# Caiado promete reduzir taxa de juros pela metade a 7%

> Ronaldo Caiado prometeu reduzir a taxa Selic de 14% para 7% em Aparecida de Goiânia, condicionando a meta a um ajuste fiscal rigoroso e à recuperação da confiança do mercado. A proposta exige controle de gastos públicos e reformas estruturais para viabilizar a queda dos juros. A promessa enfrenta desafios de credibilidade diante do cenário econômico atual.

*Mercado Valor · Economia · 07 de setembro de 2026 · Lia Hartmann*

Em Aparecida de Goiânia, Caiado prometeu reduzir a Selic de 14% para 7% com ajuste fiscal e recuperação da confiança. Entenda a proposta e o contexto.

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) voltou a prometer que reduzirá a taxa básica de juros, a Selic, de 14% para 7% caso seja eleito. A declaração foi dada a jornalistas em Aparecida de Goiânia (GO) neste domingo, 6, e reforça a promessa de campanha de cortar a taxa pela metade, com base em medidas econômicas que seriam adotadas a partir de janeiro.

A Selic está em 14% ao ano, conforme dados do Banco Central. Caiado afirmou que levará a taxa para 7% com ajuste fiscal e recuperação da confiança na economia. "Chegando ao governo, eu garanto à população brasileira que eu diminuo a taxa de juros a 7%, a metade do que está hoje, com as medidas que nós tomaremos a partir do dia 5 de janeiro", disse.

A proposta, no entanto, enfrenta um obstáculo institucional: a Selic é definida pelo Banco Central, que tem autonomia para fixar a taxa. O candidato, porém, argumenta que a queda viria como consequência de políticas econômicas que reduziriam a inflação e a incerteza fiscal, o que permitiria ao BC cortar os juros. Em declarações anteriores, Caiado havia defendido uma taxa de 6%, mas agora passou a citar o patamar de 8% a 7%.

As declarações ocorrem em referência ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre o Brasil e à disputa comercial aberta pelo governo norte-americano, que elevam o risco e pressionam a taxa de câmbio. Para o investidor, a promessa de juros menores pode significar queda na rentabilidade da renda fixa, mas também uma eventual retomada do crédito e do consumo. O juro composto não perdoa: uma Selic de 7% ao ano reduz o rendimento de títulos atrelados à taxa, mas pode abrir espaço para outras aplicações.

Além dos juros, Caiado criticou o ministro Alexandre de Moraes e defendeu uma reforma do Judiciário. Ele propôs idade mínima de 60 anos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e quarentena após a aposentadoria compulsória aos 75 anos. O candidato também prometeu indicar quatro mulheres para a Corte, citando as vagas que devem abrir com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso e outras três cadeiras nos próximos quatro anos.

A promessa de Caiado de reduzir a Selic pela metade é um dos eixos de sua campanha, mas especialistas lembram que a taxa é definida pelo BC com base na inflação e na credibilidade fiscal. A proposta, portanto, depende de um conjunto de medidas que ainda não foram detalhadas. No curto prazo, a Selic segue em 14%, e o mercado acompanha os próximos passos do candidato e do governo atual como a Selic afeta seus investimentos.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/caiado-volta-prometer-reducao-taxa-juros-pela-metade/
