# Queijo vira obstáculo em negociação EUA-México

> A negociação comercial EUA-México enfrenta impasse devido à disputa sobre queijos. Washington opõe-se às proteções da União Europeia para nomes genéricos como parmesão e feta, que limitariam exportações mexicanas. O acordo bilionário depende da resolução dessa barreira tarifária e regulatória, com impacto direto no setor lácteo de ambos os países.

*Mercado Valor · Economia · 30 de agosto de 2026 · Rubens Athayde*

EUA e México negociam acordo comercial bilionário, mas o queijo virou obstáculo: Washington se opõe a proteções da UE a nomes como parmesão e feta.

O queijo se tornou um ponto de discórdia nas negociações comerciais entre os EUA e o México, segundo duas fontes do governo mexicano que falaram sob condição de anonimato. A questão envolve o novo acordo comercial do México com a União Europeia, que concede proteções especiais a centenas de produtos europeus com nomes vinculados a regiões específicas, como Parmigiano Reggiano, feta e manchego. O acordo também dá à UE o direito de recorrer judicialmente em caso de violações.

Washington argumenta que o acordo, assinado em maio, impediria futuros produtores norte-americanos de vender queijos no México sob nomes como parmesão e feta. Os EUA há muito defendem que esses nomes são genéricos, enquanto a UE afirma que "parmesão" deve ser reservado para o Parmigiano Reggiano do norte da Itália e o feta para regiões específicas da Grécia.

"O que o México fez está absolutamente errado", afirmou Jaime Castaneda, vice-presidente executivo do Conselho de Exportação de Laticínios dos EUA. "O governo mexicano precisa garantir com absoluta certeza que os Estados Unidos e os fabricantes mexicanos de queijos com nomes comuns continuem podendo atuar no mercado."

Os EUA e o México estão no meio de negociações bilaterais para garantir um acordo comercial provisório ainda este ano, enquanto discussões paralelas renovam o Acordo EUA-México-Canadá. Essas negociações de alto risco deram aos EUA poder de barganha para defender sua posição em um mercado de bilhões de dólares para os exportadores de queijo dos EUA.

Embora o tratado entre México e UE tenha sido assinado, o México ainda não concluiu os procedimentos para que o pacto entre em vigor, enquanto a UE já o fez, segundo um porta-voz da Comissão Europeia. Um porta-voz do Ministério da Economia do México afirmou que o acordo precisa ser ratificado pelos parlamentares.

O México está entre os maiores consumidores mundiais de queijo, com preferência por variedades nacionais, como o queijo Oaxaca, de textura fibrosa, e o queso fresco. Mas as importações de queijo, principalmente dos EUA, dispararam desde a década de 1980 e agora representam quase 30% do consumo interno, impulsionadas por produtos como o parmesão ralado da Kraft e o manchego "Great Value" do Walmart.

Os EUA exportam anualmente cerca de US$ 1 bilhão em queijo para o México, enquanto as exportações de laticínios da UE para o país chegam a US$ 200 milhões. Vendedores de queijo no México, como Rodolfo Navarro, apoiam o acordo com a UE porque reduziria as tarifas sobre queijos europeus. "Esses queijos atenderão a mercados diferentes", disse.

A reclamação de Navarro é contra os produtores dos EUA, que ele e outros fabricantes mexicanos acusam de praticar preços abaixo dos custos. O Instituto de Política Agrícola e Comercial alertou, em 2023, que os produtores mexicanos estavam vulneráveis às exportações baratas dos EUA.

A Comissão Europeia informou à Reuters que não seria possível alterar os termos do acordo e que havia "tomado nota das ações dos EUA". O Escritório do Representante Comercial dos EUA já se manifestou sobre o sistema de proteção por Indicação Geográfica da UE, afirmando que obrigar produtores fora do bloco a usar descrições como "imitação de feta" contribui para o déficit comercial de US$ 1,2 bilhão no setor de queijos.

Os produtores europeus afirmaram que o conflito reflete culturas agrícolas opostas. "Os EUA sempre foram uma nação de alto volume de consumo, o que é precisamente o oposto do que as denominações de origem representam", disse Antonio Martinez, diretor de uma organização que protege a denominação regional do manchego. Enquanto isso, a cofundadora da Lactography, Georgina Yescas Trujano, disse: "Fico feliz que as tarifas sobre os queijos europeus estejam sendo reduzidas, porque os mexicanos podem aprender a comer queijos de melhor qualidade."

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/como-queijo-virou-obstaculo-negociacao-comercial-bilionaria-entre-eua-mexico/
