# Caiado: emendas parlamentares são desestruturação do presidencialismo

> Ronaldo Caiado (PSD) classificou as emendas parlamentares como desestruturação do presidencialismo em sabatina na GloboNews. O governador de Goiás afirmou que, se eleito presidente, direcionará integralmente os recursos dessas emendas para obras do plano de governo. A declaração critica o modelo atual de distribuição de verbas no Congresso Nacional.

*Mercado Valor · Economia · 07 de agosto de 2026 · Caetano Vidal*

Em sabatina na GloboNews, Ronaldo Caiado (PSD) classificou as emendas parlamentares como 'desestruturação do presidencialismo' e afirmou que, se eleito, direcionará integralmente os recursos para obras do seu plano de governo.

## Caiado diz que emendas parlamentares são 'desestruturação do presidencialismo'

O pré-candidato do PSD à presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou nesta sexta-feira (7) que há uma "desestruturação do presidencialismo" ao comentar as emendas parlamentares. Durante sabatina na emissora GloboNews, o ex-governador de Goiás disse que pretende direcionar integralmente esses recursos para obras do seu plano de governo.

## O que são as emendas parlamentares e por que isso afeta você

Para o cidadão comum, a discussão sobre emendas pode parecer distante. Mas ela define, na prática, para onde vai parte significativa do orçamento público. Quando um parlamentar indica uma emenda, ele decide a destinação de verbas federais, muitas vezes para obras ou projetos em sua base eleitoral. A crítica de Caiado aponta para um conflito de prioridades: o plano de governo eleito pela população versus as demandas individuais de cada congressista.

## A declaração central: 'desestruturação do presidencialismo'

Caiado foi direto ao responder sobre como governaria com as emendas. Num primeiro momento, disse que governaria "tranquilamente" com elas. Na sequência, porém, fez a crítica contundente: "Na minha época, nunca teve uma emenda impositiva enquanto fui senador e deputado. Nunca vi isso na minha vida, nunca vi emenda impositiva. Então, essa é a desestruturação do presidencialismo".

A fala remete a uma mudança institucional recente. As emendas impositivas, que obrigam o Executivo a executar os valores indicados pelo Legislativo, são apontadas pelo pré-candidato como um fator de desordem. "Você tem uma desordem institucional completa", completou.

## O argumento dos '594 planos de governo'

O ponto central do raciocínio de Caiado é numérico. Ele afirmou que não poderá ter "594 planos de governo", número que corresponde à quantidade de parlamentares do Congresso Nacional. A lógica é simples: se cada um dos 594 congressistas tiver poder de definir obras de forma impositiva, o resultado seria uma fragmentação das prioridades nacionais.

"É preciso que o cidadão entenda que vai ter um presidente da República com autoridade moral e capacidade de negociar esses assuntos", disse. A declaração busca reforçar a ideia de centralização das decisões no Executivo, com o presidente como articulador final.

## A promessa: 100% das emendas para obras do plano de governo

Caiado não se limitou a criticar. Ele apresentou sua proposta: direcionar todo o montante das emendas parlamentares para obras previstas em seu plano de governo. "Vou direcionar 100% nas obras do governo, do meu plano de governo, eleito pela população", afirmou.

A estratégia é clara. Em vez de dispersar recursos por indicações individuais, o pré-candidato quer concentrar os investimentos em um projeto único, validado nas urnas. Para ele, a justificativa é de legitimidade: o plano foi eleito pela população, portanto deveria prevalecer sobre interesses setoriais.

## 'O peso da cadeira da Presidência'

Caiado também abordou a capacidade de negociação do futuro chefe do Executivo. Ele afirmou que "não tem como" um parlamentar dizer não às propostas do governo, desde que haja autoridade moral. "Você não pode menosprezar também o peso da cadeira da Presidência da República", acrescentou.

A declaração revela uma visão de presidencialismo forte, em que o presidente atua como fiador das prioridades nacionais. Para o analista de criptoativos, a analogia é útil: assim como no mercado, onde a credibilidade de uma autoridade monetária define a confiança na moeda, a autoridade política de um presidente depende da percepção de que ele controla a agenda.

## Como isso pode impactar o eleitor em 2026

Para quem acompanha a sucessão presidencial, a fala de Caiado sinaliza uma plataforma de governabilidade. O pré-candidato do PSD aposta em um discurso de ordem e priorização de obras. O impacto prático, caso eleito, seria uma mudança na relação entre Executivo e Legislativo, com menos espaço para emendas individuais e mais foco em projetos de grande escala.

O tema, porém, não é consenso. Parlamentares costumam defender as emendas como instrumento de aproximação com suas bases. A proposta de Caiado, se implementada, exigiria negociação política intensa, algo que ele próprio reconhece ao citar o "peso da cadeira".

## O contexto do petróleo e a agenda econômica

Em outra frente, Caiado também foi notícia por decisão do Comitê de Gestão da Câmara de Comércio Exterior. Em julho, o órgão decidiu manter o imposto sobre óleo bruto de petróleo. A medida, embora não tenha sido comentada diretamente por Caiado na sabatina, integra o cenário econômico que o pré-candidato terá de enfrentar se eleito.

A manutenção do imposto afeta a arrecadação e os preços internos de derivados, temas sensíveis para a inflação e para o custo de vida. Para o eleitor, a combinação entre política de emendas e política tributária define o espaço fiscal para investimentos em infraestrutura.

## Análise: entre o discurso e a prática

A declaração de Caiado tem peso simbólico. Ao atacar as emendas impositivas, ele se posiciona contra uma prática que cresceu nas últimas legislaturas. A promessa de direcionar 100% dos recursos para o plano de governo é ambiciosa, mas esbarra na realidade do presidencialismo de coalizão brasileiro.

A experiência de quem acompanha política há anos mostra que a relação entre Executivo e Legislativo é feita de trocas. A pergunta que fica é: como Caiado convenceria 594 parlamentares a abrirem mão de suas indicações? A resposta, segundo ele, está na autoridade moral e no peso institucional do cargo.

Nem tudo que sobe é tendência, e nem toda crítica a emendas resulta em mudança prática. Mas a fala de Caiado, registrada em sabatina nacional, coloca o tema na agenda eleitoral de 2026. Para o eleitor, resta acompanhar se o discurso se converte em proposta concreta e viável.

## Perguntas Frequentes

### O que são emendas parlamentares impositivas?

Emendas impositivas são aquelas que o governo é obrigado a executar, conforme indicação dos parlamentares. Elas foram criadas para dar mais poder ao Legislativo sobre o orçamento, mas são criticadas por quem defende maior controle do Executivo.

### Por que Caiado chama as emendas de 'desestruturação do presidencialismo'?

Ele argumenta que, com 594 parlamentares indicando obras de forma impositiva, o presidente perde a capacidade de executar um plano de governo único. Para Caiado, isso fragmenta as prioridades nacionais.

### O que Caiado propõe para as emendas se for eleito?

Ele afirmou que pretende direcionar 100% das emendas parlamentares para obras do seu plano de governo, eleito pela população. A ideia é concentrar os recursos em projetos definidos pela sua administração.

### Quando Caiado fez essas declarações?

As declarações foram feitas nesta sexta-feira (7), durante sabatina na emissora GloboNews, como parte de sua agenda de pré-candidato do PSD à presidência da República.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/caiado-diz-emendas-parlamentares-sao-8216desestruturacao-presidencialismo8217/
