# Tarifa de 25% dos EUA: carne e café salvos, indústria na mira

> A tarifa de 25% sobre o aço anunciada pelos Estados Unidos poupa carne e café, mas atinge a indústria automotiva e de máquinas. A medida isola setores alimentícios enquanto penaliza a indústria pesada, conforme dados oficiais. O impacto concentra-se em cadeias produtivas de alto valor agregado, sem afetar commodities agrícolas como carne e café.

*Mercado Valor · Economia · 16 de julho de 2026 · Rubens Athayde*

A tarifa de 25% sobre o aço anunciada pelos EUA poupa carne e café, mas atinge em cheio a indústria automotiva e de máquinas. Entenda quem escapou e quem será mais afetado, com base em dados oficiais.

## Carne e café salvos, indústria na mira: quem escapou e quem será atingido pela tarifa de 25% dos EUA

A tarifa de 25% sobre as importações de aço e alumínio, anunciada pelos Estados Unidos, entra em vigor em março de 2025. A medida protecionista, justificada pela segurança nacional, atinge em cheio a indústria brasileira, mas poupa setores como carne bovina e café. O Brasil, maior exportador mundial de carne bovina, e o maior de café, não sofrerão impactos diretos nessas cadeias. No entanto, para a indústria de transformação, o cenário é de alerta. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras de aço para os EUA somaram US$ 1,2 bilhão em 2024. O impacto total pode chegar a US$ 3 bilhões, considerando os efeitos indiretos sobre cadeias produtivas.

## Quem escapa da tarifa de 25%?

Carne bovina e café estão fora da alíquota. O Brasil exportou US$ 8,5 bilhões em carne bovina para os EUA em 2024, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). O café, que movimentou US$ 2,3 bilhões no mesmo período, conforme o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), também não é alvo direto. Produtos agrícolas como soja, milho e algodão, que respondem por 30% das exportações brasileiras aos EUA, seguem livres da taxa.

## Indústria na linha de tiro

A indústria de transformação, que responde por 11% do PIB brasileiro, é a mais exposta. O setor automotivo, que importa aço para montagem de veículos, pode ver seus custos subirem. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) estima que 15% do aço usado na produção nacional vem dos EUA. Máquinas e equipamentos, construção civil e eletrodomésticos também sentem o aperto.

Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a tarifa pode reduzir o PIB industrial brasileiro em 0,3 ponto percentual em 2025. "O impacto é concentrado em setores intensivos em aço", diz o economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados. "Mas a diversificação da pauta exportadora brasileira ajuda a mitigar o efeito global."

## Impacto sobre o emprego e a renda

A indústria metalúrgica e siderúrgica emprega diretamente 500 mil trabalhadores no Brasil, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Com a tarifa, a produção pode cair 5%, gerando risco de demissões. O setor de máquinas, que exporta US$ 4 bilhões para os EUA anualmente, também está na mira.

## O que muda para o consumidor brasileiro?

Para o consumidor final, o impacto é indireto. Se a indústria automotiva repassar o custo do aço, o preço dos carros pode subir até 2%, segundo simulações do Banco Central. Eletrodomésticos como geladeiras e fogões, que usam aço, também podem ficar mais caros. No entanto, carne e café, que compõem a cesta básica, seguem sem pressão tarifária.

## Negociações e possíveis alívios

O governo brasileiro já sinalizou que buscará uma negociação com os EUA. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que "o Brasil está aberto ao diálogo para evitar escalada protecionista". Uma saída possível é a ampliação das cotas de exportação de aço, que hoje são de 3,5 milhões de toneladas anuais.

## O que esperar daqui para frente

O ciclo sempre vira. Se a tarifa se mantiver, o Brasil pode redirecionar parte do aço para outros mercados, como China e União Europeia. Mas a curto prazo, a indústria sentirá o aperto. Para o investidor, o recado é claro: setores expostos ao aço exigem cautela, enquanto agropecuária e café seguem como portos seguros.

impactos da guerra comercial sobre o agronegócio como a indústria automotiva se prepara para tarifas

## Perguntas Frequentes

### O que é a tarifa de 25% dos EUA?

É uma sobretaxa sobre importações de aço e alumínio, justificada pela segurança nacional, que entra em vigor em março de 2025.

### Carne e café são afetados?

Não. Carne bovina e café estão fora da alíquota, assim como soja, milho e algodão.

### Quem é mais atingido?

A indústria automotiva, de máquinas e equipamentos, construção civil e eletrodomésticos, que usam aço como insumo.

### Qual o impacto no PIB brasileiro?

O Ipea estima redução de 0,3 ponto percentual no PIB industrial em 2025.

### O governo brasileiro pode negociar?

Sim. O MRE já sinalizou abertura para diálogo, com possibilidade de ampliação de cotas.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/carne-cafe-salvos-industria-mira-quem-escapou-quem-sera-atingido-pela-tarifa-25-/
