# Brasil testa plataforma para pesquisas em microgravidade no espaço

> A Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável (PSM-R) está em teste no Brasil até 19 de setembro no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), no Rio Grande do Norte. O ensaio valida a recuperação da estrutura para futuras pesquisas científicas em ambiente de microgravidade. A operação confirma a capacidade nacional de lançamento e resgate de cargas úteis suborbitais.

*Mercado Valor · Economia · 06 de setembro de 2026 · Bianca Solano*

Até 19 de setembro, o Brasil testa a recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável (PSM-R) no CLBI, no Rio Grande do Norte.

O Brasil executa, até 19 de setembro, uma nova etapa para ampliar a capacidade de fazer pesquisas científicas em microgravidade no espaço. A Operação Potiguar 2, conduzida no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, testa em condições reais de voo o sistema de recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável (PSM-R). O ambiente de microgravidade permite desenvolver pesquisas em condições diferentes das encontradas na superfície terrestre, com potencial para estudos de materiais, fluidos, combustão, biologia, medicamentos e agricultura espacial.

A plataforma será lançada pelo veículo de sondagem VS-30 V16, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). A missão está prevista para ocorrer de 31 de agosto a 19 de setembro e envolve cerca de 160 militares e servidores civis na preparação, integração, lançamento e recuperação da carga. O objetivo principal da segunda fase da Operação Potiguar é verificar se o conjunto responsável por recuperar a plataforma funciona conforme planejado durante um voo. A primeira fase, em 2024, foi voltada principalmente à verificação de procedimentos e sistemas associados ao lançamento.

Na prática, a recuperação permite que a plataforma e os equipamentos transportados retornem para análise depois do voo. Os dados obtidos podem ajudar na avaliação dos sistemas e no desenvolvimento de futuras missões científicas em ambiente de microgravidade. O VS-30 V16 tem aproximadamente 9 metros de comprimento, 600 milímetros de diâmetro e massa de cerca de 1,6 tonelada. As simulações indicam que o foguete poderá atingir aproximadamente 100 quilômetros de altitude e percorrer cerca de 90 quilômetros. A carga útil, a PSM-R, tem massa estimada em 401 quilos.

A plataforma reúne sistemas necessários para seu funcionamento durante o voo e para o retorno à superfície, incluindo o sistema de recuperação por paraquedas, módulos destinados a experimentos, módulo de serviço e controle, sistema de gás frio, anéis de balanceamento e um mecanismo chamado ioiô, usado para auxiliar no controle da velocidade de rotação antes da separação da carga útil. Segundo a Agência Espacial Brasileira (AEB), a plataforma está relacionada ao Programa Microgravidade, que seleciona experimentos científicos e tecnológicos para serem realizados em voos suborbitais e orbitais.

Durante o voo, os sistemas embarcados serão acompanhados por recursos de telemetria e rastreamento. Depois do retorno da carga útil, os dados coletados serão analisados pelas equipes responsáveis pela operação. O CLBI também coordena procedimentos de segurança e o acompanhamento do veículo, exigindo articulação com os órgãos responsáveis pelo controle do espaço aéreo e marítimo. Inaugurado em 1965, o CLBI foi o primeiro centro de lançamentos espaciais da América do Sul. Segundo a FAB, a unidade já participou de mais de 400 lançamentos de foguetes e acompanhou mais de 3 mil veículos, incluindo o rastreamento de foguetes Ariane, em cooperação com a Agência Espacial Europeia, e o apoio ao monitoramento de veículos lançados a partir do Centro de Lançamento de Alcântara.

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Fonte (canonical): https://mercadovalor.com.br/economia/brasil-testa-plataforma-pesquisas-microgravidade-espaco/
