# Curva de juros não precificou riscos, diz Morgan Stanley; DI longo

> Morgan Stanley avalia que a curva de juros brasileira não precificou integralmente riscos fiscais e externos. O banco recomenda posição comprada em DI longo, indicando expectativa de juros elevados por mais tempo. A análise considera pressões inflacionárias e incertezas fiscais como fatores não refletidos nas taxas atuais.

*Mercado Valor · Economia · 15 de julho de 2026 · Otávio Bandeira*

O Morgan Stanley avalia que a curva de juros brasileira ainda não incorpora integralmente os riscos fiscais e externos. Em relatório, o banco recomenda posição comprada em DI longo, sinalizando expectativa de juros elevados por mais tempo. Entenda a tese e os impactos para invest

O Morgan Stanley divulgou relatório afirmando que a curva de juros brasileira ainda não incorpora todos os riscos fiscais e externos. O banco recomenda posição comprada em DI longo, sinalizando expectativa de juros elevados por mais tempo. A avaliação contrasta com a visão de parte do mercado que projeta queda da Selic no curto prazo.

O Morgan Stanley avalia que a curva de juros brasileira ainda não precificou integralmente os riscos fiscais e externos. Em relatório, o banco recomenda posição comprada em DI longo, apostando em juros elevados por mais tempo. A tese se baseia na percepção de que o mercado subestima a persistência da inflação e a necessidade de política monetária contracionista.

## Por que o Morgan Stanley aposta em DI longo

A tese do banco se ancora em três pilares. O primeiro é o risco fiscal: a trajetória da dívida pública brasileira, que, segundo o Banco Central, atingiu 78,3% do PIB em maio de 2026, patamar que pressiona as expectativas de inflação. O segundo é o cenário externo: juros elevados nos Estados Unidos, com o Fed mantendo a taxa entre 5,25% e 5,50% (Federal Reserve, decisão de maio/2026), reduzem o apetite por risco em mercados emergentes. O terceiro é a inflação doméstica: o IPCA acumulado em 12 meses encerrou maio em 4,2% (IBGE, IPCA mensal, mai/2026), ainda acima do centro da meta de 3,5%.

### O que é DI longo e como funciona

DI (Depósito Interfinanceiro) é um título que reflete a taxa de juros futura. O DI longo refere-se a vencimentos mais distantes, como janeiro de 2027 ou 2028. Quando o Morgan Stanley recomenda posição comprada, significa que o banco espera que a taxa de juros futura suba, valorizando o título para quem comprou antes. É uma aposta em juros altos por mais tempo.

## Riscos que a curva de juros pode ignorar

O Morgan Stanley lista riscos específicos. O principal é o fiscal: a relação dívida/PIB brasileira, que segundo o Banco Central está em 78,3%, pode continuar subindo se o governo não aprovar medidas de ajuste. O segundo é o externo: a alta dos juros americanos, com o Fed em 5,25%-5,50% (Federal Reserve), fortalece o dólar e pressiona o real, aumentando a inflação importada. O terceiro é o político: a incerteza sobre a aprovação de reformas estruturais no Congresso.

### Como o mercado reage a esses riscos

Historicamente, o mercado brasileiro reage com atraso a choques fiscais. Em 2024, por exemplo, a curva de juros só precificou o risco fiscal após o anúncio do contingenciamento orçamentário. O Morgan Stanley aposta que o mesmo pode ocorrer agora, com a curva ainda "plana" demais para os riscos existentes.

## Impacto para investidores: o que fazer com a carteira

Para quem investe em renda fixa, a recomendação do Morgan Stanley sugere cautela com títulos indexados à Selic de curto prazo. O banco indica que posições em DI longo podem proteger contra uma alta inesperada dos juros. investir em renda fixa 2026

### Alternativas ao DI longo

Investidores conservadores podem considerar títulos públicos indexados à inflação (NTN-B), que oferecem proteção contra a alta de preços. Já investidores arrojados podem buscar fundos multimercado que operam juros futuros, aproveitando a eventual correção da curva.

## O que esperar dos juros futuros nos próximos meses

A projeção do Morgan Stanley contrasta com a expectativa de parte do mercado, que aposta em queda da Selic a partir de setembro de 2026. O banco, no entanto, argumenta que a inflação persistente e o risco fiscal devem manter a taxa elevada por mais tempo. A decisão do Copom de maio, que manteve a Selic em 15,00% ao ano (Banco Central, ata do Copom, mai/2026), reforça essa visão.

### Cenário base versus cenário adverso

No cenário base do Morgan Stanley, a Selic encerra 2026 em 14,50%. No adverso, com materialização dos riscos fiscais, a taxa pode subir para 16,00%. A curva atual, com DI janeiro 2028 em 13,80%, ainda não reflete esse risco, o que justifica a aposta em DI longo.

## Perguntas Frequentes

### O que significa "curva de juros não precificou riscos"?

Significa que as taxas de juros futuras negociadas no mercado não incorporam integralmente a probabilidade de eventos adversos, como aumento da dívida pública ou inflação acima do esperado.

### Por que o Morgan Stanley recomenda DI longo?

O banco acredita que a curva de juros está muito baixa para os riscos existentes. Comprar DI longo agora permite lucrar se as taxas subirem, pois o título se valoriza.

### Qual a diferença entre DI curto e DI longo?

DI curto tem vencimento em até um ano, refletindo expectativas de curto prazo. DI longo tem vencimento superior a um ano, capturando expectativas de médio e longo prazo.

### Como o risco fiscal afeta os juros futuros?

O risco fiscal aumenta a percepção de que o governo pode ter dificuldade para honrar seus compromissos, elevando o prêmio de risco exigido pelos investidores e, consequentemente, as taxas de juros futuras.

### O que é posição comprada em DI?

É uma operação em que o investidor aposta na alta da taxa de juros futura. Se a taxa sobe, o título se valoriza, gerando lucro.

### Quais os riscos de seguir a recomendação do Morgan Stanley?

O principal risco é a curva de juros não subir como esperado, gerando perda com a posição comprada. Se o governo aprovar reformas e a inflação cair, as taxas podem recuar, contrariando a aposta do banco.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/curva-juros-ainda-nao-precificou-todos-riscos-diz-morgan-stanley-banco-aposta-di/
