Economia

Câmara dos EUA aprova projeto de lei de defesa de US$ 1 trilhão

ResumoA Câmara dos Deputados dos EUA aprovou por margem estreita a NDAA 2027, autorizando US$ 1,15 trilhão para as Forças Armadas. Democratas se opuseram ao custo, à guerra contra o Irã e à cláusula que amplia cooperação militar com Israel. O projeto segue para o Senado, onde enfrenta desafios.

A Câmara dos Deputados dos EUA aprovou por margem estreita a NDAA 2027, que autoriza US$ 1,15 trilhão para as Forças Armadas. Democratas se opõem ao custo, à guerra contra o Irã e a cláusula que amplia cooperação militar com Israel. O projeto agora enfrenta desafios no Senado.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 23 de julho de 2026
Câmara dos EUA aprova projeto de lei de defesa de US$ 1 trilhão

Câmara dos Deputados dos EUA aprova projeto de lei de defesa de US$ 1 trilhão

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou, na noite desta quarta-feira (22), sua versão da Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA) para o ano fiscal de 2027. O texto autoriza um gasto sem precedentes de US$ 1,15 trilhão para as Forças Armadas, mas enfrentou forte oposição democrata e agora segue para o Senado com futuro incerto.

A NDAA 2027 autoriza US$ 1,15 trilhão para as Forças Armadas dos EUA. O projeto foi aprovado por 216 votos a 212, com votação majoritariamente partidária: apenas 7 republicanos votaram contra e 6 democratas votaram a favor. Os democratas se opuseram ao custo elevado em meio a cortes em programas sociais, à guerra contra o Irã e a uma cláusula que amplia a cooperação militar com Israel.

Por que a NDAA 2027 é polêmica?

O projeto deste ano quebra uma tradição de 65 anos de aprovação bipartidária. As divisões são profundas e vão além do valor recorde.

O custo recorde de US$ 1,15 trilhão

Pela primeira vez, o orçamento militar autorizado ultrapassa a marca de US$ 1 trilhão. Os democratas argumentam que o montante é excessivo, especialmente em um momento em que o presidente Donald Trump e os republicanos cortam gastos com programas sociais. Os republicanos, por sua vez, defendem que o valor é essencial para sustentar a guerra contra o Irã, financiar sistemas de defesa, comprar equipamentos e conceder benefícios às tropas, incluindo aumentos salariais de até 7% e construção de quartéis e moradias para famílias.

Guerra contra o Irã já custou US$ 37,5 bilhões

A guerra em curso contra o Irã é profundamente impopular, especialmente entre os democratas. Segundo o Pentágono, o conflito já custou US$ 37,5 bilhões até o momento. Para os republicanos, o gasto de US$ 1 trilhão é necessário justamente para financiar essa guerra e preparar as Forças Armadas para novos desafios.

Cláusula de cooperação militar com Israel

Outro ponto de discórdia é uma cláusula que amplia substancialmente a cooperação em tecnologia militar entre os EUA e Israel. Muitos norte-americanos, especialmente da esquerda, pedem a redução do apoio a Israel devido ao alto número de vítimas civis palestinas causadas pelos ataques em Gaza. A cláusula, portanto, vai na contramão desses apelos.

O caminho da NDAA no Congresso

Historicamente, a NDAA é um dos poucos projetos considerados "legislação que precisa ser aprovada" e que sempre passa pelo Congresso. Nos últimos 65 anos, ela se tornou lei consecutivamente. Mas 2027 pode ser diferente.

O impasse no Senado

A versão da NDAA aprovada pela Câmara foi anexada à "SAVE America Act", uma lei eleitoral apoiada por Trump que endurece as restrições ao voto. Esse movimento complicou ainda mais o destino do projeto, já que não há votos suficientes no Senado para aprovar a lei eleitoral. Na semana passada, os democratas do Senado já haviam bloqueado a versão da NDAA da própria Casa. Os líderes republicanos prometeram tentar novamente antes do recesso de agosto.

O processo de aprovação

Todos os anos, Câmara e Senado aprovam suas próprias versões da NDAA. Depois, negociadores do Comitê de Serviços Armados buscam um acordo sobre uma versão de compromisso, que é submetida a votação em cada Casa. Se aprovada, a versão final segue para a Casa Branca, onde Trump pode sancioná-la ou vetá-la.

O que esperar da NDAA 2027?

O projeto enfrenta grandes desafios, dadas as divisões sobre o tamanho do orçamento, a guerra contra o Irã, a ajuda a Israel e à Ucrânia e questões de "guerra cultural", como o tratamento a soldados transgêneros. Se o impasse no Senado persistir, a NDAA pode não ser aprovada pela primeira vez em 65 anos.

Para investidores e analistas, o desfecho é relevante: um eventual veto ou bloqueio pode gerar incertezas sobre o financiamento militar dos EUA, afetando fornecedores do setor de defesa e a percepção de risco geopolítico.

Perguntas Frequentes

O que é a NDAA?

A Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA) é um projeto de lei anual que define o orçamento e as políticas das Forças Armadas dos EUA. Historicamente, é aprovada com amplo apoio bipartidário.

Quanto a NDAA 2027 autoriza?

O projeto autoriza US$ 1,15 trilhão para as Forças Armadas, um valor recorde.

Por que os democratas se opuseram?

Os democratas criticam o custo elevado em meio a cortes em programas sociais, a guerra contra o Irã (que já custou US$ 37,5 bilhões) e a cláusula que amplia a cooperação militar com Israel.

Qual o próximo passo?

A versão da Câmara segue para o Senado, onde enfrenta resistência. Se houver acordo, uma versão de compromisso será votada nas duas Casas e enviada ao presidente Trump para sanção ou veto.

A NDAA pode não ser aprovada este ano?

Sim. As divisões partidárias são as maiores em décadas. Democratas do Senado já bloquearam a versão da Casa, e a anexação da lei eleitoral complicou ainda mais o cenário.

Leia também

Publicidade