# Curva de juros recua com trade eleitoral e alívio nos Treasuries

> A curva de juros brasileira recuou em todos os vértices nesta quarta-feira (2), com o DI para janeiro de 2029 caindo 16 pontos-base, a 13,950%. O movimento refletiu nova pesquisa eleitoral e alívio nos Treasuries. A redução das taxas futuras ocorreu em meio a ajustes de expectativas do mercado doméstico.

*Mercado Valor · Economia · 02 de setembro de 2026 · Caetano Vidal*

A curva de juros brasileira recuou em todos os vértices nesta quarta-feira (2), com nova pesquisa eleitoral e alívio nos Treasuries. DI para janeiro de 2029 caiu 16 pontos-base, a 13,950%.

A curva de juros brasileira recuou em todos os vértices nesta quarta-feira (2), impulsionada por nova pesquisa eleitoral e alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou próxima da estabilidade a 13,575%, ante 13,585% do fechamento anterior. Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações a 13,950%, ante 14,110% do fechamento anterior, queda de 16 pontos-base. Durante o pregão, a taxa bateu mínima com recuo de 20 pontos-base, a 13,915%. A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, recuou 16 pontos-base e terminou o dia a 14,320%, ante 14,480% do fechamento da última terça-feira (1).

No exterior, o mercado de títulos do Tesouro norte-americano interrompeu a sequência de altas e recuou ao longo da sessão. Por volta de 18h (horário de Brasília), o yield do Treasury de dois anos, mais sensível à política monetária, operava a 4,371%, ante 4,394% do ajuste anterior. Já o retorno do título de dez anos, referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, caía para 4,78%, de 4,796% do fechamento da última terça-feira.

O cenário eleitoral injetou apetite ao risco no mercado doméstico com redução da vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno, de acordo com a pesquisa Quaest. "As pesquisas têm mostrado um cenário mais acirrado, sem um cenário definido de reeleição [do governo Lula]", avalia Marco Saravelle, estrategista-chefe da Krivo Capital.

Para Marcos Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, "o movimento é relevante, já que uma parcela de investidores enxerga uma eventual troca de governo como um possível sinal de uma política econômica mais ortodoxa". A redução da vantagem do petista sobre o senador reforçou a aposta dos investidores em uma troca de governo em 2027. De modo geral, Lula é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que vê em sua reeleição um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio têm se refletido positivamente nos ativos.

Em meio ao cenário de disputa eleitoral acirrada, a curva de juros precifica cerca de 100% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic em setembro, do atual nível de 14% para 13,75% ao ano. Para o encontro de novembro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a curva precificava cerca de 60% de chance de novo corte de 25 pontos-base, contra 40% de probabilidade de manutenção, durante a tarde desta quarta-feira.

"Eu não troquei meu call para novembro, continuo esperando estabilidade. Acho que o BC deve parar em novembro e depois voltar a cortar a Selic na sequência", comentou Lais Costa, analista da Empiricus Research. "Mas novembro depende muito da eleição. Se um cenário mais fiscalista se consolidar em outubro, o mercado pode até precificar um corte maior do que 25 pontos-base em novembro", acrescentou.

---

Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/curva-juros-recua-8216trade-eleitoral8217-alivio-treasuries/
