Brasil usará reciprocidade na hora adequada e apoiará setores afetados por tarifas, diz Alckmin
O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou que o Brasil adotará reciprocidade em resposta às tarifas dos EUA, no momento adequado, e apoiará setores afetados. A declaração ocorre em meio à escalada da guerra comercial global.
Brasil usará reciprocidade na hora adequada e apoiará setores afetados por tarifas, diz Alckmin
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta quarta-feira (12) que o Brasil aplicará reciprocidade no momento adequado e apoiará os setores afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. A declaração foi feita durante evento em Brasília, sem detalhar prazos ou medidas específicas, mas com a sinalização de que o governo monitora os desdobramentos da guerra comercial global.
O anúncio ocorre após os EUA elevarem tarifas sobre importações de aço e alumínio, atingindo diretamente exportadores brasileiros. Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, disse que o país não agirá por impulso, mas com planejamento e diálogo com os setores prejudicados.
O que significa reciprocidade na prática
Reciprocidade, no comércio internacional, é a aplicação de medidas equivalentes às impostas por outro país. No caso, o Brasil pode elevar tarifas sobre produtos americanos na mesma proporção das taxas aplicadas pelos EUA sobre itens brasileiros. A medida é prevista em acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC) e já foi usada por outros países, como China e União Europeia, em disputas comerciais.
Segundo dados do Ministério da Economia, o Brasil exportou US$ 3,2 bilhões em aço e alumínio para os EUA em 2025. A imposição de tarifas de 25% sobre esses produtos pode reduzir a competitividade brasileira no mercado americano.
Setores mais expostos
Os setores de siderurgia e metalurgia lideram a lista de afetados. Empresas como Gerdau, Usiminas e ArcelorMittal têm grande parte de sua receita atrelada às exportações para os EUA. O governo já sinalizou que pode oferecer linhas de crédito especiais, desoneração tributária ou ampliação de mercados alternativos, como a China e a União Europeia.
Alckmin destacou que o apoio será definido em conjunto com as associações empresariais e sindicatos. "Não vamos deixar ninguém para trás", afirmou.
Impactos na economia brasileira
A guerra comercial entre EUA e China, iniciada em 2025, já afetou cadeias globais de suprimentos. O Brasil, como exportador de commodities, sente os efeitos indiretos: queda nos preços de minério de ferro e soja, além de menor demanda chinesa por produtos brasileiros.
Dados do Banco Central mostram que a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 74,6 bilhões em 2025. As tarifas americanas podem reduzir esse saldo em até 5%, segundo estimativas de consultorias privadas.
Medidas de apoio já em estudo
O governo avalia três frentes principais:
- Linhas de crédito: O BNDES pode oferecer financiamento com juros subsidiados para empresas exportadoras afetadas.
- Diversificação de mercados: Acordos comerciais com países como Índia e Indonésia estão na pauta.
- Desoneração tributária: Redução de impostos sobre insumos importados usados na produção de aço e alumínio.
"Estamos trabalhando em soluções que não apenas compensem perdas, mas também fortaleçam a competitividade a longo prazo", disse Alckmin.
Repercussão no mercado financeiro
O anúncio de reciprocidade não causou grandes oscilações na bolsa brasileira. O Ibovespa fechou estável, enquanto o dólar comercial subiu 0,3%, cotado a R$ 5,12. Analistas avaliam que o mercado já esperava uma reação do governo e que o tom moderado de Alckmin reduziu incertezas.
Histórico de disputas comerciais Brasil-EUA
Esta não é a primeira vez que os dois países trocam tarifas. Em 2018, o governo Trump impôs tarifas de 25% sobre aço brasileiro, e o Brasil respondeu com medidas semelhantes, mas recuou após negociações. Agora, o cenário é diferente: a guerra comercial global é mais ampla, e o Brasil busca fortalecer alianças com outros parceiros.
O que esperar dos próximos passos
O governo deve anunciar as medidas concretas nas próximas duas semanas. A expectativa é que o Brasil busque um acordo bilateral com os EUA antes de aplicar reciprocidade total. Enquanto isso, setores afetados pressionam por ações rápidas.
Para quem quer se aprofundar no tema, vale acompanhar as negociações na OMC e os desdobramentos das tarifas americanas sobre outros países guerra comercial EUA China 2026.
Perguntas Frequentes
O que é reciprocidade no comércio internacional?
É a aplicação de tarifas equivalentes às impostas por outro país, como forma de retaliação ou negociação.
Quais setores serão mais afetados pelas tarifas dos EUA?
Siderurgia, metalurgia e, indiretamente, agronegócio e mineração.
O Brasil já aplicou reciprocidade antes?
Sim, em 2018, durante o governo Trump, o Brasil respondeu a tarifas sobre aço com medidas similares.
Quando as medidas de apoio serão anunciadas?
O governo promete detalhar as ações nas próximas duas semanas.
Como a guerra comercial global afeta o Brasil?
Reduz a demanda por commodities, pressiona o câmbio e pode diminuir o superávit comercial.