custou aos contribuintes norte-americanos dezenas de bilhões de dólares, e esse número continua aumentando."

Dezoito militares norte-americanos morreram no conflito.

Estoques, inflação e pressão fiscal

O relatório não incluiu os custos dos recentes ataques a embarcações comerciais no Estreito de Ormuz nem os ataques a instalações militares dos EUA na região. Também deixou de fora as despesas com empréstimos associadas ao financiamento da guerra, o que poderia adicionar dezenas de bilhões de dólares ao total.

Os choques energéticos causados por ataques no Estreito de Ormuz, via pela qual passavam cerca de 20% do petróleo mundial antes da guerra, e em instalações de energia de países vizinhos do Golfo Pérsico elevaram os preços para consumidores e produtores globais.

A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, classificou os ataques de Trump ao Irã como uma "ação decisiva" para impedir que Teerã atingisse interesses ou cidadãos norte-americanos. O porta-voz-chefe do Pentágono, Sean Parnell, contestou as conclusões sobre escassez de munições: "Temos tudo o que é necessário para atacar no momento e no local escolhidos pelo presidente."

Na audiência de julho, Hegseth pediu quase US$ 90 bilhões em financiamento de emergência para reabastecer os estoques. "Sem esses recursos, enfrentaremos déficits críticos", disse.

O inspetor-geral do Pentágono informou esta semana que o Irã danificou ou destruiu centenas de edifícios em bases dos EUA no Oriente Médio, além de aeronaves como caças, aviões de reabastecimento e drones. O órgão estimou o custo da guerra até 19 de junho em US$ 33,4 bilhões, incluindo cerca de US$ 184 milhões em danos a instalações diplomáticas causados por ataques iranianos.

A dívida pública total dos EUA ultrapassou US$ 40 trilhões em agosto. Para comparação, a guerra de oito anos no Iraque custou US$ 2 trilhões, e o conflito de duas décadas no Afeganistão, US$ 2,3 trilhões, segundo o projeto "Custos da Guerra" da Universidade Brown.

Caetano Vidal
Analista de criptoativos
Analista de criptoativos.
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