# Catar diz que houve avanços nas negociações entre EUA e Irã

> O Catar informou avanços nas negociações mediadas entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito, com o petróleo Brent caindo mais de 4% após a declaração. Teerã nega negociações diretas, enquanto autoridades americanas expressam otimismo sobre o progresso diplomático. A mediação catariana busca reduzir tensões regionais e estabilizar o mercado global de energia.

*Mercado Valor · Economia · 04 de agosto de 2026 · Caetano Vidal*

O Catar informou que mediadores obtêm avanços para pôr fim à guerra entre EUA e Irã, levando o petróleo Brent a cair mais de 4%. Teerã nega negociações diretas, mas autoridades americanas demonstram otimismo.

## Catar diz que houve avanços nas negociações entre EUA e Irã para pôr fim à guerra

O Catar informou nesta terça-feira que os mediadores estão obtendo avanços nos esforços para encerrar a guerra entre os EUA e o Irã, o que derrubou os preços do petróleo. Teerã, porém, negou a afirmação do presidente Donald Trump de que as negociações estejam em andamento.

## O que mudou nas negociações entre EUA e Irã?

O petróleo Brent, referência do mercado, caiu mais de 4% após os comentários do Catar, ampliando a forte queda registrada na segunda-feira. O mercado aposta que um acordo possa restabelecer o tráfego pelo Estreito de Ormuz. Por enquanto, o estreito permanece praticamente fechado, com mais um navio atacado ao tentar atravessá-lo.

Trump afirmou na segunda-feira que as negociações com Teerã haviam começado e que o Irã tinha uma "última chance" de chegar a um acordo. Autoridades iranianas insistiram que não estavam ocorrendo negociações com os Estados Unidos.

## Irã nega negociações diretas com Washington

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, falou apenas sobre conversas com Omã a respeito do trânsito pelo Estreito de Ormuz. Ele afirmou que elas haviam sido positivas e continuavam em andamento, concentrando-se na designação de faixas seguras de entrada e saída, segundo declarações citadas pela mídia estatal. Baghaei acrescentou que a rota negociada visa garantir os direitos soberanos e a segurança nacional tanto do Irã quanto de Omã.

## Tom otimista de autoridades dos EUA

Autoridades seniores dos EUA adotaram tom otimista. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o secretário de Estado, Marco Rubio, apontaram avanços nas discussões para a reabertura do Estreito de Ormuz, corredor que normalmente transporta cerca de um quinto dos embarques globais de petróleo e gás natural liquefeito.

"Houve avanços nessas negociações, mas ainda não há um acordo definitivo. Esperamos que isso aconteça em breve", disse Rubio a repórteres no Departamento de Estado. Bessent disse que um acordo com o Irã sobre a reabertura de Ormuz poderia ser alcançado até terça ou quarta-feira.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, disse que os contatos diplomáticos haviam chegado a "estágios muito avançados". Mediadores, incluindo o Catar, o Paquistão e Omã, coordenam-se estreitamente para facilitar as negociações e a troca de rascunhos de propostas entre Washington e Teerã.

Uma autoridade sênior de segurança do Paquistão disse: "Nosso único objetivo neste momento é fazer com que ambas as partes, pelo menos, concordem em começar a dialogar."

## O contexto militar e o bloqueio no Estreito de Ormuz

Os comentários de Trump vieram após sua decisão no fim de semana de cancelar os planos para o que ele descreveu como "ataques em grande escala" contra o Irã. O padrão se repete: ele ameaça com grandes ações militares antes de recuar e apontar para os contatos diplomáticos.

O Irã interrompeu a maior parte do tráfego pelo Estreito de Ormuz, enquanto Washington mantém um bloqueio ao transporte marítimo e aos portos relacionados ao Irã. Os houthis do Iêmen, alinhados com o Irã, também impuseram um bloqueio naval à Arábia Saudita no Mar Vermelho, restringindo ainda mais as rotas de exportação de petróleo.

Um navio de carga relatou ter sido atingido por um projétil não identificado perto do Estreito de Ormuz, na costa de Omã, de acordo com a agência de segurança marítima UK Maritime Trade Operations (UKMTO). Fontes marítimas informaram à Reuters nesta terça-feira que a embarcação era um navio de carga seca a granel. Sua tripulação abandonou o navio e um tripulante estava desaparecido.

Mais tarde, o ministro da Navegação da Índia, Sarbananda Sonowal, escreveu no X que um projétil havia atingido e afundado um navio indiano perto das águas iemenitas, com todas as 14 pessoas a bordo resgatadas pela guarda costeira do Iêmen.

## O controle do Estreito de Ormuz e o equilíbrio de poder

O Irã há muito tempo exige o controle sobre o Estreito de Ormuz, que, segundo o país, deveria ser compartilhado com Omã, na margem oposta. Teerã rejeitou, na semana passada, uma proposta de Omã que permitiria a supervisão compartilhada e a cobrança de taxas voluntárias dos navios.

Uma fonte iraniana sênior disse que Teerã busca o controle total sobre o tráfego marítimo de entrada e visibilidade sobre o tráfego de saída, com a capacidade de intervir se necessário. Conceder tal controle ao Irã representaria uma grande mudança no equilíbrio de poder regional e tornaria mais difícil para Washington argumentar que a "Operação Fúria Épica", lançada por Trump em conjunto com Israel em fevereiro, teria enfraquecido seu inimigo de longa data.

## Preocupações com a sustentabilidade da campanha militar dos EUA

Crescem as preocupações quanto à sustentabilidade da campanha militar dos EUA. O Exército dos EUA esgotou grande parte de seu estoque de mísseis de longo alcance de alta precisão durante a guerra, segundo três pessoas a par dos dados, o que suscita preocupações quanto à prontidão das Forças Armadas para futuros conflitos.

Autoridades e analistas do Golfo afirmam que o Irã está apostando que pode resistir mais tempo do que Washington, transformando as rotas comerciais, as rotas marítimas e a infraestrutura energética da região em pontos de pressão que aumentam constantemente o custo do confronto.

"A grande vantagem deles é que podem prejudicar os países da região e a economia global", afirmou Michael Knights, do Washington Institute.

## O que falta para um acordo?

O Irã rejeitou publicamente as negociações com Washington desde o colapso, no início de julho, de um memorando de entendimento que as duas partes haviam assinado no mês anterior. Trump ainda não alcançou os objetivos que estabeleceu no início da guerra: desmantelar o programa nuclear do Irã, restringir sua capacidade de atacar rivais regionais e criar condições para que os iranianos derrubem seus governantes clericais.

## Perguntas Frequentes

### As negociações entre EUA e Irã estão em andamento?

O Catar afirma que os mediadores obtêm avanços, mas o Irã nega que haja negociações diretas com os EUA. Autoridades americanas, como Marco Rubio e Scott Bessent, dizem que houve progresso.

### O que aconteceu com o petróleo Brent?

O petróleo Brent caiu mais de 4% após os comentários do Catar sobre avanços nas negociações, ampliando a forte queda da segunda-feira.

### O Estreito de Ormuz está aberto?

Não. O estreito permanece praticamente fechado, com o Irã interrompendo a maior parte do tráfego. Um navio de carga foi atacado e um navio indiano afundou perto das águas iemenitas.

### Quem são os mediadores nas negociações?

Catar, Paquistão e Omã estão coordenando-se para facilitar as negociações e a troca de rascunhos de propostas entre Washington e Teerã.

### O que o Irã quer com o Estreito de Ormuz?

O Irã busca o controle total sobre o tráfego marítimo de entrada e visibilidade sobre o tráfego de saída, com capacidade de intervir se necessário, segundo uma fonte iraniana sênior.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/catar-diz-houve-avancos-negociacoes-entre-eua-ira-por-fim-guerra/
