# Copom deve cortar juros, mas eleição e El Niño travam sinalização

> Copom deve reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na reunião de 15 e 16 de abril, com probabilidade de 94,25% precificada pela B3. Eleição, El Niño e petróleo a US$ 100 limitam a sinalização do Banco Central sobre os próximos passos da política monetária.

*Mercado Valor · Economia · 14 de setembro de 2026 · Otávio Bandeira*

Comitê se reúne nesta terça (15) e quarta (16) com 94,25% de probabilidade de corte de 0,25 p.p. na Selic, segundo a B3. Eleição, El Niño e petróleo a US$ 100 travam a sinalização do Banco Central sobre os próximos passos.

O mercado trata como quase certa a redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta terça (15) e quarta-feira (16). A probabilidade implícita é de 94,25%, segundo a ferramenta Opções de Copom, da B3. O corte, no entanto, não resolve o problema de sinalização: eleição, El Niño e petróleo a US$ 100 o barril turvam o horizonte e retiram clareza sobre o ritmo de calibração.

O pano de fundo doméstico reforça o argumento de afrouxamento. O PIB do segundo trimestre veio com composição fraca e queda inesperada de 0,4% no consumo das famílias. A inflação oficial medida pelo IPCA confirmou desaceleração em agosto, com melhora em núcleos e em preços industriais.

## O que separa os economistas

O corte de 0,25 p.p. é consenso, mas o passo seguinte não é. Claudio Ferraz, da Galapagos Capital, vê esse cenário como base e alerta que a deterioração das expectativas de inflação, sobretudo para 2027, justificaria interromper o ciclo para reavaliação. "O corte na reunião de setembro é o cenário-base, mas a conjuntura é de cautela", afirma. A equipe da 4Intelligence condiciona a extensão do afrouxamento à consolidação da desinflação, ao comportamento das expectativas e à evolução dos riscos.

A divisão aparece nos números. Sérgio Vale, da MB Associados, projeta Selic terminal de 13,75%, com pausa motivada pela espera do BC pelas definições eleitorais e pelo desfecho fiscal. Felipe Salles, do C6 Bank, revisou a projeção de fim de 2026 de 14% para 13,75%, prevendo manutenção nas últimas reuniões do ano. Augusto Parente, da AW Capital, também aposta em corte seguido de pausa.

Do outro lado, Jeferson Bittencourt, do ASA, projeta cortes de 0,25 p.p. até o fim do ano e Selic terminal de 13,25%. Arnaldo Lima, da Polo Capital, vê mais um corte em novembro, o que levaria a taxa a 13,5% em 2026 e a 11,50% em 2027. O Itaú enxerga dois caminhos: pausa ou cortes adicionais de 0,25 p.p., com o cenário externo ainda incerto e pressão na curva de juros dos EUA.

## O que trava a sinalização

O impasse fiscal é a principal âncora da incerteza. Bittencourt, do ASA, lembra que a vulnerabilidade fiscal mantém a curva de juros pressionada e que a clareza não virá das campanhas. "O cenário fiscal só se desanuvia no primeiro, segundo ou terceiro discurso do presidente eleito, seja ele quem for", pontua. Lima, da Polo Capital, projeta amenização da política de valorização do salário mínimo e provável inclusão de saúde e educação no teto.

No front inflacionário, Lima e Ferraz projetam IPCA de 5,2% no ano, pressionado pelo El Niño, cuja probabilidade de evento forte foi elevada a 97%, com impacto em hortaliças e produções de curto prazo. No exterior, a tensão no Oriente Médio levou o petróleo ao patamar de US$ 100 o barril, com reprecificação das curvas de juros nos países centrais.

A expectativa é de comunicação cautelosa, sem forward guidance. O Itaú projeta repetição do balanço de riscos assimétrico para cima. "O Comitê deve manter a porta aberta, sinalizando dependência de dados e ausência de forward guidance explícito", diz o relatório assinado por Diogo Guillen. Salles, do C6, resume: comunicação cautelosa, sem antecipar movimentos, mas reconhecendo novos ajustes se necessário.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/copom-deve-cortar-juros-mas-eleicao-el-nino-petroleo-travam-sinalizacao-bc/
